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terça-feira, 25 de outubro de 2011

23 - "Acho que adiamos uma coisa, que era suposto ser ontem, aqui, às 23h…"

Dia seguinte
Ana levanta-se, veste-se, toma o pequeno-almoço e ultima o preparativo das malas.

Entretanto, Adriana acorda.
Ana – Bom dia.
Di – Não é assim tão bom…
Ana – Di, não tornes as coisas mais complicadas.
Di – Ana, fica. Por favor.
Ana – Amor, sempre que precisares eu venho imediatamente para aqui. Ainda por cima agora tu e o Alexis vão começar uma fase nova.
Di – Sem ti… Eu não estou habituada a estar sem ti. Vivemos juntas há dois anos. Sempre estiveste aqui. Sempre pude estar contigo. E agora…vais para Lisboa.
Ana – Desculpa. Mas é o meu destino. Eu tenho de construir a minha vida.
Di – E porque não aqui?
Ana – Porque o Cesc…porque o Cesc deixa-me completamente desnorteada.
Di – Isso é amor, Ana!
Ana – Eu não me posso voltar a magoar, nem magoar o Cesc. (olha para o relógio) Di, tenho de ir. Vou apanhar um táxi.
Di – Eu vou…
Tocam à campainha, interrompendo Adriana.
Di – Eu vou lá.
Ana – Ok, eu vou ao quarto, ver se não me esqueci de nada.
Adriana abre, era Cesc.
Di – Cesc?
Cesc – Onde está a Ana? Já foi embora? (aflito)
Di – Não, ela…
Ana aparece.
Ana – Cesc? Que estás a fazer aqui?
Cesc – Podemos falar?
Ana – Não, Cesc. Eu tenho de ir. Desculpa.
Cesc não continha as lágrimas. Entretanto, tocam novamente à campainha. Era o carteiro.
Ana – Bom dia.
Carteiro – Bom dia. Tem aqui a sua correspondência. Tenha um bom dia.
Ana – Obrigada.
Ana fecha a porta.
Ana (vendo os envelopes) – Contas, contas, contas, universidade?
Ana abre a carta rapidamente e começa a ler a carta.
Ana – Eu…eu…eu entrei! Eu entrei! Eu entrei!
Di – Isso quer dizer que vais ficar…
Ana – Claro!
Di corre a abraçar Ana e Cesc suspira de alívio.
Di – Acho que me vou vestir.
Ana – Pois, se calhar é melhor. É que tu sabes que crias nos homens desejos espontâneos, e trair o Alexis com o melhor amigo, seria muito mau…
Di – Ana! (sussurrando) Duvido que fosse mau… De certeza que vais aproveitar…
Ana – Di! Vai lá vestir-te.
Di sai.
Ana – E tu? Queres comer alguma coisa?
Cesc – Ainda bem que ficaste.
Ana – Pois. Cesc, eu tenho de te pedir uma coisa…
Cesc – Tudo o que quiseres.
Ana – Dá-me espaço. Sinto que a nossa amizade é demasiada próxima.
Cesc – E não queres que isso aconteça…
Ana – Cesc, já falamos sobre isso. Eu não fui feita para amar, nem para ser amada.
Cesc – Ana, tu estás traumatizada. Devias procurar ajuda.
Ana – Eu estou bem.
Tocam à campainha.
Ana – Isto hoje está concorrido…
Cesc – Eu vou lá.
Era Alexis.
Alexis – A Ana já foi? Adormeci… e tu não me chamaste!
Ana – Não, Alexis, ainda estou aqui. Mas estou mesmo de saída.
Alexis – Boa sorte. E volta!
Ana – E tu trata bem da minha Di.
Alexis – Claro que trato.
Ana e Cesc não aguentam e desatam a rir.
Alexis – Qual é a piada?!
Ana – Eu não vou embora. Eu entrei na universidade e decidi ficar.
Alexis abraça Ana.
