Páginas

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

57 - "O teu chileno?"

Entretanto, em Barcelona, Adriana, Alexis e os seus familiares viviam um Natal diferente, onde a cultura portuguesa e a cultura chilena se juntavam. Havia o bacalhau português, mas também o peru, mais típico do Chile. Havia muita alegria, muita luz, muita cor, muita família e claro muitos presentes debaixo da árvore de Natal.
Di – No Chile não há só presentes no 6 de Janeiro?
Alexis – Não. Falamos espanhol mas as tradições não são as espanholas (disse rindo-se)
Alexis puxa Adriana para um sofá, perto da lareira, onde os dois se sentam bem juntinhos.
Alexis – No Chile, o Natal… é Natal. É a festa mais esperada, juntamente com a passagem de ano. Temos a ceia de Natal, às dez da noite e à meia-noite é hora dos presentes.
Di – Uau, e eu a pensar na tradição espanhola…
Alexis – E em Portugal como é?
Di – É mais ou menos o mesmo. Ceia, presentes…
Alexis – Estás a ver, os nossos mundos não são assim tão distintos…
Di – Acho que à mesa é que as coisas divergem…
Alexis – Nós optamos pelo peru, o pão de Natal, os nossos doces… E vocês?
Di – Temos o bacalhau, principalmente. E depois temos todos os nossos doces: aletria, o bolo rei, os sonhos, as fatias douradas…
Alexis – Hum… parece tudo ótimo…
Di – E eu devia estar a ajudar as mulheres na cozinha. E em vez disso estou aqui! Até dá mau aspeto.
Alexis – Não dá nada. A esta hora está tudo feito. Achas que a tua família está a gostar de cá estar?
Di – Sim, acho que sim. Tirando a parte da língua. Falamos todos espanhol e eles às vezes ficam um bocado receosos…
Alexis – Pois, imagino. Eu nunca te ouvi falar português.
Di – Estamos em Espanha, é normal que fale espanhol, principalmente quando estou com o meu chileno.
Alexis – O teu chileno?
Di – Sim, meu e só meu.
Mãe de Di – Meninos, vêm jantar? Sei que namorar é bom mas é a ceia de Natal (disse, piscando-lhe o olho)
Os dois levantam-se e vão para a mesa. Uma mesa bastante natalícia, com um toque de Chile e um toque de Portugal. Uma mesa com recordações, histórias, planos para o futuro, expetativas. À meia-noite, o centro das atenções era a árvore de Natal. Presentes não faltavam, mas claro que o bebé que vinha a caminho era o mais presenteado. Ana e Cesc tinham já deixado o seu presente: a sua primeira chupeta. Um presente, sem dúvida, com muito significado. Alexis também tinha deixado um presente para o pequenino que vinha a caminho.
Di – Compraste-lhe uma prenda?
Alexis – Claro. Porque não haveria de comprar? Abre.
Adriana abre. Era uma pequena camisola do Barcelona. Com o número 9 e como nome apenas “Sánchez”.
Di – É…é linda.
Alexis – Sim, o menino ou menina Sánchez vai ser Barça desde pequenino ou pequenina!
Di – Oh, claro que sim.
A noite prossegue. Em casa de Cesc também já se abriam as prendas.
Mãe de Cesc – Filho, chegou hoje uma encomenda para ti, mas sem remetente. Acho que era um presente, visto que vinha embrulhado.
Cesc – Onde o puseste?
Mãe de Cesc – Está no teu quarto.
Cesc – Então, eu vou lá abrir a caixa mistério…
Cesc vai ao quarto e abre a caixa. Era um presente de Ana. Uma compilação de fotografias suas e de Ana. Havia também um bilhete:
“Sim, eu juntei uma paixão e o meu amor. A fotografia contigo torna-se ainda mais fantástica. Sim, fotografei-te até a dormir. São dezenas e dezenas de fotografias, que condensam os melhores dias da minha vida. Obrigada por me completares, obrigada por encaixares a peça amor e a peça felicidade no puzzle da minha vida. Deixo apenas algumas palavras da música que mais ouvia antes de estarmos juntos, a música com a qual chorava por ti:
Encontra-me aqui, e fala comigo. Eu quero sentir-te, eu preciso de te ouvir. Tu és a luz que me guia para o lugar onde encontrarei paz novamente. Tu és a força que me faz andar, tu és a esperança que me faz confiar. Tu és a vida para a minha alma. Tu és o meu propósito. Tu és tudo. E como poderia ficar aqui contigo e não ser movida por ti? Diz-me como poderia isto ficar ainda melhor? Acalmas tempestades e dás-me repouso. Seguras-me nas tuas mãos e não me vais deixar cair. Roubaste o meu coração e deixaste-me sem fôlego. Vais-me receber? Vais-me atrair ainda mais? Porque és tudo o que eu quero, és tudo o que eu preciso. Tu és tudo, tudo
Cesc – Uau, esta miúda é uma caixinha de surpresas. A minha caixinha de surpresas.
Uma hora depois, era tempo de abrir prendas em Portugal. Ana continuava muito combalida, qualquer barulho ou pequeno toque faziam-na entrar em pânico. Era tudo muito recente.
Mãe de Ana – Filha, tens no quarto um presente. Foi alguém especial que o enviou.
Ana foi de imediato para o quarto. Tinha a certeza que era um presente de Cesc. Esperava que fosse algo seu, para que pudesse sentir o seu cheiro. Quando chegou ao quarto, viu uma pequena caixa. Abriu-a. Continha uma aliança e um bilhete.

