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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

82 - "Eu amo-te, Alexis."

Ana – Adriana, o resultado é…
Adriana – Então? Estou a ficar ansiosa!!!
Ana – É positivo. Eu estou grávida. – com ar confuso e receoso
Adriana abraça Ana.
Adriana – Parabéns! Então, porque não estás radiante? Vais ser mãe! O Cesc vai explodir de felicidade!
Ana – O Cesc? Não, eu não lhe vou contar.
Adriana – Ana, essa zanga já foi longe demais.
Ana – Não tem nada a ver com a zanga.
Adriana – O filho não é dele?
Ana – Adriana! Até me ofendes!
Adriana – Desculpa, desculpa, desculpa. Mas eu estou confusa. Não te percebo.
Ana – Senta-te. Eu tento explicar-te.
As duas foram até à cozinha, prepararam um chá e sentaram no sofá da sala a bebê-lo.
Adriana – Então, agora explica-te.
Ana – Ok. Eu há dois anos estive grávida, certo?
Adriana – Sim.
Ana – E quando abortei para além de um aborto tardio, foi um aborto mal realizado. Portanto, eu tenho muitas mais probabilidades de voltar a ter um aborto que uma mulher sem o meu passado. Aliás eu julgava que iria ter muitas dificuldades em engravidar, mas pelos vistos…
Adriana – Ana, tens de contar ao Cesc.
Ana – Adriana, eu vou contar-lhe mas só quando tiver atingido as 12 semanas. Se as atingir…
Adriana – 12 semanas? Não! Isso é muito! 8!
Ana – 10 e não falamos mais disso!
Adriana – 9!
Ana – Adriana…
Adriana – Ok, 10! Parabéns!
Ana – Obrigada, mas não cries muitas esperanças.
Adriana – Vai correr tudo bem.
Ana – Esperemos que sim.

Duas semanas depois
Ana estava a brincar com Esperanza quando tocaram a campainha. Ana pegou em Esperanza ao colo e foi abrir a porta. Quando a abriu, viu uma mulher que desatou a chorar quando viu Esperanza, acompanhada de Fernando.
Ana – Graciela… - Ana deixou escapar em palavras, os pensamentos que lhe iam na cabeça. – Entrem, sentem-se. – Ia a fechar a porta, quando Cesc a abordou.
Cesc – Ana, temos de fal… - Cesc reparou em Graciela e Fernando sentados no sofá – É a Graciela?
Ana abanou com a cabeça afirmativamente, deixando Cesc entrar. Foram os dois até à sala. Graciela olhava para Esperanza com o seu coração de mãe apertado. Menos apertado não estava o coração de Ana, que não conseguia largar Esperanza.
Fernando – Encontrei-a.
Graciela – Obrigada, Ana. Obrigada por teres tomado conta da Esperanza.
Fernando – Eu e a Graciela reconciliamo-nos. Estamos a viver juntos, temos os dois um bom emprego.
Ana – Têm condições para tomar conta dela, não é?
Fernando – Sim, temos.
Graciela – Eu sei que deves pensar que eu sou uma péssima mãe, mas…
Ana (interrompendo-a) – Não, não penso. Acho que tu és uma verdadeira mãe coragem.
Após mais alguns minutos de conversa, o momento chegara: Ana tinha de entregar Esperanza a Graciela. Ana levantou-se, respirou fundo e estendeu os braços a Graciela, que pegou em Esperanza, muito emocionada. Graciela chorou bastante, beijou e abraçou Esperanza. Após alguns minutos decidiram ir-se embora. Ana acompanhou-os à porta e olhou-os até as suas silhuetas desaparecerem. Depois fechou a porta e tentou conter as lágrimas.
Cesc – Ana…
Ana – Eu sei, Cesc. Tu avisaste-me! – gritou Ana
Cesc – Não é nada disso – disse aproximando-se de Ana – Anda cá.
Ana caiu nos braços de Cesc, completamente desolada. Chorou durante alguns minutos, Cesc ia-lhe amparando todas as lágrimas. Acabou por sentar-se encostada a Cesc no sofá, onde após muitas lágrimas derramadas, acabou por adormecer devido ao cansaço. Quando acordou, Cesc olhava-a. Ana olhou para o relógio.
Ana – Cesc, estás atrasado para o treino.
Cesc olhou para o relógio.
Cesc – Tens razão. Vou ter mesmo de ir. – disse levantando-se. Deu um beijo na testa de Ana, fez-lhe uma carícia na face e encaminhou-se até à porta – Adeus.
Ana – Adeus.
Quando Cesc saía, Adriana acabava de chegar a casa. Quando viu Ana no sofá e sem Esperanza por perto, percebeu o que se tinha acontecido e correu a abraçá-la.

