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terça-feira, 27 de setembro de 2011

6 - "O Passeio e a Promessa"

16 de Agosto
O telefone de Di toca. Di corre para a sala, onde o tinha deixado, na esperança de chegar a tempo de não acordar Alexis, coisa que não aconteceu. Di pede-lhe desculpa e atende.
Di – Sim?
(do outro lado) – Bom dia. Fala o Presidente do Barcelona. Como está, Adriana?
Di – Bom dia! Bem, obrigada e o senhor?
Presidente – Estou ótimo. As fotos que fez com Alexis Sanchéz ficaram fantásticas e já são um sucesso em Espanha.
Di – A sério? Que bom! Fico tão feliz por sabê-lo!
Presidente – Sei que está em Portugal, com dois dos meus atletas. Quando voltarem, quero falar consigo. Quero que assine um contrato connosco.
Di (a gaguejar) – Um, um, um contrato?
Presidente – Sim, queremos que seja a nossa imagem de marca. Porquê não está interessada num contrato?
Di – Claro que sim! Obrigada!
Presidente – Já agora a sua amiga Ana está consigo? Também tenho uma proposta para ela.
Di – A sério?
Presidente – Sim, a sério. Ela tem muito talento e queremo-la a acompanhar a nossa equipa de futebol. Ela está consigo?
Di – Não, não está. Mas pode ligar-lhe. Ela irá ficar radiante!
Presidente – Ok, obrigada. Tenho um bom dia, Adriana.
Di – Obrigada, tenha também um bom dia.
Di desliga o telemóvel e começa aos gritos e aos saltos.
Alexis – Então, o que era?
Di – O Presidente quer que eu assine um contrato! Adoraram as nossas fotos!
Alexis – Que bom!
Di abraça-o.
Di – Vamos vestir-nos. Lisboa é linda e tenho um monte de coisas para mostrar-te.
Alexis – Ok.
Ambos foram vestir-se.
Di tinha uma saia às flores e um top branco, com um blaser rosa e uns saltos rosa. E um sorriso, mais encantador do que habitual. Afinal, ela estava com Alexis e ia assinar um contrato com o Barcelona.
Alexis Sanchéz estava lindo, aliás, como sempre. Tinha um polo azul e umas calças às riscas .

Foram tomar o pequeno-almoço a um bar ao pé do Tejo.
Di – Então? Em Portugal come-se bem… (ri-se)
Alexis – Não me posso queixar. (ri-se) E então quais são os planos para hoje?
Di – Quero levar-te ao Bairro Alto, ao Parque das Nações e claro ao Estádio da Luz!
Alexis – Parece-me ótimo!
Os dois pagam e rumam ao Bairro Alto. Alexis estava maravilhado.
Alexis – Isto é lindo! Faz-me lembrar de algumas ruas do Chile…
Di – A sério? Dizem que Lisboa e Buenos Aires têm coisas em comum, mas o Chile não sabia.
Alexis – Um dia tenho de te levar lá.
Di – Está combinado! Eu não me vou esquecer disso!
Os dois riem-se.
Di – Anda, vamos ao Parque das Nações. É lindo.
Alexis – Agora fiquei curioso.
Di – Vamos a pé, ok? É um bocado longe. Mas quem está de saltos sou eu. (ri-se)
Alexis – Ok,ok.
Os dois vão indo para o Parque das Nações, e no meio de conversa e muitos risos, Alexis dá a mão a Di. A jovem fica corada. Pouco tempo depois, chegam ao seu destino. Alexis fica fascinado.
Alexis – Uau! Não imaginava isto assim…
Di – Sim, isto é lindo.
Os jovens passeiam durante mais de uma hora no Parque, até que Di propõe que almocem.
Di – E se fôssemos almoçar? Quero que descubras a gastronomia portuguesa, que te garanto que não é só pizzas. (ri-se)
Alexis (ri-se) – Vamos a isso!
Os jovens almoçam num restaurante no Parque. Um almoço cheio de conversa, risos e olhares cúmplices…
Di – Então, a nossa gastronomia é boa ou não é boa?
Alexis – É ótima. Não sabia que aqui se comia tão bem.
Di – E agora que já almoçamos vamos até ao sítio mais bonito de Lisboa, o Estádio da Luz. Vamos fazer uma visita.
Alexis – Ok, estou curioso. Mas duvido que supere o que já vi hoje.
Di – Não devias… Vais ficar boquiaberto.
Alexis paga o almoço e os dois apanham um táxi para o Estádio. Quando lá chegam, Alexis olha para aquela infraestrutura imponente e admite que o Estádio é impressionante.
Alexis – Uau, isto é impressionante…
Di – E ainda só o viste por fora… Por dentro, ainda é melhor.
Alexis – Então, vamos a isso!
Os dois vão visitar o Estádio, passam pelos balneários, salas de conferência de imprensa, pela parte referente aos troféus … Mas quando vão ao relvado, Alexis fica completamente maravilhado.
Alexis –Oh Meu Deus! Isto é fantástico! Seguramente, das coisas mais bonitas que já vi em toda a minha vida. E aquela águia o que faz ali?
Di – Aquela águia voa antes dos jogos. Hoje vai fazê-lo. Supostamente, em dia de jogo, não há visitas ao Estádio, mas hoje parece ter havido uma exceção…
Alexis – Hoje há jogo aqui?
Di – Sim, uma pré-eliminatória da Champions.
Alexis – Achas que podemos vir ver o jogo?
Di – Claro é uma excelente ideia. Vou ligar à Ana, para ver se eles vêm para baixo hoje, para também virem ver.
Di liga a Ana. Que não atende. Ana já tinha tido um dia cheio de emoções. E Di nem imaginava…