Ana pega de imediato no bilhete e lê-o:
“Sim, é uma aliança. Uma aliança de namoro. Porque eu sei que és especial, sei que não te conquistei. Sei que te conquisto a cada dia. Sei que és única. Estou aqui para te amar, mas também para te apoiar e proteger. Deixo aqui a tradução de uma música que gostaria de te cantar, mas sabes que a minha voz não dá para isso:
Diz-me se tens um problema, diz-me se está à tua frente. Diz-me se há algo que te preocupa. Diz-me o que devo dizer. Sabes que faria quase tudo, sabes que mudaria o Mundo, sabes que faria quase tudo pela minha menina. Diz-me se tens um problema, diz-me o que se passa. Mostra-me se partiste o coração. Sabes que não precisas de esconder. Sabes que faria quase tudo. Sabes que pintaria o céu. Sabias que faria quase tudo por ti, luz que me guia. Porque és a minha estrela que brilha sobre mim, um amor de mundos separados. Preciso de ti. És a minha estrela brilhante, minha estrela. Era uma vez uma recordação. Era uma vez uma rapariga. Era uma vez uma vida perfeita. Era uma vez um mundo perfeito. Sabes que faria quase tudo por ti, luz que me guia. Sabes que faria quase tudo para te manter na minha vida. Apenas uma memória, cada sonho é sobre tu e eu. Se pedir uma estrela, espero que seja onde tu estás. Quando os céus mudarem, sabes que brilharás, estás no meu coração para sempre. Quando o céu mudar, sabes que brilharás em mundos separados”
Ana – Isto é Star de Reamonn. Pensamos os dois em música... Ele faz mesmo de tudo para me conhecer na perfeição. Sabe que música é vício… Precisava tanto dele aqui. (dizia suspirando)

56 - "Senhora Sánchez…"