Ana – Uau… não sabia que gostavas tanto de mim (rindo-se)
Alexis – A Adriana ia sentir muito a tua falta e não íamos conseguir assentar a nossa vida. Por falar na minha miúda, onde é que ela anda?
Ana – Está no quarto.
Alexis – Ok, então eu vou lá ter. Até já.
Di tinha acabado de sair do banho e estava apenas com uma toalha. Alexis avança lentamente para ela e surpreende-a com um beijo no pescoço.
Di – Alexis!
Alexis – Bom dia.
Di – Sim, boa dia.
Alexis – Acho que adiamos uma coisa, que era suposto ser ontem, aqui, às 23h…
Di – Hum...talvez, talvez.
Enquanto que Di e Alexis acertavam contas, Ana e Cesc conversavam tranquilamente. Cesc tinha-se sentado no sofá e Ana tinha-se deitado, com a cabeça sobre as suas pernas.
Ana – Tenho tanto sono…
Cesc – Não dormiste?
Ana – Praticamente nada.
Cesc – Porquê?
Ana – Não me saías da cabeça.
Cesc – O quê?
Ana – Esquece o que eu disse.
Cesc – Fala, por favor.
Ana – Não me saías da cabeça. Quando dormimos juntos… Desde que…que…que se passou tudo aquilo com o Pedro, eu nunca tinha conseguido dormir assim. Tu deste-me uma sensação de proteção…de segurança.
Cesc – Eu posso proteger-te sempre.
Ana – Eu não posso…
Cesc – Porque não? Eu amo-te tanto! E sei que também me amas!
Ana – Não, eu não posso. Eu não posso arriscar neste momento.
Cesc – Eu juro fazer-te feliz.
Ana – Eu preciso de um amigo. E só de um amigo.
Cesc – Ok, ok. Eu respeito. Tens aqui um amigo.
Ana – Obrigada, Cesc, obrigada…
Cesc – Agora, dorme. Estás a precisar. Estás com umas olheiras enormes…
Ana – Parvo!
Já Di e Alexis, agora com as contas já acertadas…, falavam sobre os seus planos para uma vida a dois.
Alexis – E agora?
Di – E agora? E agora o quê? Já acertamos contas…
Alexis – Tu sabes que não é disso que eu estava a falar. Estou a falar de vivermos juntos. Agora que a Ana decidiu ficar, como ficam os nossos planos?
Di – Ficam na mesma. Vamos viver juntos.
Alexis – Eu estive a pensar e se vendêssemos as nossas casas e comprássemos outras duas?
Di – Explica-te melhor.
Alexis – Vendemos as casas que temos e compramos duas: uma ao pé da outra. E nós vivemos numa, e o Cesc e a Ana noutra. Assim vivemos perto mas com a nossa privacidade.
Di – A Ana e o Cesc a viver juntos? Não estou bem a ver isso…
Alexis – O que custa tentar?
Di – Hum…gosto desse teu espírito.
Alexis – E eu gosto da tua simpatia, da tua inteligência, da tua beleza…
Di – Alexis, para. Vais fazer-me corar.
Alexis – Da tua força, da tua coragem, da tua determinação…
Di – Alexis, estou a ficar envergonhada.
Alexis – Já te disse que ficas ainda mais bonita envergonhada?
Di – Alexis! (olhando para o relógio) Já é tão tarde…
Alexis (olhando para o relógio) – O quê? Já? Tenho treino! Já estou atrasado!
Alexis sai disparado da cama, veste-se, dá um beijo a Di e dirige-se para a sala.
Alexis – Cesc, vamos! Temos treino!
Cesc – Shiuu! A Ana está a dormir. Não dei pelas horas passarem.
Cesc levanta-se lentamente para não acordar Ana, dá-lhe um beijo na testa e os dois saem apressados.

