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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pedidos IMPORTANTES!



Olá!

Tenho uns pedidos a fazer! POR FAVOR, NÃO IGNOREM!!!

Primeiro, ponham like nesta foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=202248136589980&set=a.202248113256649.1073741830.195462080601919&type=1&theater É de uma amiga de uma amiga minha xD Faltam 200 votos para atingir a primeira classificada. Portanto, se puderem, peçam aos vossos amigos! Era muito importante! Por favor, não custa nada, é só um like! O concurso está aberto apenas até domingo.

Segundo pedido: uma escritora, nova neste mundo, pediu-me para divulgar a fic dela: No Final o Sol Brilha Já li e agradou-me o início da história. É com o Rodrigo Moreno!

Por último, e talvez o que vos interesse mais: espero postar este fim-de-semana na fic Barcelona com muitas emoções! Os meus testes vão acabar sexta (depois é só estudar para exame!) e vou fazer umas noitadas para vocês!

Já sabem, votem, espreitem a fic da Beatriz e esperem novidades minhas. Vá, não custa nada (principalmente o primeiro pedido. Um simples like!)


Besazoooo
Ana Santos

quinta-feira, 2 de maio de 2013

137 - "Alexis, acabou. Acabou mesmo"



Este capítulo vem com “banda sonora”, isto é, a lista de músicas que está a tocar foi pensada segundo as emoções do capítulo. Espero que gostem ;)




(Adriana)

Após aquela terrível e derradeira discussão com o Alexis, decidi afastar-me. Apanhei um avião para os Estados Unidos e aceitei uma grande e ousada proposta que me tinham feito há algumas semanas atrás: fotografar nua para a Harper’s Bazaar.
Tinham-me feito a proposta no mesmo dia do meu primeiro desfile pela Victoria’s Secret. Ainda era casada com o Alexis, ainda tinha a infundada e estúpida esperança de que o nosso casamento tivesse solução. Deixei a proposta em standby já que tinha plena noção de que era a última coisa que o nosso casamento precisava naquele momento. Nunca aceitaria um trabalho destes sem o consentimento do Alexis. Por muito que ser modelo seja o meu trabalho e que o meu futuro se desenvolva numa área em que a roupa não é abundante, isto era diferente. Era posar nua. Aqui sim aceitaria os ciúmes do Alexis, aceitaria que ele não concordasse, aceitaria não fazer o trabalho caso fosse essa a sua vontade.
Gostava de não ter aceite esta proposta… Era sinal que estávamos juntos, que estávamos bem ao ponto de conseguirmos tratar do assunto como um casal. Mas isso já não era uma realidade. Nunca mais seria…
A sessão foi difícil, não nego, mas foi ao mesmo tremendamente gratificante. Senti-me confiante, segura, regenerada, forte. Posso dizer que, pela primeira vez depois do divórcio, me senti mulher. Era um verdadeiro desafio. Apenas eu, umas botas pretas e a fotógrafa… Tinha de deixar o constrangimento de parte e tentar passar uma postura confiante, sensual. O resultado foram 5 fotos a preto e branco, onde apenas umas botas de cabedal preto figuravam no meu corpo numa revista com mais de 500 páginas.
Contrastando com toda a minha dinâmica profissional, tinha a minha vida pessoal. Os Estados Unidos são horríveis. É horrível estar sozinha numa cidade tão grande, num hotel tão grande, num quarto tão grande. É impossível ignorar a solidão em que me encontro. Tudo o que tenho é o Thiago e quando viajo não o posso levar comigo. Penso que neste momento, o Alexis não se oporia a que o trouxesse comigo por uns dias, mas isso implicaria uma conversa entre nós…
Esta solidão arrastava-me para um buraco negro, onde me sentia dominada por sentimentos devastadores. Queria que tudo fosse diferente. Não me sentia bem comigo própria. Queria tê-lo. Sentia-me um autêntico verme. Era esse mesmo o título da música que ultimamente ouvia a toda a hora. A caminho do trabalho, no ginásio, nas corridas matinais, ao acordar, ao adormecer…