5 - "O Reencontro"

A viagem já ia longa. Di e Alexis tinham adormecido, bem encostadinhos. Já Cesc e Ana continuavam bem acordados e ainda muito nervosos, por causa do seu quase beijo. Não tinham trocado uma única palavra desde aí. E assim foi até chegarem a Lisboa.
Quando lá chegaram, os quatro saíram do comboio. Di e Alexis despediram-se de Cesc e Ana e foram para casa de Di. E o dois outros jovens foram apanhar o comboio para Braga. Enquanto Cesc e Ana seguiam para Braga, Di e Alexis apanharam um táxi para casa de Di. Quando lá chegaram, Di mostrou-lhe a casa e depois perguntou se Alexis tinha fome.
Di – Estou cheia de fome, e tu?
Alexis – Eu também. As viagens deixam-me esfomeado.
Di – Vou encomendar uma pizza, que achas?
Alexis – Para mim, está ótimo.
Di ligou a pedir uma pizza, que chegou em quinze minutos. Os jovens  jantaram e decidiram ver uma comédia romântica. Di acabou por adormecer a meio do filme, encostada a Alexis. O jovem, por muito que não quisesse, acordou Di, para a aconselhar a ir para a cama.
Alexis (tocando em Di) – Di, acorda.
Di acorda.
Di – Sim, que foi?
Alexis – É melhor ires para a cama.
Di – E tu?
Alexis – Eu fico aqui no sofá, não te preocupes.
Alexis pega em Di ao colo e leva-a para a cama, dá-lhe um beijo na testa e volta para a sala. Di fica nas nuvens.
Já em Braga, Ana e Cesc acabam de chegar à cidade e apanham um táxi para casa dos pais de Ana. Os dois continuavam sem se falar. Quando lá chegam, Ana toca à campainha. Foi a mãe de Ana a abrir a porta.
Mãe de Ana – Filha!
As duas se abraçam e vêm-lhes as lágrimas aos olhos.
Mãe de Ana – Tínhamos tantas saudades tuas. Onde estiveste?
Ana – Desculpa, mãe. Desculpa.
Mãe de Ana – Entrem, explicas-me tudo lá dentro.
Os dois entram e sentam-se no sofá.
Mãe de Ana – Então, é o teu namorado?
Os dois respondem ao mesmo tempo.
Ana – Não!
Cesc – Sim!
A mãe de Ana fica baralhada e pede que lhe expliquem o que está a acontecer. Cesc toma a palavra.
Cesc – Sim, namoramos. Mas ainda não tínhamos assumido a nossa relação, porque…
O pai de Ana chega a casa e interrompe Cesc.
Pai de Ana – Filha!
E abraça Ana.
Ana – Pai, tinha tantas saudades tuas.
Mãe de Ana – Ainda bem que chegaste! A nossa filha veio visitar-nos com o namorado.
O pai de Ana olha para Cesc e repara que ele é o jogador do Barcelona.
Pai de Ana – Tu namoras com o Cesc Fábregas?
Ana – Pois… Acontecem destas coisas.
Pai de Ana – Porque estiveste tanto tempo fora?
Ana – Pois. Eu tenho muita coisa para vos explicar… Lembram-se do Pedro? Aquele rapaz com quem eu namorava há dois anos? Aquele de que não gostavam…
Mãe de Ana – Sim, querida. Desculpa. Não, nos devíamos ter metido. Mas…
Ana – Eu ia fugir com ele. Mas, no dia antes, apanhei-o a trair-me. Fiquei desesperada e fugi para Barcelona. Fui viver com a Di.
Mãe da Ana – Filha, lamento tanto. Mas tu conseguiste refazer a tua vida. Nem tudo foi mau. E continuaste os estudos, lá?