domingo, 23 de outubro de 2011

22 - "Hoje, em minha casa, às 23h, vamos fazer uma sessão…privada."

Entretanto, Di e Alexis iniciavam a entrevista, que tinha começado de uma forma agradável, com Alexis e Di a falarem da maneira como se haviam conhecido, mas a ficar mais difícil quando o tema do assalto surgira.
Jornalista – A Adriana foi assaltada, brutalmente agredida e esteve em perigo de vida…
Di (hesitante e desconfortável com a situação) – Sim, é verdade.
Jornalista – Como descreveria esses momentos?
Di – Não se descrevem os momentos em que se sente que se vai morrer. Porque a senhora nunca esteve numa situação como aquela, mas eu estive. E o Alexis e os meus amigos sofreram por mim. Ninguém sabe o que dói. Ninguém imagina o que é ser agredido ao ponto de não se conseguir mexer, de não conseguir salvar-se. Ninguém imagina o que é passar uma hora ao relento sem poder fazer nada. Ninguém imagina o que é estar numa sala de operações e não se saber se se volta a ver os que se ama. Portanto não tente explorar esse ponto da minha vida para mostrar o meu lado mais frágil a Espanha. Porque a Adriana é muito mais que isso. Porque a Adriana caiu e não teve de medo de levantar-se.
Jornalista (muito incomodada com a resposta de Adriana) – Pois, a Adriana tem consultas de psiquiatria, correto?
Di – Sim, eu sofro de stress pós-traumático. E estou a tentar recuperar disso.
Jornalista – Como é viver assim?
Alexis – Desculpe, interrompê-la, mas que questão é essa? Esta Di é a minha Di. É a mulher lutadora, divertida, simpática, sonhadora, corajosa que conheci. A mulher com quem quero casar-me e construir uma família. E desde que a conheci, todos os dias ela é mais perfeita. E a única coisa que aquele assalto mudou foi a nossa perceção que a vida é demasiada curta para estarmos separados. Eu amo esta mulher. E esta mulher merece tudo neste mundo, portanto pare de tentar encontrar um lado mau ou frágil dela, porque ela é perfeita e nunca encontrará esse lado.
Alexis encerrara assim a entrevista. Di estava perdida nas palavras do jovem e a jornalista encantada com a beleza do amor que os unia, que se percebia observando apenas o seu olhar cúmplice. Alexis e Di retiram-se do estúdio e vão caminhar por Barcelona. A noite estava linda. Os dois olhavam-se de forma ternurenta.
Di – Eu também te amo, Alexis.
Alexis (sorrindo) – Eu acho que tu não tens noção do quão feliz me fazes. É impossível que saibas. Acho que nem eu sei… Di eu quero-te perto de mim, bem perto de mim. Vem viver comigo.
Di – Viver contigo?
Alexis – Eu sei. É tudo muito rápido mas…mas eu preciso de acordar e ver-te ao meu lado, de chegar a casa e poder ter-te lá, poder ter-te a meu lado, eu…
Di (interrompendo Alexis) – Eu aceito.
Alexis – Estás a falar a sério?
Di – Estou, eu aceito.
Alexis beija intensamente Di, pegando-a ao colo, deixando a cidade de olhos postos neles.
Alexis – Quando é que te mudas?
Di – Quando a Ana voltar para Portugal…
Alexis – Pois, ela vai mesmo?
Di – Vai. Quando mete uma coisa na cabeça não a tira por nada deste mundo.
Alexis – Tenho muita pena.
Di – Eu também, eu também…
Alexis leva Di a casa, que encontra Ana a chorar no sofá.
Di – Amor, que se passa?
Ana (limpando as lágrimas) – Nada, nada.
Di – Amor…
Ana – Estou a falar a sério. Olha, ligaram-me a dizer que as tuas fotos saem amanhã, na revista da marca e nalguns posters que vão estar espalhados por Espanha.
Di – A sério? Isso quer dizer que gostaram das fotos…
Ana – Não, Di, quer dizer que adoraram!
Di – Ai, já nem vou dormir de tanto entusiasmo!

Dia seguinte
Ana e Di saem para ir ver o treino de Alexis e Cesc. Quando lá chegam, Alexis aborda logo Di.
Alexis – Adriana, eu não consigo lidar com isto! (atirando-lhe a revista com as suas fotografias). Anda tudo a babar-se para cima dessa revista! Quando vinha para aqui, vi placares com as tuas fotos e com dezenas de gajos a babarem-se para cima deles, chego aqui e os meus colegas estão a ver fotos da minha namorada seminua!