Manhã do dia 24
Ana acaba de fazer a mala. Tinha voo às 11h até Lisboa, com escala em Madrid.
Cesc – Já estou com saudades tuas.
Ana – Coitadinho… Daqui a 3 dias volto, vai passar a correr. Vais ter com a tua família cá. Aquela de quem me escondo diariamente…
Cesc – Escondes porque queres.
Ana – Escondo porque quero namorar contigo e não com a tua família.
Cesc – Pois pois. O que é que te assusta na minha família?
Ana – Por exemplo, a tua irmã e tu são muito próximos. E se ela não gostar de mim?
Cesc – Como é que ela poderia não gostar de ti?
Ana – Visto que ias morrendo por minha causa…
Cesc – Porque é que só te lembras dos maus momentos? Porque é que não te lembras que fazes de mim o homem mais feliz da Catalunha?
Ana – Eu faço de ti o homem mais feliz da Catalunha?
Cesc – Sim, da Catalunha, da Espanha, da Europa, do Mundo…
Ana beija Cesc.
Ana – Obrigada.
Cesc – Obrigada?
Ana – Sim, obrigada por me fazeres sentir que sou capaz de te fazer feliz.
Cesc – Tu não és capaz, tu fazes-me feliz!
Ana – Cesc, eu amo-te mesmo.
Cesc – Pareces-me tristinha… Continuas com o teu mau pressentimento?
Ana – Sim, mas isto passa. Deve ser só a ideia de estarmos tanto tempo afastados. Olha, passamos por casa da Di antes de eu ir para o aeroporto?
Cesc – Claro.
Os dois saem e vão, no carro de Cesc, até à casa de Di. Quando lá chegam, estavam bastante divertidos, por isso não faltavam os beijos. Ana, mesmo entre tantos beijos, consegue tocar à campainha. Quando abrem a porta, Cesc e Ana ficam bastante envergonhados. Era a mãe de Alexis.
Ana – Senhora Sánchez…
Mãe de Alexis – Sem comentários. Eu já fui da vossa idade, lembram-se?
Os dois entram bastante envergonhados, quando se apercebem que os familiares de Alexis e de Adriana já tinham chegado e que tinham assistido aos seus beijos intensos. Após alguns momentos de descontração, Ana despede-se de todos e prepara-se para sair.
Cesc – Eu levo-te.
Ana – Não é preciso. Há táxis em Barcelona.
Cesc – Sim. Mas eu levo-te.
Ana – Não vais ter com a tua família?
Cesc – Depois, vou. Para além disso, és parte da minha família.
Ana derrete-se com as palavras de Cesc e cede. O espanhol leva-a até ao aeroporto, onde se despedem.
Cesc – É agora, não é?
Ana – São só 3 dias. Vai passar a correr.
Cesc – Já tenho saudades.
Ana – Oh, vá lá, não tornes isto complicado. São três dias, 72 horas. Nada mais.
Cesc – Eu amo-te.
Ana – Eu também te amo.
Ana beija Cesc.
Ana – Bom Natal.
Cesc – Bom Natal.
Ana sai do carro. Cesc segue-a com o olhar, até que a sua silhueta desvanece.

Horas depois
Alexis e Di irradiavam felicidade. Ter as suas famílias ali, sem terem de abdicar um do outro, era simplesmente perfeito. Ninguém ficava indiferente ao amor que unia aqueles dois, ou melhor aqueles três.
Entretanto, Ana, após uma longa viagem de avião e uma viagem de comboio entre Lisboa e Braga, chega finalmente à cidade nortenha. Quando seguia a pé até casa, é surpreendida por um rapaz que a ataca. Era Tiago. O jovem vinha para “acertar contas” por Ana o ter denunciado pela tentativa de homicídio a Cesc.
Tiago – Então, voltamos a encontrar-nos – dizia, encostando Ana a parede e agarrando-a com força.
Ana – Deixa-me em paz, Tiago.
Tiago – Tu achas mesmo que eu vim aqui para brincadeiras? Ou para…conversar? Vim aqui para pagares por aquilo que fizeste.
Dito isto, o jovem começa a agredir Ana, sem dó nem piedade. Ana, sendo muito mais fraca que ele, não conseguia defender-se, apenas implorava para que ele parasse. Mas Tiago continuava naquele ato de cobardia. Quando Ana já estava completamente sem forças, após ter sido brutalmente espancada por Tiago, este levanta-a do chão e encosta-a à parede.
Tiago – Acho que vamos recordar os bons velhos tempos, fofinha… - dizia, rasgando as roupas de Ana.
Ana – Não, isso não. Para, por favor, para, Tiago! – Ana preferia ser espancada até à morte a ser novamente violada.
Ana apenas gritava, enquanto que Tiago continuava a torturá-la. Contudo, os gritos de Ana chamaram a atenção de uma patrulha da PSP que por ali passava, e que interveio de imediato. Após deterem Tiago, tentaram conversar com Ana, que chorava, completamente aterrorizada, no meio do chão.
Polícia – Tenha calma. Ele já foi detido. Nós vamos levá-la ao hospital.
Ana nem consegue responder. É levada para o hospital, quando já estava mais calma. Lá é assistida.
Ana – Por favor, verifiquem só se tenho hemorragias internas e se parti alguma coisa. Não se preocupem, eu trato de qualquer ferimento externo, estou a tirar o curso de medicina. Quero mesmo ir ter com a minha família.
Não eram aqueles os procedimentos normais, mas visto que era noite de consoada e que Ana tinha conhecimentos suficientes para tratar dela, abriram um precedente. Fizeram os exames e como Ana não tinha nem fraturas nem hemorragias internas, mandaram-na para casa. Foi acompanhada por agentes da PSP, que tocaram à campainha. Foi a mãe de Ana a abrir.
Mãe de Ana – Filha! O que é que aconteceu? – Ana tinha ferimentos bem visíveis na face e tinha as roupas completamente rasgadas.
Agente da PSP – A sua filha foi vítima de espancamento e tentativa de violação. O responsável já está em prisão preventiva, visto que foi apanhado em flagrante delito. Penso que agora será melhor deixar-vos a sós. Tenham um bom Natal.
Ana entra em casa e é logo abraçada pela mãe.
Ana – Ai, ai. Mãe, cuidado.
Mãe de Ana – Como é que isto aconteceu, Ana?
Ana – Foi o Tiago. Queria a vingança.
Mãe de Ana – Já ligaste para Barcelona?
Ana – Para quê, mãe? Para o preocupar? Eu vou só desinfetar as feridas, dar um banho e venho já para a consoada.
A mãe de Ana dá-lhe um beijo e a jovem dirige-se para a casa de banho, onde acaba por se trancar e chorar bastante. Podia fingir que estava bem, mas no fundo estava completamente aterrorizada. Estava em estado de choque.