Ana – Sim, acabei o secundário e pelo meio tirei um curso de primeiros socorros e iniciação à medicina. Como tive uma boa média e tinha o bichinho da medicina dentro de mim, a Di convenceu-me a candidatar-me a algumas universidades. Queria entrar numa universidade em Barcelona, que é das melhores do Mundo, mas é quase impossível. A maioria entra com cunhas e assim. Entretanto, também trabalho como fotógrafa. E pronto é tudo.
Mãe da Ana – Medicina? Fotografia? Filha, eu apoio-te em tudo! Ver-te, dois anos depois, já foi tão bom. Quanto tempo vão cá ficar?
Ana fica pensativa, por isso, é Cesc a tomar a palavra.
Cesc – Vamos embora depois de amanhã.
Ana – Não. Eu vou voltar para Portugal.
Mãe de Ana – A sério?
Ana – Sim. Só se entrar na universidade que quero. Porque senão eu volto, imediatamente.
A mãe de Ana abraça-a novamente.
Mãe de Ana – Que bom! Ficaria tão feliz. Mas desde que agora nos vejamos mais vezes, podes ficar em Barcelona. Tens lá tudo. A Di, a universidade, o namorado… Mas pronto, tu é que sabes. Vão mas é comer alguma coisa e depois vão deitar-se. Podem dormir juntos, mas quero a porta aberta. Isto é uma casa de respeito (ri-se)
Ana – Mãe!
Mãe de Ana – Vão lá.
Ana e Cesc foram à cozinha comer alguma coisa. Cesc estava completamente perdido. Ana era uma caixinha de segredos que se tinha aberto: Ana tinha sido traída; Ana queria tirar medicina; Ana queria voltar para Portugal.
O jovem estava completamente baralhado. Ao chegarem ao quarto, Ana fecha a porta e dá uma estalada a Cesc.
Cesc – Ei! Para que foi isto?
Ana – Como é que foste dizer à minha mãe que namorávamos?
Cesc – Querias o quê? Que ela pensasse que ainda estavas agarrada ao teu ex e que só estavas cá para voltar para ele? E como é que tu estás a pensar voltar para cá?
Ana – Não tens nada a ver com isso. A vida é…
Alguém bate à porta. Ana vai lá.
Mãe de Ana – Eu disse que queria a porta aberta.
Ana – Mãe, nós estávamos a conversar.
Mãe de Ana – Pois, pois. O teu irmão é muito pequeno. Não quero abusos cá em casa.
Ana – Mãe! Que raio de conversa é esta? Vamos mas é dormir.
Ana dá um beijo à mãe e vai à casa-de-banho preparar-se para se deitar. Quando volta para o quarto, Cesc volta perder-se no corpo delineado de Ana.
Ana – Olha, tu vais parar de me olhar assim quando eu estou de pijama, senão eu juro que te bato outra vez!
Cesc – Desculpa, eu não queria incomodar-te.
Ana – Pois, mas estás a incomodar-me. Nem cá devias estar! Mas pronto, vamos deitar-nos. Só mais uma coisa: quero-te numa ponta da cama e eu noutra, se me tocas com um único dedo eu passo-me.
Cesc – Ok, ok. Eu não sou nenhum tarado!
Ana – Nunca fiando!
Os dois deitam-se.
Cesc – Boa noite!
Ana – Pois, isso…
Ana só já pensava no dia seguinte, onde teria de enfrentar Pedro, o ex-namorado.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