 




















Di puxa Alexis para um canto e responde-lhe.
Di – Olha, Alexis, se eles olham é porque não são gays e eu não tenho de me preocupar. A fotografia é uma paixão minha. Quando me conheceste eu já fotografava, portanto a fotografia já fazia parte de mim. Por isso, ou me aceitas como eu sou, com a fotografia, ou então isto não vai resultar.
Alexis – Di, eu não te quero partilhar!
Di (sussurrando) – Hoje, em minha casa, às 23h, vamos fazer uma sessão…privada.
Alexis – Di… que estás a querer fazer com essa…oferta?
Di – Estava a querer captar a tua atenção. Como diz a Ana: “se queres ter atenção de um homem, fala-lhe em sexo”.
Alexis – Eu não sou assim…
Di – Cala-te! Resultou! E agora ouve bem o que te digo: EU SOU TUA! Só tua! Portanto para com os ataques de ciúmes!
Alexis – Eu tenho medo de te perder, não percebes?
Di – Tu NUNCA me vais perder. Agora somos só um. Mas tens de me respeitar.
Alexis – Eu sei. Desculpa, fui um parvo…
Ana – Pois, foste…
Di – Ana! Estavas a ouvir a conversa?!
Ana – Não, vocês é que me obrigaram a ouvir a discussão. O vosso tom de voz fez com que toda a gente que estivesse aqui ouvisse!
Di – Ai, que vergonha… Alexis vou embora, eu e Ana vamos passar por uma loja para comprar uma mala para ela. Adeus.
Di beija Alexis.
Alexis – A proposta fica de pé?
Di – Não, não fica, Alexis. A Ana vai embora amanhã e eu quero aproveitar as últimas horas com ela. (sussurrando) Mas depois vamos ter muito tempo para…matarmos saudades…
Ana – Ganharam-lhe o gosto…
Di – Ana! Ouviste?
Ana – Não, mas quando se sussurra é quando é algo desse género…
Di – Podia não ter sido!
Ana – Mas foi, não foi?
Di – POR ACASO, foi…
As duas riem-se, vão à loja comprar a mala, regressam a casa, Ana faz a mala. O dia passa… Ao jantar, Ana revela a Di que conseguiram recuperar o seu fio…
Ana – Di, conseguiram recuperar o teu fio… aquele que te roubaram.
Di – A sério?
Ana – Sim, já mo entregaram há uns dias…
Di – Porque não me disseste logo?
Ana – Preferi que tivesses mais algumas sessões com a psicóloga, antes de saberes.
Ana retira-se, vai ao quarto, e volta com o fio de Adriana.
Ana – Toma.
Di – Obrigada, por te preocupares comigo. Não sei como vai ser a partir de amanhã…
Ana – O Alexis vai estar aqui para tudo e sempre que precisares de mim, eu venho a voar para aqui…
As duas abraçam-se e vão-se deitar. Di pensava na falta que Ana lhe faria, Ana pensava no quão difícil seria começar uma vida nova, longe de Di, longe dos seus amigos, longe de Barcelona. Longe de Cesc…

21 - "Ele…partilhava-me com o melhor amigo."

Duas horas depois
Di – Ana! Ana!
Ana – Que foi, Di? Porque estás tão aflita?
Di – O que é que eu visto?
Ana – Sei lá, Di! Tudo que usas é bonito.
Di – Mas eu quero estar bonita, confiante, segura, feminina…
Ana – Di, TU ÉS bonita, confiante, segura, feminina!
Di – Mas eu quero que todas as raparigas percebam que o Alexis já tem dona!
Ana – Ah! Isso já é outra coisa… Mas não te preocupes. A química que vocês têm mostra isso tudo.
Di – Ok. Então se calhar usava este vestido branco, com uma maquilhagem mais natural.
Ana – Sim, acho que seria bom optares por um estilo mais natural. Tu és bonita, não precisas de grandes maquilhagens.
Di – Oh, obrigada amor!
Ana – De nada. Agora despacha-te!
Di – Ok, ok!
Pouco tempo depois, Di e Ana já estavam prontas e saíam para ir ter com Alexis. Quando chegaram ao ponto onde tinham combinado, o jovem futebolista já estava presente e mostrava uma grande ansiedade, pois olhava para o relógio vezes sem conta.