No treino
Alexis – Aleluia! Onde te meteste?
Cesc – Estive em casa da Ana. A Graciela veio buscar a Esperanza.
Alexis – Ela deve ter ficado de rastos.
Cesc – Sim. Ficou completamente desolada.
Alexis – E aproveitaste para resolver as coisas entre vocês?
Cesc – Não. Nem toquei no assunto. Ela precisava de apoio, de um amigo e foi isso que eu fui.
Alexis – E por falar em amigo…
Cesc – Diz lá o que queres.
Alexis – É sábado.
Cesc – A tua surpresa para a Di?
Alexis – Sim. E preciso que faças a tua parte.
Cesc – Levá-la até ao relvado de Camp Nou. Não sei se consigo.
Alexis – Cesc, não me falhes!
Pep – A conversa está boa, meninos? Ou se concentram ou passam a próxima hora a fazer flexões, entendido?
Alexis – Desculpe, mister.
Cesc – Sim, desculpe.
Os dois seguiram para o treino.

Sábado
O adversário era o Atlético de Madrid e Camp Nou tinha cerca de 60 mil pessoas. Ana e Adriana estavam como sempre nos camarotes. Cesc apareceu lá a cerca de 45 minutos do início do jogo.
Adriana – Ana, acho que alguém vem falar contigo…
Ana – Ah? – Ana olhou para a porta e viu Cesc. Temeu que este viesse falar com ela.
Cesc – Adriana…
Adriana – Sim?
Cesc – Preciso que venhas comigo.
Adriana – Eu? Porquê?
Cesc – Vem comigo, por favor.
Adriana levantou-se, com a sua já bem visível barriga e seguiu Cesc. Chegaram ao túnel de acesso ao relvado.
Adriana – Cesc, que estamos aqui a fazer?
Cesc – Ah…ah… vão entregar um prémio e queremos que sejas tu. Tens mais experiência.
Adriana – Ok, quem o entrega comigo?
Cesc – O Alexis.
Adriana – O quê? Cesc, eu…
Alexis apareceu.
Alexis – Vamos?
Adriana (atrapalhada) – Sim, vamos.
Adriana e Alexis entraram no relvado. Alexis toma a palavra.
Alexis – Boa noite a todos.
O estádio responde efusivamente.
Alexis – Estamos aqui para homenagear uma mulher, uma grande mulher. Uma grande esposa e uma grande mãe, de seu nome Adriana Sánchez.
Adriana é apanhada de surpresa e o estádio silencia-se.
Alexis – Eu errei. Outra vez. Acho que abuso da minha condição de ser humano e de poder errar. Esta mulher foi a melhor coisa que me aconteceu em toda a minha vida. Tornou os meus sonhos objetivos, levantou os meus pés do chão e fez-me voar bem alto. Eu errei e sei que provavelmente não a mereço. Mas apenas sei que por ela daria a minha vida e que a quero de volta, porque sem ela não vale a pena viver. Adriana – voltou-se para Di – eu amo-te. Sei que não fui o marido que mereceste, sei que já pedi oportunidades a mais, mas dá-me apenas mais uma pela família que estamos a construir. Sabes que eu sem ti, n… - Nesse momento, Adriana beija Alexis apaixonadamente e o estádio que até aí tinha sido invadido por um silêncio e uma emoção como poucas vezes se tinha assistido.
Adriana – Alexis, nunca mais me faças isto, por favor.
Alexis – Eu juro-te, eu prometo-te que vou amar-te e vou mostrar-te isso todos os dias da nossa vida.
Adriana – Eu amo-te, Alexis.
Alexis – Eu amo-vos aos dois – disse Alexis, dando um beijo na barriga de Adriana.
Adriana – Ok, agora vai aquecer que eu vou para os camarotes. Tanto protagonismo, envergonha-me.
Alexis – Desculpa. Mas eu precisava de muita gente para testemunhar todo o meu amor por ti.
Adriana derrete-se com as palavras de Alexis. Dá-lhe um beijo e volta para os camarotes.