4 - "O Sonho"

14 de Agosto
Os olhos de Di eram ainda mais brilhantes ao perto. Alexis estava completamente perdido neles. Os seus lábios aproximavam-se cada vez mais. Até que…o telemóvel de Di toca. A jovem atende de imediato, era para Ana, da estrutura diretiva do Barça.
Di – Ana, é para ti. É o presidente.
Ana – Para mim?
Di – Sim, tens o telemóvel desligado. E ele precisa de falar contigo.
Ana (ao telefone) – Sim?
Presidente – Boa noite, espero não a estar a incomodar nem a interromper nada.
- Claro que interrompeu! (pensa Ana para si) mas obviamente responde: - Não, claro que não interrompeu nada. Posso ajudá-lo em alguma coisa?
Presidente – Gostava de saber se correu tudo bem com a sessão.
Ana – Correu muito bem. (sobe no tom de voz) Os modelos tinham uma química incrível, foram feitos para fotografar juntos.
Presidente – Ainda bem. Então tenha uma boa noite.
Ana – Boa noite.(Ana desliga o telemóvel)
Ana – Então? Vamos ou não vamos jantar?
Di – Sim, é melhor.
Di e Alexis não paravam de sorrir um para o outro. Já Ana fugia do olhar encantado de Cesc, que lhe volta a fazer um curativo e se apercebe que a ferida é bem pior do que parecia. Volta a pedir à rapariga que não esforce o pé e diz-lhe que no dia seguinte a levará a um médico. O tempo vai passando, até que os dois jovens resolvem voltar a casa. Di despede-se de Cesc com dois beijos, que o jovem desejava que fossem de Ana que simplesmente lhes tinha dito um “Adeus!”. Já Alexis despediu-se com um intenso beijo na face de Di.
Di fecha a porta e suspira.
Ana – Ainda dizes que não estás apaixonada… Mentir é feio, minha menina!
Di (ri-se) – Vamos mas é deitar-nos.
Ambas se deitam. Mas a meia da noite, Ana acorda aflita e acaba por acordar Di sem querer.
Di (preocupada) – Ana, estás bem? Que se passa?
Ana (a gaguejar, aflita) – Eu, amanhã, vou a Portugal. Tenho de enfrentar o Pedro e ver os meus pais. Isto está-me a matar por dentro.
Di – Não te preocupes, eu vou contigo. Eu vou-te buscar um copo de água.
Ana bebe-o e as jovens voltam para cama.



15 de Agosto

A campainha toca. Ana acorda e apercebe-se que Di está no banho. Levanta-se e vai a mancar até à porta, julgando que era uma amiga delas. Estava com um top e umas cuecas, e completamente despenteada.













Abre a porta e para seu espanto, vê Cesc, que fica completamente perdido nas curvas e na pele morena da jovem fotógrafa.
Ana (a gritar) – Estás a olhar para onde?
Cesc (atrapalhado) – Desculpa, desculpa. Eu não queria…quer dizer queria mas não queria… Vim para te levar ao centro de saúde.
Ana – Pois. Dá-me dois minutos para eu me vestir.
Cesc – Claro…
Ana dirige-se ao quarto, veste uma saia preta e uma camisola cinza e despede-se de Di.














Ao chegar a sala, só com um salto calçado, Cesc repara que o curativo está bastante manchado de sangue e pega em Ana ao colo, contra sua vontade. Chegam ao hospital e Ana leva 4 pontos no pé e é-lhe recomendado repouso. Cesc leva-a a casa. Se na viagem inversa, Cesc tinha ouvido a voz de Ana, nem que fosse a mostrar a sua insatisfação pelo jovem a ter pegado ao colo, agora Ana estava muito calada e pensativa. Cesc dava tudo para saber no que a jovem pensava. Chegam a casa de Ana, ela sai disparada do carro, entra em casa.
Ana – Di, vou comprar os bilhetes de comboio. Eu vou hoje mesmo a Portugal.
Di tinha acabado de receber Alexis, que ficou um pouco confuso.
Di – Claro, eu vou contigo. Aproveito e visito os meus pais.
Ana – Alexis, podias vir connosco. Fazias companhia à Di.