55 - "Mas…júnior?"

Dia seguinte
Cesc acorda. Ana já não estava na cama. Cesc vai à procura dela. A jovem fotógrafa estava no sofá a ver televisão.
Cesc – Bom dia.
Ana – Bom dia.
Cesc – Já de pé?
Ana – Sim, estava sem sono. E estava a pensar na minha viagem até Braga.
Cesc – Estavas mesmo?
Ana – Sim, estava.
Cesc – Pareces estranha…
Ana – Estou com um mau pressentimento…
Cesc – Um mau pressentimento?
Ana – Sim, mas esquece. Isto já é muito cansaço. Olha, posso fazer-te uma pergunta?
Cesc – Sim, claro.
Ana – Quando a Carla esteve cá, antes de vocês acabarem, vocês…envolveram-se?
Cesc – Não acredito que ainda estás a pensar no que aconteceu ontem.
Ana – Responde-me, Cesc. Por favor.
Cesc – Sim, envolvemos, duas ou três vezes.
Ana – Ah ok…
Cesc (sentando-se ao pé de Ana) – Ana, esquece o que se passou ontem à noite. Esquece. Eu amo-te, e o resto não interessa!
Ana – Mas…
Cesc – Mas nada, Ana. Agora vem tomar o pequeno-almoço.
Ana e Cesc vão tomar o pequeno-almoço. Enquanto isso, Alexis acordava delicadamente Adriana.
Di – Hum…Bom dia!
Alexis – Bom dia!
Di – Podias acordar-me todos os dias…
Alexis – Gostaste dos beijinhos, foi?
Di – O que é que achas?
Alexis – Não sei… Podes não ter gostado.
Di rola para cima de Alexis e beija-o.
Di – Então, continuas a achar que não gostei?
Alexis – Hum… Não sei. Isto foi bastante convincente…
Di – Eu sou muito convincente.
Alexis – Sem dúvida. Olha, estive a pensar. Agora, que nos reconciliámos, como vai ser o nosso Natal?
Di – Ainda não tinha pensado nisso… Eu quero passar o Natal contigo. Faz todo o sentido, passarmos o Natal juntos, visto que somos casados, não é?
Alexis – Sim, é. Mas e como é que estamos com a minha família e com a tua num espaço de 24h? São milhares de quilómetros de distância.
Di – Já sei! E se passássemos o Natal aqui em Barcelona…todos juntos.
Alexis – Tu, eu, o júnior, a tua família e a minha família?
Di – Sim. Mas…júnior?
Alexis – É o nosso pequeno.
Di – E decidiste-lhe chamar-lhe júnior porquê?
Alexis – Porque sinto que é um menino. E como ainda não decidimos o nome…
Di – Tu e as tuas intuições. Olha, estive a pensar… Eu sou portuguesa, tu és chileno, o júnior deverá nascer em Espanha. Que nacionalidade lhe vamos dar?
Alexis – Uau, no que é que tu foste pensar!
Di – Eu sei. Só penso em coisas estranhas…
Alexis – Olha, vamos deixar o tempo passar e depois logo decidimos. Agora vou falar com a minha família. Falas com a tua?
Di – Claro.
Os dois ligam às suas famílias, que ficam entusiasmadíssimas com a ideia e aceitam de imediato.
Di – Aceitaram.
Alexis – A minha também. Olha, sabes o que nos falta?
Di – Beijarmo-nos?
Alexis – Ui, a minha menina está carente. Vamos tratar já disso.
Os dois beijam-se intensamente, entre muitos risos.
Di – Mas afinal o que é que nos faltava?
Alexis – Decorações de Natal.
Di – Tens razão. Com tanta confusão, esta casa nem a decoração de Natal teve direito.