Alexis e Adriana finalmente juntos :)
E Ana e Cesc deixarão finalmente o orgulho de parte?
E a gravidez da Ana? Ficará em segredo? Será bem-sucedida?

Agradecemos a todas as seguidoras que comentaram o capítulo anterior e pedimos que o voltem a fazer neste capítulo. Porque é para vocês que escrevemos ;)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Comunicado

Olá!
Agradecemos novamente todas as que nos leem, que nos seguem e que comentam os nossos capítulos. Não imaginam como é bom ler os vossas comentários e opiniões!!!
Queremos também agradecer a todos que divulgam as fics (http://barcelonaciudaddelamor.blogspot.com/ ; http://quandoumnadasetransformaemtudo.blogspot.com/ ; http://desempreparasempre28.blogspot.com/ .)
 e deixar também aqui algumas fics que recomendamos:
http://romanceinesperado.blogspot.com/
http://letitbe-5.blogspot.com/
http://mariaainwonderland.blogspot.com/
http://aidadeeirrelevante.blogspot.com/
 Beijos e continuem a ler-nos!!!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

81 - "Adriana, eu amo-te e não vou desistir de ti."

Dia seguinte
Cesc acorda e Ana já não estava no quarto. Fica aborrecido. Contava tê-la ali a seu lado e com certeza que Ana estaria com Esperanza. Cesc levantou-se e foi até à sala. Ana tomava o pequeno-almoço e falava com Esperanza. Cesc estava realmente preocupado, com a ligação que existia entre as duas. Sabia que Ana acabaria por sofrer.
Cesc – Bom dia – disse dando um beijo na testa a Ana e sentando-se ao pé dela.
Ana – Bom dia.
Cesc – Já de pé? Ontem parecias cansada, podias ter descansado.
Ana – E descansei. Mas a Esperanza acordou há algum tempo e não voltei a dormir.
Cesc – Mas devias.
Ana – Cesc, não vais começar, pois não?
Cesc – Não, não. Eu vou tomar o pequeno-almoço. Vais querer comer mais alguma coisa?
Ana – Não, obrigada.
Cesc vai a dirigir-se para a cozinha, quando o seu telemóvel toca. Cesc volta para trás e atende.
Cesc – Sim, Alexis?
Cesc – A minha ajuda com a Di? O que estás a pensar fazer?
Ana levanta-se de imediato e pega no telemóvel de Cesc.
Ana – Alexis, o que achas que vais fazer?
Alexis – Vou reconquistá-la.
Ana – Alexis, a Adriana foi clara. Portanto, respeita-a.
Alexis – Estás contra mim?
Ana – Simplesmente, estou a favor da Di.
Alexis – O que queres dizer com isso?
Ana – Se a Adriana te quer longe, eu própria te vou manter longe.
Alexis – Ana!
Ana – Ana, nada! Ela é minha amiga, como uma irmã, e há uma criança a proteger. E eu vou fazê-lo.
Alexis – Tudo bem, eu percebo e respeito.
Ana – Obrigada. Adeus.
Alexis – Adeus.
Ana desliga.
Cesc – O que foi isto?!
Ana – Um telefonema.
Cesc – Ana, devias apoiar o Alexis. O casamento deles.
Ana – O Alexis? Ai devia? E porquê? Por ele ter tratado a Di daquela forma?! Um marido de sonho sem dúvida…
Cesc – Ele teve as suas razões.
Ana – Razões?
Cesc – A Adriana deu demasiada confiança ao Marcelo.
Ana – Uma amizade é “demasiada confiança”?! Desculpa, mas já não te estou a reconhecer.
Cesc – Nem eu a ti. Hoje acordei, pensei que te ia ver ao meu lado e onde estavas? Aqui, com a Esperanza. Tu nem tentas afastar-te dela. E quando a Graciela voltar?
Ana – Obrigada, Cesc. Obrigada pelo teu grande apoio!
Dito isto pegou no carrinho de Esperanza e saiu de casa. Ana apenas queria o apoio de Cesc. Ana não tinha medo de cair, apenas tinha medo de não se conseguir levantar sem Cesc a seu lado. Acabou por sentar-te num banco de jardim quando um rapaz a abordou.
Rapaz – Esperanza…
Ana – Desculpe?
Rapaz – É a Esperanza.
Ana – Como sabe que é a Esperanza?
Rapaz – Pela pulseira de ouro dela. Se reparar no “E” que está pendurado há um “G” gravado. Um G de Graciela, a mãe dela.
Ana – Conhece a Graciela?
Rapaz – O meu nome é Fernando. Eu namorava com a Graciela quando…quando ela foi violada. Ela nunca mais foi a mesma e acabou por me afastar. Respeitei a vontade dela. Ela entregou-te a Esperanza?
Ana – Sim, entregou. Ela estava sem possibilidades financeiras para tomar conta dela.
Fernando – Estás disposta a entregar-lhe a Esperanza quando ela puder tomar conta dela?
Ana – Claro que sim. Ela é mãe da Esperanza.
Fernando – A Graciela deve andar por perto. Ela nunca conseguiria afastar-se da Esperanza. Eu vou tentar reencontrá-la e ajudá-la. Quero criar a Esperanza com ela. Obrigada por estares a tomar conta dela. Espero voltar a ver-te em breve.
Dito isto Fernando retirou-se. Ana ficou bastante abalada. A sua separação de Esperanza estava cada vez mais próxima.