Alexis – Adorava conhecer Portugal (sorrindo para Di)
Di – Cesc, e tu? Também podias vir. Assim fazias companhia à Ana quando ela fosse ao Norte e vigiavas o pé dela.
Cesc – Gostava muito.
Ana – O meu pé não precisa de nenhum vigilante, obrigada.
Di – Ana! Não sejas assim. O Cesc só quer ajudar.
Alexis – Pois, se o Cesc não for, eu não posso ir. Ele ainda chegou cá há dois dias, não o quero deixar sozinho.
Di – Pois, se calhar fica para uma próxima, não faz m…
Ana – Não! Vamos os quatro. Se não me engano, o próximo comboio é daqui a três horas. Encontrámo-nos aqui, daqui a duas horas e depois vamos todos para lá, que acham?
Cesc – Por mim, tudo bem.
Alexis – Por mim não há problema nenhum.
Os jovens despedem-se e vão a casa fazer as malas.
Di – Que te passou pela cabeça para o convidares?
Ana – Di, vocês são feitos um para o outro. Além disso, não quero ir a Braga e deixar-te sozinha. Aqui a questão é: porque convidaste o Cesc?
Di – Porque não quero que vás sozinha. O Pedro não é de confiança.
Ana – Eu não preciso de nenhum paizinho!
Di – Ana, pára! Achas mesmo que o Pedro vai admitir e deixar-te ir?! Claro que não. Vai manipular-te e depois vai magoar-te e o Cesc vai lá estar para te proteger. Agora vamos acabar com a conversa e fazer as malas.
Ana – Ok, ok.
As duas foram fazer as suas malas, sem mais discussões. Quando os rapazes chegaram, já estavam prontas e já tinham comido alguma coisa. Foram para a estação, no carro de Cesc e quando lá chegaram, Ana encarregou-se de comprar os bilhetes. O comboio partia dentro de 10 minutos. Eram os últimos quatro bilhetes. Quando chegaram ao comboio, Ana que foi a primeira a entrar, seguida de Cesc, percebeu que só havia dois pares de bancos, sentou-se e puxou Cesc, bruscamente, para a sua beira, para que Di e Alexis ficassem juntos, o que acabou por acontecer. Mas nem tudo correu como Ana planeara, pois, ao puxar Cesc, os dois ficaram muito próximos e o rapaz começou a acariciar-lhe a face. Ana aproximou-se mais de Cesc, naquele momento a única coisa que tinha na cabeça eram os lábios dele. A tensão crescia e os dois estavam cada vez mais perto de se beijarem. Até que os seus lábios se tocam e Ana afasta-se, pedindo desculpa. Ana nunca mais tinha beijado ninguém desde que tinha fugido de Portugal e aquele “quase beijo” tinha trazido muitas recordações.
Enquanto isso, Di e Alexis, iam-se conhecendo cada vez melhor, até que Alexis não se conteve e não mentiu mais a Di, quando ela lhe perguntava qual o sonho que ele achava que estava mais ao seu alcance.
Alexis – Tu. Tu és o sonho que eu acho sempre que tenho mais ao meu alcance. Mas tu foges. Desde que te vi naquela sessão, que não durmo a pensar nos teus olhos e em tudo o que dava para ter um beijo teu.
Di (nervosa) – Desculpa. Eu não costumo ser assim. Mas desta vez é diferente e eu não me quero magoar. Eu nunca senti algo assim. Mas tu és jogador de futebol e eu modelo, e eu sei perfeitamente que estes empregos podem implicar a mudança de país repentinamente. E eu não sei se aguentaria isso. Desculpa. Podemos ir com mais calma?
Alexis – Claro. Eu percebo-te. Eu também não sei como reagiria se tivesse de me afastar de ti. Vamos com calma. Vamos conhecer-nos melhor. Mas eu não vou desistir de ti, podes apostar que não.
Di sorri e encosta a cabeça ao ombro de Alexis. A jovem está na lua, depois de ouvir as palavras do rapaz. Nunca ninguém lhe tinha dito algo assim. Ela não tinha medo de arriscar…