Ana – Uau… o teu menino tem um estilo bem definido! Gosto…
Di – Pois é… eu escolhi um homem muito autónomo e original…
Ana – Di, não te babes…
Di – Ana, eu não me babo, ok?
Ana – Ok, ok, vamos lá!
Di vai ter com Alexis, os dois cumprimentam-se com um intenso beijo, só interrompido pelos comentários irónicos de Ana.
Ana – Vamos lá interromper isto. Não estão a sós, estamos no centro de Barcelona. Por muito que queiram repetir a dose de ontem à noite, vão ter de esperar para mais tarde. Agora, sessão!
Di – Ok, vamos a isso! Quais são as indicações?
Ana – Naturalidade. Estejam à vontade. Vamos passeando e quando eu achar bons cenários paramos para fotografar. Para que horas combinaram a entrevista?
Di – Para as 19h, no estúdio onde fizemos a nossa primeira sessão.
Ana – Ok, então vamos a despachar. Queria ver se depois ainda conseguia fazer uma seleção das fotos para entregarem à revista.
Alexis – Então, vamos!
A sessão foi um sucesso. Di e Alexis complementavam-se. Ana ia sentir falta de sessões como aquela quando voltasse para Portugal.
Ana – Pronto, acho que acabámos.
Alexis – Já?
Ana – Pois, eu percebo. Estavam a gostar… ai ai o amor!
Di – É mesmo bonito…
Ana – Imagino. Eu vou a casa selecionar as fotos.
Di – Então nós vamos contigo!
Ana – Então vamos!
Quando chegaram a casa, Ana encaminhou-se logo para o portátil e os três excluíram as fotos com menos qualidade, poucas por sinal.
Ana – Pronto, são estas. Está tudo nesta pen.
Di – Obrigada, amor! Acho que estamos prontos para ir para a entrevista…
Alexis – Então vamos.
Os dois estavam a sair quando Ana agarrou o braço de Alexis.
Ana (sussurrando) – Protege-a, ok? Os jornalistas querem descobrir os pontos fracos dela.
Alexis – Não te preocupes. Podes confiar em mim.
Di e Alexis saem, e logo a seguir tocam a campainha. Ana abre. Era Cesc.
Ana – Olá.
Cesc – Olá.
Ana – Entra.
Cesc e Ana sentam-se no sofá.
Ana – Então o que te traz por cá?
Cesc – A verdade.
Ana – Desculpa?
Cesc – Eu preciso de conhecer-te. Tu queres ir-te embora e eu não sei como viver sem ti. Diz-me o que te atormenta. Fala comigo. (Pegando-lhe na mão) Por favor, eu preciso de saber.
Ana – É complicado e eu não costumo falar sobre isso.
Cesc – Por favor, Ana, por favor. Eu preciso de saber porque dizes que não sabes amar.
Ana – Ok. Eu com 14 anos conheci o Pedro. Ele tinha 21 anos na altura e quis logo aproveitar-se de mim. E eu deixei. Eu amava-o tanto… Tinha medo de que se não me entregasse que ele me deixasse. Mesmo não estando preparada e não querendo entreguei-me várias vezes. Outras não me entreguei mas ele fez acontecer.
Cesc – Ele violou-te?
Ana – Não foi bem violar. Nós namorávamos.
Cesc – Não interessa, se tu não querias e ele te obrigou, foste violada!
Ana – Cesc, eu vou-te contar algo que nunca contei a ninguém. Posso confiar em ti?
Cesc – Claro.
Ana – Ele…partilhava-me com o melhor amigo.
Cesc – Como assim?
Ana – Ele dizia que eles eram como irmãos. Que se eu era dele, também era do amigo. E eles abusaram várias vezes de mim.
Cesc – O quê?
Ana – Cesc, por favor, não contes nada a ninguém.
Cesc – Claro que não. Já procuraste ajuda?
Ana – Cesc, isto não é o pior.
Cesc – O quê?!
Ana – Eu engravidei. E aos 4 meses de gestação, o Pedro descobriu e obrigou-me a tomar umas drogas para que abortasse. E foi horrível. Eu sangrei imenso. E no meio do sangue havia pedaços do meu filho.
Ana tremia brutalmente e chorava incontrolavelmente, Cesc, arrependido por ter perguntado tudo aquilo à jovem, abraçava-a enquanto que a ela lhe pedia várias vezes desculpa por não saber amar e lhe pedia que guardasse segredo.
Ana – Desculpa. Desculpa.
Cesc – Ana tens de procurar ajuda.
Ana – Eu tenho medo.
Cesc – Medo? Medo de quê?
Ana – No dia em que eu enfrentei o Pedro, eu tive um início de um ataque de pânico raro.
Cesc – Como assim?
Ana – Foi algo como a Di teve recentemente. Se não tivesses aparecido provavelmente, a minha respiração ofegante ia ter-se tornado em dores horríveis, como as que senti quando abortei.
Cesc – Como pode ser isso possível?
Ana – A nossa mente é muito forte. E estas experiências traumatizantes deixam demasiadas marcas.
Cesc – Então para que vais voltar se o podes encontrar?
Ana – Por tua causa, Cesc. Eu estou apaixonada por ti. Mas não sei amar. E eu não me posso magoar, nem te posso magoar.
Cesc – Ana…
Ana – Eu vou para Lisboa, entrei em Medicina lá, vou começar de novo. Desculpa, Cesc, desculpa. Agora, sai se faz favor.
Cesc – Ana…
Ana – Não tornes isto mais complicado, Cesc…
Cesc – Ficas bem?
Ana – Fico, não te preocupes…
Cesc dá um beijo na testa a Ana e sai. A jovem chora desesperadamente. Aquela era a decisão mais difícil que alguma vez tomara… Cesc estava destroçado.