Uma semana depois
Adriana estava finalmente de volta a casa. Ana tinha voltado a afastar-se de Cesc. Ainda não tinha desabafado com ninguém sobre Fernando, mas com Cesc não falaria. Provavelmente iria ouvir o “eu bem te avisei” que não queria. Cesc continuava a viver com Alexis, que continuava com a cabeça cheia de ideias para reconquistar Adriana.
Bem cedo, Ana foi, juntamente com Esperanza, buscar Adriana ao hospital. Adriana vinha carregada de brinquedos, chupetas, roupinhas que quem a tinha visitado no hospital lhe ia dando. Chegaram a casa e Adriana foi pousar tudo ao quarto que já há muito tempo tinha sido definido como o de Thiago. Quando lá entrou, teve uma grande surpresa.
O quarto estava todo decorado como ela tinha idealizado. Adriana ficou boquiaberta. Olhou para Ana.
Ana – Não, isto não é obra minha.
Aí Adriana reparou num envelope sobre um álbum de bebé. Abriu-o e leu a carta que estava dentro dele:
“Adriana,
Em toda a minha vida, desistir nunca foi uma opção. Se nunca desisti da mais insignificante coisa, como poderia desistir da mulher que amo, do meu filho, da nossa felicidade? Simplesmente, é impossível. Sei que estás muito magoada comigo. Percebi isso na tua carta. Sei que fui estúpido, que errei.
Às vezes o amor trai-nos desta forma. Amamos tanto uma pessoa que a ideia de a perdermos assombra-nos.
Adriana, eu sei que te magoei, que fui injusto, estúpido, uma besta. Mas eu amo-te tanto.
Sei que muitas vezes não estive presente como merecias. Sei que pensas que não te ouvia quando chegava a casa exausto dos treinos, dos estágios e dos jogos. Mas ouvia. Ouvi como querias o quarto do Thiago. Acho que era exatamente assim como eu o decorei, enquanto que estavas no hospital. Isto tudo às escondidas da Ana, claro! Deixei também o início do álbum do Thiago, ou melhor do álbum da nossa família.
Adriana, eu amo-te e não vou desistir de ti. Nunca!

Alexis”

No fim da carta, Adriana já chorava. Folheou o álbum. Havia fotografias do seu namoro com Alexis, da cerimónia do casamento, as ecografias… Adriana emocionou-se ainda mais. Contudo, não conseguia perdoar Alexis.
A tarde passou e ao jantar, Adriana sentia Ana perturbada.
Adriana – Ana, o que é que se passa?
Ana contou a Adriana que tinha conhecido Fernando e que o regresso de Graciela estava cada vez mais próximo.
Adriana – Mas não é só isso, pois não?
Ana – Não. Eu e o Cesc…não está a funcionar. Ele não me tem apoiado como eu preciso e ainda por cima…
Adriana – E ainda por cima…
Ana – E ainda por cima eu estou com um atraso.
Adriana – Tu estás grávida?
Ana – Não! Quer dizer…não sei.
Adriana – Ainda não fizeste o teste?
Ana – Não, não tive coragem.
Adriana – Então, vais fazê-lo já! Eu tenho ali um teste. Foi quando ainda não acreditava que estava grávida. Comprei imensos!
Adriana foi buscar o teste e Ana fê-lo. Pouco tempo depois saiu da casa de banho.
Adriana – E então?
Ana – Adriana, o resultado é…