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

3 - "O Jantar"

14 de Agosto
Ana sai do banho e experimenta o vestido que Di lhe tinha comprado. Era lindo. Ana tinha trocado as calças de ganga e o top com que tinha ido à sessão por um vestido curto, justo em vermelho bordeaux, com uns saltos pretos. Menos deslumbrante não estava Di. Adriana estava verdadeiramente bonita, perfeita. Um vestido curto, preto e rosa e uns saltos altos pretos. Maquilhagem escura a fazerem-se notar os seus olhos lindos.

Ana
Adriana















Ana – Di estás linda! E exageraste no vestido que me compraste!
Di – Não exagerei nada, estamos lindas!
Ana – Olha dá um jeito à sala que eu vou pôr a mesa, ok?
Di – Ok.
Toca a campainha.
Di – Ana vai lá.
Ana – Desculpa? Não é a mim que ele vem ver (ri-se). Vai lá. Eu vou buscar os copos.
Di arranja o cabelo e abre a porta. Alexis saúda-a logo com dois beijos, que fazem Di ficar nervosa.
Alexis – Olá! Este é o meu amigo, Cesc. Ele chegou hoje. (Di cumprimenta Cesc). Podemos entrar?
Di (distraída) - Não. Quer dizer sim, claro! Entrem!
Eles entram e Ana aparece, vê Cesc e fica branca. Deixa cair os copos e acaba por cortar-se num pé. Cesc, aflito, corre até ela.
Cesc – Estás bem? (tocando-lhe no pé para tentar ver a gravidade do ferimento)
Ana – Deixe-me (afastando o pé). Eu sei tratar disto. Não preciso da sua ajuda.
E corre para a casa de banho. Cesc tentou ir atrás dela mas Di percebeu logo que ele era o rapaz que tinha “atropelado” Ana e que a tinha feito apaixonar-se: - Eu vou lá. Fica aqui. Estejam à vontade.
Cesc – Quando souberes alguma coisa diz-me, por favor.
Quando Di chegou à casa de banho, Ana estava a chorar.
Di – Amor, não fiques assim. Tu não o conheces. Ele parece tão boa pessoa. Ele preocupou-se tanto. Ele queria vir até aqui e tudo. Ele não é como o Pedro.
Ana – Eu estou farta! Não era isto que eu queria! Eu não o quero na minha vida! Di, já passaram dezenas de rapazes na minha vida nestes últimos dois anos e eu não me senti assim. Porquê agora?
Di – Ana, tu tens de ir a Portugal, resolver tudo! Os teus pais não te veem há dois anos, porque decidiste fugir depois da traição do Pedro. Tens de ir lá, ver os teus pais e enfrentar o Pedro. Dizer-lhe que viste tudo, que acabou.
Ana abana com a cabeça, dizendo que ela tem razão.
Di – Vá, já estragaste a maquilhagem toda. Deixa-me ajudar-te.
Ana – Não é preciso. Eu tiro-a toda. Se formos sair, eu volto a maquilhar-me. Vai fazer companhia aos rapazes.
Di – Ficas bem?
Ana – Claro!
Di volta para a sala e percebe que Cesc não está lá e que está sozinha com Alexis, que lhe sorri.
Di – Onde está o Cesc?
Alexis – Foi lá fora apanhar lá fora, ele volta já.
Di – Então eu vou à cozinha ver o jantar.
Alexis (agarrando Di pela mão) – Não vás. Fica aqui a fazer-me companhia. Fala-me de ti.
Di olhava fixamente para as mãos dadas dos dois jovens, que se sentam no sofá.
Di – Então, como já sabes chamo-me Adriana mas todos me tratam por Di. Tenho 17 anos, sou modelo fotográfico e estudo jornalismo. Gosto muito de futebol, portanto já conhecia a tua cara antes de nos conhecermos. Não sou espanhola, sou portuguesa. E como boa portuguesa que sou, sou benfiquista. E tu?
Alexis – Pois, eu tenho 22 anos. Sou chileno e estou a tentar singrar no Barça. Há muito e boa concorrência mas tive a oportunidade e agora agarrá-la! Tu disseste Benfica? Aquele em que jogou o Eusébio?
Di (rindo-se) – Sim. Esse Benfica. Mas não foi só o Eusébio que fez história no Benfica.
Alexis – Pois, imagino. Mas ele esteve na equipa que foi bicampeã do Mundo, certo?
Di – Sim, certo. Sabes muito do Benfica…
Alexis – Pois, é um nome bastante conhecido no mundo.
Durante esta conversa, Cesc volta para casa e vai ter com Ana à casa de banho, que tentava tratar da ferida, ainda com o pé dentro do sapato.
Cesc – Deixa-me ver.
Cesc retira o sapato, com muito jeito para tentar não magoar Ana e começa a limpar a ferida, com água.
Ana – Obrigada. Não era preciso a sua ajuda, Francesc. Eu arranjava-me.
Cesc – Trata-me por tu e por Cesc, ok? Afinal não devo ser assim tao velho em relação a ti.
Ana – Pois, não. (sorrindo-lhe)
Cesc – Já esperava por esse sorriso há muito.
Ana (nervosa) – Ok, já está bom.
Cesc – Eu, amanhã, levo-te ao centro de saúde, por precaução. Tenta não te apoiar no pé, ok?
Ana – Eu apanho um táxi, não te preocupes.
Cesc – É para tentar compensar-te pelo que aconteceu hoje. E como sei que o dinheiro não paga tudo…
Ana – Desculpa. Eu não devia ter sido tão arrogante. Foi um acidente.
Os dois voltam para a sala. Ana apoiava-se em Cesc para não esforçar o pé.
Ana – Meninos, vamos jantar?
Di – Claro, foi para isso que vieram! (ri-se)
O telemóvel de Di cai e a jovem e Alexis, baixam-se para apanhar o telemóvel e por momentos param, olhando-se fixamente, com os rostos quase a tocar-se.

2 – "Uma volta de 180 graus"

14 de Agosto
Ana – Di, despacha-te!!! Eu ainda tenho de preparar o estúdio!
Di – Ok, ok. Já cá estou! Vamos?
Ana – A menina está deslumbrante… Di esta é a nossa oportunidade, pode ser a rampa de lançamento para as nossas carreiras…
Por momentos, a sala fica completamente silenciosa. As duas refletiam na frase que Ana acabara de dizer.
Ana – Ok, chega. Vamos lá. Ainda tenho estúdio para arranjar e o meu modelo para conhecer. Espero que tenham boa química.
Di sorri, curiosa.
Em quinze minutos, estavam no estúdio. Ana preparava o estúdio, enquanto Di se preparava, quando chegou o modelo que contracenaria com Di, Alexis Sanchéz