sábado, 22 de outubro de 2011

20 - "A Di está com um atraso."

Quando chegaram a casa de Ana, havia um grande silêncio. Alexis ainda dormia e Di acabava de acordar. A jovem tinha um sorriso enorme na face. Olhava Alexis com ternura e tentava acordá-lo carinhosamente.
Di (com um grande sorriso nos lábios) – Bom dia.
Alexis (ainda abrindo os olhos) – Excelente dia.
Di – Dormiste bem?
Alexis – Otimamente. A companhia era fantástica.
Di – E se fôssemos tomar o pequeno-almoço?
Alexis – Boa ideia. Estou esfomeado.
Di e Alexis dirigem-se à cozinha mas ao passarem pela sala, encontram Ana e Cesc.
Ana – Pois. É deles esta roupa toda espalhada pelo chão…
Di e Alexis ficam bastante corados.
Ana – Finalmente tornaram-se um casal normal e fizeram o que os casais normais fazem!
Alexis – Nós não somos um casal normal. Somos um casal muito, muito especial.
Os dois sorriem um para o outro, cumplicemente.
Di – Pois e os meninos onde andaram?
Ana – A aproveitar a vida!
Di – Ui, até tenho medo. Onde dormiram?
Cesc – No Iraque.
Ana e Cesc desataram a rir.
Alexis – O quê?!
Ana – Pois, o Cesc declarou guerra e agora a tua casa parece um campo de batalha.
Alexis – O quê?! Expliquem-se.
Cesc – Acabei com a Carla e ela destruiu-nos a casa.
Alexis – Como assim destruiu-nos a casa?
Cesc – Partiu-nos jarras, quadros, molduras, a televisão, estragou-nos os sofás…
Alexis – A rapariga é doida?
Cesc – Provavelmente…
Di – Vamos lá tomar o pequeno-almoço e depois resolvemos isso. Vocês acompanham-nos?
Ana – O nosso pequeno-almoço foram comprimidos para a ressaca…
Di (elevando o tom de voz) – Ui, já estou a ver que essa noite foi boa…
Ana – Di, por favor, fala baixo. Não nos castigues.
Di e Alexis vão para a cozinha tomar o pequeno-almoço, enquanto que Cesc e Ana lidam com as dores de cabeça. Depois disso, Alexis diz a Di que precisa de ir a casa tomar um banho e trocar de roupa. E Di dá a ideia de almoçarem os quatro juntos mais tarde. Alexis aceita e promete falar com Cesc sobre isso. Vão apanhar as suas roupas do chão da sala e vestem-se. Depois Di acompanha Alexis à porta.
Ana – Finalmente vestidos…
Di – Sim, Ana, sim…
Cesc – Não sei se te lembras mas temos treino daqui a 30 minutos!
Alexis – Claro que me lembro. Não sei é se tu vais…
Cesc – Está mesmo engraçadinho o menino. Eu já estou bem.
Alexis – Claro, claro. Então podemos ir diretos para o centro de treinos e no fim do treino, almoçamos os quatro…
Ana – Boa maneira de me convidares… o teu namorado é muito sublime, Di.
Os quatro riem-se e os dois jovens futebolistas retiram-se e Ana interroga logo Di.
Ana – Aleluia, Di! Estava a ver que se iam guardar para o casamento!
Di – Menos, Ana, menos.
Ana – E então como é que o menino se safa entre os lençóis?
Di – Ana! Que raio de conversa! Isso é íntimo, não achas?
Ana – Só uma pista…
Di – Não tenho razões de queixa.
Ana – Ui, ui!!! Era disso que eu estava a precisar…
Di – E se calhar até aconteceu entre ti e o Cesc…
Ana – Não, não aconteceu.
Di – Como sabes? Vocês embebedaram-se!
Ana – Porque nós não ficamos todos alteradinhos como tu quando bebemos. Só ficamos mais alegres!
Di – Ok, ok. Lembrei-me agora que ainda não disse ao Alexis que vais embora.
Ana – Tratamos disso no almoço.
Di – Olha afinal o que é que tu e o Cesc têm? Tão cúmplices, tão calmos…
Ana – Descobrimos que podemos ser amigos.
Di – Amigos?
Ana – Sim, amigos!
Di – Ok, ok. Eu vou tomar um banho e vou começar a arranjar-me para o almoço.
Ana – Ok, eu vou descansar um bocado e depois arranjo-me.