Estará Ana grávida?
E se estiver? Como reagirá Cesc?
E Adriana? Resistirá a Alexis?

Meninas, comentem!!! Os vossos comentários são ESSENCIAS para nós! Contamos convosco!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

80 - "Não acaba, Adriana. Não pode"

“Alexis,
Eu amo-te. Sempre amarei. Passe o tempo que passar, aconteça o que acontecer.
Completaste-me como nunca imaginei ser possível, fizeste de mim a mulher que eu não julgava poder ser. Por ti lutei, por ti caí, por ti me levantei. Sabes, voltaria a fazer tudo de novo. Mesmo que neste momento me sinta completamente destruída. Deste-me muito mas tiraste-me tudo. Por tua causa, eu sinto-me fraca, inútil, vazia. Deixei de confiar nos que estão à minha volta, deixei de confiar em mim. É como se o mundo tivesse sido infetado. E tu…tu me tivesses deixado negligenciada, abandonada, sozinha…
À primeira dificuldade, gritamos, discutimos, separamo-nos. Mas reconquistaste-me e prometeste-me nunca mais haveria desconfiança, nunca mais haveria ciúmes sem razão. Lembro-me de tudo isso, como se tivesse acontecido há um minuto atrás, as palavras, a praça… E de repente, quebraste a tua promessa à primeira dificuldade. Eu sempre te amei, te respeitei, te fui fiel, porque para mim as promessas cumprem-se e naquele dia em que subi àquele altar, eu recebi-te e entreguei-me a ti. Casamento para mim nunca foi brincadeira. Fui a melhor esposa que consegui. Mas para ti não chegou. Seria fácil voltar para os teus braços. Se seria. Seria bom, se seria. Mas não posso. Não posso magoar-me e deixar-me ao sabor do acaso. Não por mim, mas pelo meu filho. Ele precisa de mim e eu não posso falhar.
Alexis, isto é o fim.
Não, não vou pedir-te que assines papéis de divórcio e tudo mais. Por mim, podemos apenas fazê-lo quando tivermos tempo e disponibilidade para o fazer. Peço-te apenas que me dês espaço. Não quero afastar-te do nosso filho. Não é de todo isso. Mas preferia que não nos víssemos tantas vezes. Porque a chama que criaste cá dentro, arde fortemente e nunca parará.
Amo-te, Alexis. Obrigada pelos momentos que me deste. Desculpa se não fui a mulher que merecias, que desejavas. Desculpa se te desiludi…