Ana aproxima-se e cumprimenta-o: Olá! Eu sou a fotógrafa que vai realizar a sessão. Tu deves ser o meu modelo… Alexis Sanchéz se a minha memória fotográfica não me falha.
Alexis – Sim, sou eu mesmo. Achas que a sessão vai demorar muito? Tenho treino daqui a umas horas e não queria faltar.
Ana – Claro, percebo perfeitamente. Não te preocupes. A modelo é fantástica e se houver uma boa energia entre vocês, a sessão vai ser muito rápida.
Ana acaba de dizer isto, quando Di chega, sempre com o seu sorriso nos lábios. Alexis fica completamente focado nela e sorri-lhe. Di cora e treme da cabeça aos pés e retribui-lhe o sorriso.
Ana vai ao pé de Di e sussurra-lhe: E se começássemos? Tenta não o comer com os olhos. Ele não é nenhum chocolate…
Di – Ana!
Ana – Ok, vou só preparar a máquina. Dentro de dois minutos começamos!
Alexis saúda Di.
Alexis – Olá! Sou o Alexis.
Di – Eu sou a Adriana, mas podes tratar-me por Di.
Ambos sorriem de forma cúmplice. Só Ana interrompe esse sorriso: - Então, vamos começar?
Alexis – Claro!
Ao longo da sessão, Di e Alexis vão-se soltando e a sua química natural vem ao de cima. Ana adora aquela energia que confirma a sua teoria: aqueles dois estão completamente apaixonados.
Por isso, no fim da sessão decide dar um empurrão àquele clima.
Ana – Então Alexis, que achas de vires jantar lá a casa hoje?
Di fica envergonhada e corada, pela iniciativa de Ana ser tão repentina.
Alexis – Eu tinha um jantar com um amigo.
Ana – Se for por isso, ele também pode vir, não há problema.
Alexis aceita de imediato e despede-se de Di com um beijo na face. Di arrepia-se toda e fica completamente nas nuvens.
Ana – Ai o amor é lindo…
Di desperta do seu estado lunático e repreende logo Ana: - Estás parva? Convidaste-o para jantar connosco!
Ana – Pois convidei! A vossa química é impressionante! Eu vou indo para casa, para ver as fotos. Tu podias ir ao supermercado buscar alguma coisa para se fazer para o jantar. Aproveitas, passas no shopping e compras um vestido bem sedutor para o Alexis ficar completamente babado.
Di – Ana! Eu vou passar pelo supermercado e pelo shopping e sim vou comprar um vestido. Mas não é para seduzir o Alexis. Ele deve ter namorada.
Ana – Claro… Se tivesse namorada não te dava aquele beijo que te deixou a suspirar…
Di – Eu não fiquei a suspirar, eu (…)
Ana dá um beijo a Di e vai-se embora.
Estava nos corredores do edifício, quando de repente é “atropelada” por um rapaz, que a faz cair e largar a máquina. Era o novo reforço do Barça, Francesc Fábregas. O jovem muito assustado, ajoelha-se junto à rapariga.
Cesc – Estás bem? Desculpa não te vi.
O clima amoroso é imediato. Cesc não tira os olhos de Ana, que se sente incomodada. Pois sente-se imediatamente atraída pelo jovem, mas más experiências passadas levam-na a usar a antipatia e arrogância para se defender:
- Acha que estou bem?! Partiu-me a máquina e atirou-me para o chão!
Cesc – Desculpa, dói-te alguma coisa? Posso levar-te ao hospital e quanto à máquina eu pago-te uma nova.
Ana – Vedetas! Para senhores como você o dinheiro paga tudo. Não quero o seu dinheiro para nada!
Ana levanta-se rapidamente e sai dali a correr. Chega a casa muito perturbada e resolve ir à praia, dar uns mergulhos para refrescar as ideias. Chega a casa completamente encharcada. Di já em casa, fica muito preocupada ao ver a amiga naquele estado.
Di – Ana que se passou? Estás bem?
Ana – Estou. Eu tenho de ir descontrair um pouco. Vou para o quarto.
Di sabia que Ana iria pôr música bem alta e dançar até não poder mais. Tal facto só acontecia quando havia um rapaz por perto. Portanto foi logo falar com a amiga.
Di – Ana, diz-me. Onde o conheceste?
Ana (sabendo que não conseguia enganar Di, desabafou) – À saída do estúdio. Chocámos e caímos. Ele foi um querido mas eu afastei-o.
Di – Nem todos os rapazes te vão trair como o Pedro fez.
Ana – Eu vim para Barcelona para me concentrar na fotografia e afastar os rapazes de uma vez por todas. Vou tomar um banho e vestir qualquer coisa.
Di – Ok. Também trouxe um vestido para ti, espero que gostes.
Ana – Obrigada, Di. Eu vou tomar banho.
Ana dirigia-se para a casa de banho quando Di a agarrou pelo braço e lhe disse:
- Não podes fugir mais. Tens de ir a Portugal acabar de uma vez por todas com o Pedro. Tens de fechar essa página da tua vida. Ela está a atormentar-te.
Ana acena com a cabeça em sinal de consentimento e vai tomar o banho.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