Os dois saem. Compram o seu pinheiro de Natal, as suas decorações, a sua iluminação. Depois voltam para casa e decoram-na a rigor.
Di – Sim, agora a nossa casa está perfeita!
Alexis – Sim, está. Já viste daqui a um ano, já vamos ter alguém para pôr a estrela no topo da árvore?
Di – É verdade. Como é que ele será?
Alexis – Lindo, de certeza. Afinal, tem a mãe mais bonita do mundo e para eu te ter conquistado, é porque tenho um encanto qualquer…
Di – Por acaso não tens. Eu é que pronto, caí.
Alexis – Eu não tenho encantos, é?
Di – Hum… Não sei. Talvez uns beijos me ajudassem a perceber isso melhor…
Alexis – Ai sim? Hum… Eu não gosto de mal entendidos, por isso acho que uns beijos vão ser necessários, para esclarecer tudo…
Os dois voltam a beijar-se. Ainda tinham saudades um do outro para matar. Entretanto, tocam à campainha. Alexis vai abrir. Eram Ana e Cesc.
Alexis – Entrem, meninos!
Os dois entram, Ana vai ter com Di, enquanto que Alexis e Cesc correm para a PlayStation.
Di – Nunca mais crescem!
Ana nem a tinha ouvido.
Di – Ana! Ana!
Ana desperta.
Ana – Ai que susto! Que foi, Adriana?
Di – Estás estranha. Passa-se alguma coisa?
Ana – Podemos falar a sós?
Di – Sim, anda para o quarto. Eles nem vão dar pela nossa falta. Só o tempo que vão estar a discutir para decidirem quem fica com o Barcelona!
As duas retiram-se para o quarto.
Di – Então, o que é que se passa? Não costumas estar tão tristinha… Muito menos em tempo de Natal.
Ana – Ontem, eu e o Cesc…íamos envolver-nos, só que eu bloqueei.
Di – Bloqueaste? Bloqueaste como assim?
Ana – Não sei. Quando ele ia a desapertar-me as calças, vieram-me um monte de coisas à cabeça e eu fugi.
Di – Que coisas?
Ana – Lembrei-me do Pedro e do Tiago. Dos momentos horríveis que passei com eles.
Di – Falaste com o Cesc sobre isso?
Ana – Achas Adriana? Querias que lhe dissesse o quê? “Olha, Cesc, sabias que enquanto que me tocavas e me despias, eu pensava nos maus momentos em que foram as mãos do Pedro e do Tiago a estarem sobre mim”?
Di – Claro que não. Mas ele deve ter ficado a pensar que tinha feito algo de errado.
Ana – Estou tão frustrada. Nem consigo olhar para a cara dele. E ainda por cima soube que ele e a Carla se envolveram quando ela esteve cá.
Di – É normal. Eles eram namorados, lembras-te?
Ana – Achas que ele ainda pensa nela?
Di – Isso é absurdo, Ana. Não é por terem dormido juntos e vocês não, que ele vai pensar nela! Agora para de pensar parvoíces.
Ana – Ai, estou mesmo a precisar de Natal! E o teu como é que vai ser, agora que tu e o Alexis voltaram?
Di – Vamos juntar toda a família cá em casa.
Ana – Isso é uma excelente ideia.
Di – E tu, sempre vais para Braga?
Ana – Sim, mas afinal só vou dia 24. Preciso de mais um dia aqui por causa de toda a matéria que deixei em atraso quando o Cesc esteve mal.
Di – Tu e a matéria!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nova Fic