Adriana”
Alexis deixa cair uma pequena e discreta lágrima.
Alexis – Não acaba, Adriana. Não pode. Eu vou reconquistar-te e fazer-te feliz. Esta família merece-o… - disse baixinho Alexis, já com a sua cabeça a fervilhar de ideias.
Entretanto, Ana explicava a situação da gravidez a Adriana.
Ana – Então é o seguinte: a gravidez tornou-se uma gravidez de risco, por isso, vais ter consultas quinzenais, eu vou ter de tomar conta de ti, vais ter de ser uma grávida exemplar, principalmente a controlar emoções.
Adriana – É tudo? – perguntou Adriana receosa
Ana – Sim, é – mentiu-lhe Ana, ocultando a possibilidade de um final trágico para Thiago – Adriana, o que escreveste na carta?
Adriana – Acabei com o Alexis. Não dava para estarmos no zanga e “deszanga”. Eu preciso de estabilidade, pelo Thiago.
Ana – Sabes que te apoio em qualquer escolha.
Adriana – Obrigada. Olha, com quem deixaste a Esperanza?
Ana – A Esperanza! Eich, esqueci-me completamente! Deixei-a com o Cesc, mas eu disse-lhe que pedia às meninas para o ajudarem e esqueci-me.
Entretanto, batem à porta. Ana mandou entrar. Adriana receava que pudesse ser Alexis. Contudo, foram David Villa e Thiago Alcantara a entrar.
David – Podemos?
Ana – Claro!
Thiago – Viemos ver se aqui a nossa menina e o nosso pequenino estavam bem.
Ana – Fizeram bem. Ainda bem que vieram. Eu tenho de ir a casa tratar de uma emergência, mas volto já.
Ana deu um beijo na testa a Adriana, passou-lhe a mão na barriga e saiu, puxando David.
Ana – Eu vou a casa. Vocês não a emocionem. Se vocês lhe falam do Alexis eu parto-te a outra perna, percebido?
David – Sim, minha Tenente!
Ana – Brinca, brinca. Tomem conta dela!
David deu-lhe um beijo na testa e voltou para dentro. Ana apanhou um táxi e voltou para casa. Quando lá chegou, tudo estava bastante silencioso. Ana foi procurando Cesc e Esperanza pela casa. Quando chegou ao quarto, encontrou-os. Esperanza dormia na alcofa que estava no carrinho, Cesc dormia profundamente no sofá, bem ao pé da bebé. Ana apercebeu-se que adormecer Esperanza tinha sido uma árdua tarefa. Por muito que lhe custasse, acordou Cesc para que ele se fosse deitar na cama.
Ana – Cesc, Cesc – chamava-o enquanto que lhe fazia algumas carícias na face.
Cesc despertou.
Cesc – Ana… Como está a Di?
Ana – A recuperar. É melhor deitares-te na cama. Pareces exausto e neste sofá não vais conseguir descansar.
Cesc levantou-se e sentou-se na cama.
Cesc – A Di está mesmo bem?
Ana – Dentro dos possíveis. Mas eu acredito que vai tudo correr bem.
Cesc – O Alexis ligou-me a contar que o Thiago estava em risco e que a Adriana tinha acabado tudo com ele.
Ana – A Di quer proteger-se. Eu compreendo-a. Ela não merecia toda esta desconfiança por parte do Alexis.
Cesc – E nós, Ana, vamos continuar assim?
Ana – Cesc… - o telemóvel de Ana começa a tocar – Dá-me um minuto.
Ana – Sim?
Ana – Adriana, passa-se alguma coisa?
Ana – Ah ok. Sendo assim eu fico com a Esperanza. Beijo. Até amanhã.
Ana – Porta-te bem!
Ana desligou.
Cesc – Boas ou más notícias?
Ana – Os pais da Adriana souberam do que aconteceu e vieram ter com ela.
Cesc – Então, não vais passar a noite no hospital?
Ana – Não. Vou ficar aqui com a Esperanza e… - baixou o volume da voz – contigo.
Cesc – Agora podemos falar de nós?
Ana – Sim, pod… - Esperanza acorda e começa a chorar – Está difícil…
Cesc – É hora de ela comer. Eu vou-lhe fazer o leite.
Ana – Não é preciso. Eu vou.
Cesc – Fica com ela. Eu volto já.
Cesc foi fazer o leite de Esperanza e Ana ficou no quarto com ela. Pouco tempo depois, Cesc apareceu com o leite. Ana deu-o a Esperanza, que adormeceu e voltou a colocá-la no berço. Ainda ficou alguns minutos a olhar para ela, depois voltou a sentar-se na cama ao pé de Cesc.
Cesc – Será que é agora que vamos conseguir f…
Ana não deixa que Cesc acabe de falar e beija-o. Um beijo de saudade. E que saudades! Aqueles lábios já não se tocavam há tanto tempo…
Ana – Talvez o problema era quereres falar. Hoje, não me apetece falar, discutir, gritar. Hoje apetece-me apenas beijar-te e passar a noite contigo. Pode ser?
Cesc – Se pode. – dito isto voltou a beijar Ana. Acabaram por deitar-se e dormir nos braços um do outro.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

79 - "Mesmo com todos estes cuidados a Adriana pode dar à luz um bebé morto."