Duas horas depois
Di – Ana!
Ana – Que foi?
Di – Tu ainda estás assim?
Ana – Qual é o problema?
Di – O problema é que eles já devem estar à nossa espera!
Ana – Então que esperem! Eu também esperei nove meses para nascer!
Di – Ana! Vai lá arranjar-te.
Ana – Ok, ok. Tu já estás pronta?
Di – Sim, achas que estou bem?
Di usava uma saia branca e uma camisola rosa, muito femininas.

Ana – Estás ótima!
Di – Então vai lá arranjar-te.
Em dez minutos, Ana já se tinha arranjado: usava uns leggings e uma túnica pretos e um casaco igualmente negro.

Di – Toda de preto? Parece que vais para um funeral?
Ana – Nunca se sabe! Mulher prevenida, vale por duas.
Di – Ai, nem digas isso! Bate três vezes na madeira. Vamos lá que eles já devem estar à espera.
Ana e Di saem e dirigem-se para o restaurante onde tinham combinado com os rapazes.
Quando lá chegam, cumprimentam-nos. Alexis usava umas calças de ganga, uma t-shirt branca e uns ténis e Cesc usava umas calças de ganga e uma camisola branca.


Sentaram-se, almoçaram, conversaram, riram, até que Di resolveu dar a notícia da partida de Ana.
Di – Pois, Alexis tenho de te dizer uma coisa. Dar uma notícia.
Ana – A Di está com um atraso.
Alexis engasga-se.
Di – Oh Ana! Não é nada disso! Alexis, estás bem?
Ana – Coitado, já pensava que lhe tinhas enfeitado a testa…
Di – Oh Ana!
Alexis (já quase recuperado) – Tens mesmo de brincar com esse tipo de coisas?
Ana (rindo-se) – Sim.
Alexis (já recuperado) –Então afinal qual é a notícia?
Di – A Ana vai voltar para Portugal depois de amanhã.
Cesc engasga-se.
Ana – Uau… Isto hoje os meninos estão para atrair a atenção ao engasgarem-se…
Cesc (ainda a recuperar) – Voltar?
Ana – Pois, é verdade. Portanto, Di e Alexis hoje às 16h no centro de Barcelona, bonitinhos para vos tirar as fotos para a entrevista.
Alexis – Ok.
Depois de um pequeno silêncio arrepiante, Cesc manifesta-se.
Cesc – Porquê? Porque vais embora agora?
Ana – Porque a fase Barcelona acabou. Eu tenho de voltar para Portugal.
Os quatro acabam de almoçar e seguem caminhos diferentes. Ana e Di voltam para casa, enquanto que Alexis e Cesc vão dar uma volta por Barcelona. Cesc estava estupefacto. Alexis compreendia a sua dor, também não saberia como viver sem Di…