Olá a todos !
Nós começamos ontem uma nova fic que gostavamos que lessem e seguissem tão afincamente com o têm feito com esta.
Obrigada e beijocas :D

http://quandoumnadasetransformaemtudo.blogspot.com/

P.S. Não se preocupem que esta continua também :D :D

54 - "Daqui a cinco meses, acertamos contas!"

Cesc recebe uma chamada. Atende, ouve atentamente e despede-se de Ana.
Cesc – Olha, vou embora.
Ana – Já?
Cesc – Sim. Mas jantamos juntos hoje. E não aceito um não!
Ana – Sendo assim aceito!
Os dois riem-se e despedem-se com um beijo.

Quatro horas depois
Adriana recebe uma mensagem.

De: Alexis <3
Para: Adriana

Adriana, vem ter à praça da Catalunha. Por favor, juro não te pedir mais nada. Não faltes. Prometo que não te arrependerás. Beijo.

Di fica branca ao ver a mensagem.
Ana – Adriana, está tudo bem?
Di – O Alexis pediu-me para ir ter com ele à Praça de Catalunha.
Ana – E estás à espera de quê para lá ir?
Di – Achas que devo ir?
Ana – Claro, Adriana!
Di – Vens comigo?
Ana – Claro que vou!
As duas acabam por sair e vão a pé, para a Praça. Quando lá chegam, veem uma multidão, rodeando Alexis. Com muito esforço, Adriana consegue chegar até ele.
Di – Alexis, o que é isto?
Alexis – São velas, flores, fogo-de-artifício e muita gente.
Di – Alexis…
Alexis – Já vais perceber.
Alexis pega num microfone.
Alexis – Um, dois. Um, dois. Obrigado a todos que ficaram curiosos com este aparato. Esta rapariga ao meu lado chama-se Adriana, Adriana Sánchez.
Adriana cora e arrepia-se ao mesmo tempo.
Adriana (pensando para si) – Sánchez…
Alexis – Esta mulher é simplesmente fantástica. Não conseguem imaginar a força, a determinação, a coragem, que tem dentro dela. É a mulher da minha vida. Muitos pensam que foi demasiado rápido como tudo aconteceu. Mas afinal já lá vão cinco meses.
Comentários surgem de todos os lados. “Cinco meses? Cinco meses não são nada”
Alexis – Estou a ver que muita gente não compreende. Façamos assim. Pensem na pessoa mais importante da vossa vida. A vossa mãe, a vossa namorada, o vosso filho. Agora imaginem que essa pessoa vai partir. Não quereriam mais cinco meses para estar com ela?
Um silêncio invade a praça. Alexis prossegue.
Alexis – A Adriana é a pessoa mais importante da minha vida. E eu deixei que os ciúmes nos afastassem. Daqueles ciúmes que todos conhecem. Os que não têm razão de existir. Falhei, deixei-a vulnerável no momento em que ela precisava de mim mais do que nunca. E criei tudo isto que estão a ver à vossa volta, para a tentar reconquistar. Porque não consigo desistir daquilo que me faz sentir vivo, que me faz sorrir, que faz o meu coração bater.
Adriana já estava com as lágrimas a escorrerem-lhe pelos olhos.
Alexis deixa o microfone e concentra-se em Adriana.
Alexis – Adriana, dás-me uma oportunidade de te fazer feliz?
Di – Claro que dou, Alexis. Eu amo-te!
Alexis abraça de imediato Adriana.
Alexis – Obrigado, obrigado, obrigado. Eu juro que os meus estúpidos ciúmes nunca mais nos voltarão a separar. Nunca mais.
Di – Nada. Nada nos irá separar.
Os dois beijam-se, sob uma grande ovação de todos os curiosos que ali tinham parado.