1 - O Ínicio de Uma Nova Vida

13 de Agosto
É mais um bonito dia de verão em Barcelona. Estão 28 graus, Di desafia Ana a irem até à praia:
Di - amor, que achas de irmos a praia?
Ana - Pois... Eu hoje gostava que me ajudasses numa coisinha...
Di - Ui...Até tenho medo ( ri-se). Diz lá.
Ana - Hoje queria fotografar-te vestida com as cores do Barça. Eu passei a noite toda num estúdio e consegui torná-lo perfeito. Por favor, Di. Estou tão entusiasmada! Já estou de pé desde as 7 da manhã à espera que acordasses só para te pedir isto. Eu quero mostrar o lado feminino do futebol e…
(Di interrompe) – Ok ok convenceste-me! Vamos a isso! Então, são 9 da manhã vamos vestir-nos, tomar o nosso pequeno-almoço a uma esplanada ao pé da praia, depois vamos para o estúdio e depois vamos almoçar ao shopping, que achas?
Ana (entusiasmada por Di ter aceite) – Acho óptimo!
Ana estava com um vestido curto, um fio e uma pulseira prateadas e uns saltos altos roxos.
Apesar de simples e prática era vaidosa e gostava de cuidar de si.
Adriana também tinha um vestido curto beje, uns saltos altos com flores azuis e um anel.
                                                                                                                         

Ana

Adriana











Chegaram ao bar, pediram alguma coisa e foram sentar-se numa mesa. Ana estava distraída. Di já a conhecia e percebia que ela estava em pulgas e cheia de ideias a fervilhar-lhe na cabeça. Apesar de adorar tomar o pequeno-almoço calmamente, vendo o mar, Di percebia o entusiasmo da amiga e por isso comeu rapidamente, pagaram e foram para o estúdio.
Quando lá chegaram, Di ficou boquiaberta. Ana tinha feito um trabalho espectacular. O estúdio estava feminino mas forte, sofisticado mas acolhedor. Era a posição da mulher no futebol. A jovem tinha percebido finalmente o entusiasmo da amiga.
A sessão durou três horas. Di estava mais bonita do que nunca. A jovem adorava futebol e defendia muito a posição da mulher no futebol. Ela já tinha sofrido na pele o machismo futebolístico, quando se candidatou a estagiar numa redacção de um jornal desportivo e ter sido despedida após o seu chefe ter ficado a saber que a pessoa que lhe tinha enviado aquele processo com aquelas médias extraordinárias era uma mulher.
No fim da sessão, foram almoçar ao shopping como combinado, mas em vez de passarem a tarde às compras, o entusiasmo era tanto que foram para casa escolher as fotos e publica-las na sua página. Di e Ana tinham criado uma página para publicarem todas as fotos das suas sessões. A página tinha muito sucesso, mas esta sessão tinha feito disparar as visitas e comentários.
Já eram dez da noite quando foram jantar e sair para dançar.
14 de Agosto
(telemóvel toca)
Ana – Di é o teu! Vai lá!
Di (atende o telemóvel) – Estou sim?
(do outro lado) – Estou a falar com a Adriana?
Di – Sim, está. Quem fala?
(do outro lado) – Daqui é Sandro Rosell, presidente do Barcelona. Vi várias fotos suas numa página da Internet e gostaria de convidá-la para fotografar com um jogador do Clube, para uma campanha de pré-época.
(Di sai de casa ainda em pijama para não incomodar Ana, já a tremer de entusiasmo)
Di – Eu adoraria aceitar mas teria uma condição: a fotógrafa seria a minha amiga Ana. Ela é uma excelente fotógrafa, já temos muita confiança e todas as fotos que viu têm a dedicação dela.
(do outro lado) – Claro! Vê-se que a fotógrafa tem muita qualidade e teríamos todo o gosto em trabalhar com ela. Portanto, vou ligar-lhe já agora. Quanto a si a sessão está marcada para hoje às 15h. Muito obrigada.
Di desliga o telemóvel e corre para contar a novidade a Ana, mas a jovem já está a ser contactada por Sandro Rosell. Ana estava no sétimo céu. Correu a abraçar Di e agradeceu-lhe pois o presidente do Barcelona confessou-lhe que Di tinha sido determinante na proposta a Ana.
Ana e Di foram então preparar-se para a sessão. Nem sabiam o quão inesquecível seria aquela tarde…