Adriana e Ana saíram em direção à Praça. Estava um dia perfeito para passear por Barcelona. Já a meio do passeio, o mais inesperado acontece: Adriana dá de caras com Marcelo. Ainda tenta evitá-lo, fingindo que não o vê e apressando o passo, mas este alcança-a, amarrando-a pelo braço.
Marcelo – Adriana, espera. Precisamos de falar.
Adriana – Marcelo, não há nada a dizer.
Marcelo – Há sim. Eu amo-te. Sei que tu estás apaixonada pelo Alexis, mas tudo o que peço é que nos dês uma oportunidade. Eu sei que sou capaz de te fazer feliz. Vamos tentar.
Adriana – Não, Marcelo. Eu amo o Alexis como nunca amei, nem nunca vou amar ninguém. Eu não te posso enganar e fingir que acho que pode resultar. Porque não pode. A única coisa que eu sinto por ti é uma amizade, que eu tenho medo que estragues com esta obsessão de sermos mais do que amigos.
Marcelo – Adriana, o Alexis não te merece.
Nesse mesmo momento, Alexis e Cesc aparecem na Praça, vindo nitidamente em direção a Adriana e Ana, o que faz Marcelo perder as estribeiras.
Marcelo – É este gajo quem queres contigo? Alguém que te abandonou a ti e ao vosso filho?! Grande marido e pai, sem dúvida alguma!
Alexis – Mas quem pensas que és para falar de mim? Quem anda atrás de uma mulher casada e que vai ser mãe de um filho que não é teu és tu, não eu! Que moral tens para falar?!
Marcelo – Se eu ando atrás da Adriana é porque ela e o filho dela precisam de alguém que tome conta deles e não que faça constantes birras e fuja!
Alexis – Tu deves querer apanhar!
Marcelo – E vais ser tu a dar-me, é isso?!
Alexis – É que nem peças duas vezes!
Marcelo – Grande homem que ele é! Abandona a família e ainda quer bater em quem tem capacidade para tomar conta dela!
Alexis não se contém e dá um murro a Marcelo, dando início a uma cena de pancadaria. Ana e Cesc tentavam separá-los, sem sucesso. Adriana encontrava-se bastante aflita.
Adriana – Parem, por favor, parem! Chega! Vocês vão-se magoar a sério!
Adriana continuava cada vez mais nervosa até que cai inanimada no chão. Marcelo e Alexis param de imediato e focam-se nela. Ana tentava reanimar Adriana que continuava desmaiada no chão.
Ana – Chamem uma ambulância JÁ!
Cesc pega de imediato no telemóvel e chama uma ambulância, que 3 minutos depois já se encontrava no local. Adriana continuava inanimada e a sua pulsação começava a tornar-se cada vez mais fraca. Os paramédicos puseram-na numa maca e levaram-na para dentro da ambulância, enquanto isso Ana pediu um favor a Cesc.
Ana – Cesc…
Cesc – Sim?
Ana – Preciso de um favor teu.
Cesc – Diz.
Ana – Podes ficar com a Esperanza enquanto que eu vou com a Adriana para o hospital. Por favor. Eu mando uma mensagem às meninas e elas vêm logo ajudar-te. Mas…
Cesc (interrompendo-a) – Eu fico com ela. Não te preocupes.
Ana – Obrigada.
Ana deu um beijo na testa a Esperanza e foi para dentro da ambulância.
Cesc (para Esperanza) – Tens mais sorte do que eu! Eu já não me lembro de ter um beijo dela. Vamos mas é para casa.
Enquanto que Cesc falava com a pequena Esperanza, já Ana estava dentro da ambulância com Adriana e Alexis já tinha apanhado um táxi para ir até ao hospital. Quando lá chegou, Ana já esse encontrava na sala de espera. Ana andava de um lado para o outro.
Alexis – Já têm notícias?
Ana – Tu és um otário, Alexis! Um parvo! Como foste capaz de fazer isto à Di que sempre te foi fiel, que aguentou tudo por ti, tudo! E tu o que fizeste? Fugiste à primeira dificuldade. És um cobarde!
Alexis abraça Ana, que chora desalmadamente nos braços de Alexis.