Di – Ai…
Alexis (preocupado) – O que é que foi?
Di – Acho que alguém…especial ficou feliz com a nossa reconciliação… (acariciando a barriga)
Alexis – O que sentiste?
Di – Ele mexeu-se, mas mesmo muito. Conseguiu assustar-me!
Alexis (baixando-se ao nível da barriga de Adriana) – Daqui a cinco meses, acertamos contas!
Di – E agora se saíssemos do meio deste aparato todo? Quero estar contigo, só contigo.
Alexis – Sim, eu também. Vamos.
Alexis e Adriana saem do meio daquela confusão toda e voltam para casa.
Di – Alexis, promete-me que nada nos separará de novo.
Alexis – Eu juro, por ti que és a coisa mais importante da minha vida, que nada nem ninguém nos separará. Nem mesmo os meus estúpidos ciúmes.
Di – Alexis, eu amo-te tanto.
Alexis – Adriana, eu tenho-te amado por mil anos e vou amar-te por outros mil.
Di sorri emocionada. Os dois beijam-se e aproveitam aquela noite. A primeira de todas as outras que ainda estavam para vir.
Entretanto, Ana e Cesc tinham finalmente o seu primeiro jantar.
Cesc – Então que achas?
Ana – De quê?
Cesc – De tudo. Do restaurante, da companhia…
Ana – Gosto do restaurante, amo a companhia. Só tenho pena de não ter tido tempo de trocar de roupa.
Cesc – Para quê? Estás linda.
Ana – E tu és um querido.
Cesc – Olha, queres vir até minha casa?
Ana – Fazer o quê? Visitar o David? (disse, rindo-se)
Cesc – Não. O David foi ter com a família. Podíamos namorar um pouco, sem tanta gente a olhar para nós.
Ana – Sendo assim, aceito.
Os dois seguem para casa de Cesc. Quando lá chegam, Ana fica de olho na decoração da sala, enquanto que Cesc põe uma música mais romântica.
Cesc – A menina dá-me a honra desta dança?
Os dois riem-se.
Ana – Achas que é seguro?
Cesc – Anda lá daí.
Ana faz a vontade a Cesc. Os dois dançam bem agarradinhos. Cesc não resiste a fazer umas cócegas a Ana, sabia que eram um ponto fraco de Ana.
Ana – Cesc, para!
Ana entra no jogo de Cesc. Entre muitas cócegas, surgem uns beijos mais intensos. Ana sabia que o pescoço de Cesc era o seu ponto fraco e por isso provocou-o, beijando-o. Cesc entusiasma-se e os dois acabam por ir parar à cama do espanhol. Os beijos eram cada vez mais intensos, até que Ana começa a tirar-lhe a camisola. Aqueles abdominais faziam-na suspirar. Cesc tirava agora o top que Ana tinha vestido. As mãos quentes de Cesc percorriam o corpo suave de Ana. Quando Cesc se prepara para desapertar as calças de Ana, esta para-o e afasta-o.
Ana – Desculpa, Cesc. Eu não consigo.
Cesc – Desculpa, Ana. A sério. Eu percebo que depois de tudo o que passaste, precises de algum tempo. Eu não me devia ter excedido.
Ana – A culpa não foi tua. Eu provoquei-te.
Cesc – Esquece isso.
Ana – É melhor eu voltar para casa.
Cesc – Não. Ficas aqui. Ana, não precisas de ficar assim.
Cesc aproxima-se de Ana.
Cesc – Vamos com calma, Ana.
Ana – Com tanta calma daqui a um bocado morres de tédio!
Cesc – Ana, eu amo-te! O resto não interessa.
Ana – Cesc, és homem. Tens necessidades.
Cesc ri-se da expressão usada por Ana.
Cesc – Pois, tenho. E amar-te é a maior delas. Agora anda deitar-te. (puxando Ana para a cama)
Ana acaba por ceder.