Três horas depois
Ana e Alexis estavam em silêncio, sentados na sala de espera. Alexis rezava, Ana recordava bons momentos com Adriana. Entretanto, um médico aproxima-se deles.
Médico – Ana Machado, familiar de Adriana Sánchez?
Ana – Sim, sou eu.
Alexis – Eu sou o marido dela. Há notícias?
Médico – Talvez seja melhor eu antes falar com a Ana em privado.
Alexis – O que é que aconteceu? Diga-me!
Médico – Ana, acompanhe-me até à minha sala, por favor.
Ana seguiu o médico. Quando estavam já sozinhos, o médico começou a falar-lhe da situação de Adriana.
Ana – Então? Como é que está a Adriana? Não me esconda nada!
Médico – A Adriana está estável, ainda inconsciente mas estável.
Ana – E o bebé?
Médico – Ana, o bebé também está estável e bem dentro dos possíveis, mas…
Ana – Mas… Por favor, diga-me!
Médico – Mas agora é uma gravidez de risco.
Ana – Que tipo de gravidez de risco?
Médico – Esta gravidez vai exigir consultas quinzenais, uma supervisão muito apertada e a Adriana vai ter que ser uma grávida perfeita.
Ana descodificava toda a informação na sua cabeça, mas sabia também que havia mais a dizer, que o médico lhe escondia alguma coisa.
Ana – Consultas quinzenais, supervisão apertada, uma grávida perfeita mas… Eu sei que está a esconder alguma coisa. Eu sinto-o.
Médico – Mesmo com todos estes cuidados a Adriana pode dar à luz um bebé morto.
Ana levou às mãos à cabeça.
Ana – Isso quer dizer que o estado de saúde da Adriana atingiu um ponto tão grave que o Thiago pode não resistir mesmo dentro dela.
Médico – Exatamente. Eu já estou a procurar a melhor maneira de falar com a Adriana.
Ana – Eu falo com ela.
Médico – Tem a certeza?
Ana – Sim, tenho. Posso vê-la?
Médico – Claro. Ela em breve deverá acordar.
Ana – Então, eu vou só falar com o…marido dela e vou já para o quarto dela. Muito obrigada por tudo, Doutor.
Médico – De nada. Tomem bem conta dela.
Ana saiu e foi até à sala de espera, onde Alexis a esperava.
Alexis – Como é que ela está?
Ana – Viva, se é isso que queres saber.
Alexis – Ana, eu sei que errei, mas…
Ana (interrompendo-o) – Mas, Alexis? Mas?! O Thiago pode morrer nos próximos meses e tu ainda dizes “mas”?!
Alexis – O Thiago o quê?
Ana – A gravidez tornou-se uma gravidez de risco! A Adriana vai necessitar de consultas quinzenais, repouso, supervisão redobrada e mesmo assim pode dar à luz um bebé morto.
Alexis senta-se no banco bastante perturbado.
Ana – Desculpa, Alexis, desculpa. Eu estou muito nervosa. Mas custa-me ver como trataste a Adriana. Eu agora vou tentar ir até ao quarto dela e dar-lhe as notícias.
Alexis – Posso ir?
Ana – É melhor não. Ela tem de ter cuidado com as emoções. Eu tento-a preparar e depois chamo-te.
Alexis – Obrigado.
Ana foi até ao quarto de Adriana, que cerca de 45 minutos depois acordou.
Adriana – Thiago…
Ana – Calma, Adriana, está tudo bem.
Adriana – Ele está mesmo bem?
Ana – Sim, está.
Adriana – Tenho sede. Posso beber?
Ana – Claro.
Ana deu-lhe o copo de água e Adriana bebeu um pouco.
Adriana – Ana, eu tenho de falar com o Alexis.
Ana – Adriana, sabes que tens calma. Que não te podes enervar, não sabes?
Adriana – Sendo assim é melhor escrever. Passas-me papel e caneta?
Ana deu-lhe papel e caneta. Adriana escreveu e pediu a Ana que entregasse o papel a Alexis. Ana assim o fez.
Ana – A Adriana acordou e pediu-me para te entregar isto. Foi ela que escreveu.
Alexis – Obrigado.
Ana retirou-se e Alexis começou a ler.
Alexis – “Alexis…”

O que dirá na carta?
Haverá reconciliação à vista?
E Cesc? Estará a desenrascar-se com Esperanza?

Esperamos que tenham gostado! Pedimos que COMENTEM os capítulos. Porque é o melhor que podem fazer se estão a gostar da fic.