When you were here before [Antes, quando tu estavas aqui]
Couldn't look you in the eye [Não conseguia olhar-te nos olhos]
You're just like an angel [Tu és como um anjo]
Your skin makes me cry [A tua pele faz-me chorar]


You float like a feather [Tu flutuas como uma pena]
In a beautiful world [Num mundo bonito]
I wish I was special [Eu queria ser especial]
You're so fucking special [Tu és tão especial]


But I'm a creep, I'm a weirdo [Mas eu sou um verme, sou uma esquisita]
What the hell am I doing here? [Que raio faço aqui?]
I don't belong here [Não pertenço aqui]


I don't care if it hurts [Não me importa se dói]
I wanna have control [Eu quero ter controlo]
I wanna a perfect body [Eu quero um corpo perfeito]
I wanna a perfect soul [Eu quero uma alma perfeita]


I want you to notice [Eu quero que tu te apercebas]
When I'm not around [Quando eu não estiver por perto]
You're so fucking special [Tu és tão especial]
I wish I was special [Eu queria ser especial]



Todos estes sentimentos acabaram por rapidamente me arrastar de novo até Barcelona. Precisava de ter gente à minha volta! E depois da bomba que a Ana há uns dias atrás me contou era imperativo voltar à minha cidade. Ainda achava inacreditável tudo o que havia acontecido. Não conseguia imaginar sequer o que passava pela cabeça do Tiago…
Tinha acabado de entrar em casa, tinha fechado a porta há segundos, quando a campainha tocou freneticamente. Fiquei de imediato assustada. Quem quer que fosse, estava à minha espera…
Abri a porta, ainda que receosa, e de imediato senti um espasmo a invadir-me perante aquela imagem.
- Perdoa-me. Sei que fui estúpido. Agora percebo isso. Por favor, perdoa-me.



(Alexis)

Assim que assimilei tudo o que via, um laivo de raiva me invadiu. Ela tinha mentido. Ela tinha inventado a morte do próprio pai!

- Alexis, está tudo bem? – perguntou vendo a minha expressão confusa num misto de deceção, arrependimento e ódio, muito ódio.

- Não, não está. A sua filha chegou a Barcelona e disse-me que o senhor tinha morrido – vi o choque estampado no seu rosto – Aproveitou-se disso para me manipular e…eu deixei-me ir. O meu casamento… Ela fez-me acabar com o meu casamento!

- Não! A Blanca não o faria!

- Faria... E a prova disso é que o fez! Ela disse-me que o senhor tinha sido cremado! Tudo parar que eu não desconfiasse de nada. E não desconfiei...

- Mas...mas porquê? É vergonha de mim?

- Não, claro que não! - desmistifiquei de imediato - Ela fê-lo apenas para se aproximar de mim. Para que eu baixasse a guarda. E eu baixei...

Após mais alguns minutos a encaixar as peças num intenso crescente de raiva dentro de mim, acabámos por sair em direção à casa da Blanca.

- Alex... - assim que viu o pai, petrificou não conseguindo sequer pronunciar todo o meu nome.

- E eu que pensava que só Cristo havia ressuscitado...

- Alexis, não é nada do que estas a pens...

- É, Blanca, é o que estou a pensar - disse, interrompendo-a - Metes-me nojo!

- Alexis, por favor...

- Cala-te, Blanca, da tua boca não quero ouvir mais nada. Nem agora nem nunca. Tudo se limita a mentiras e mais mentiras! Nunca mais me olhes, nunca! - virei costas com intenções de me ir embora, mas ainda tinha algo a dizer - E escreve o que te vou dizer - exigi olhando-a dominado pela fúria -  Vou recuperar a minha família, vou recuperar a Adriana!

Saí dali rapidamente. Para mim ela tinha morrido. Enfiei-me no carro e conduzi para o apartamento da Adriana. Quando deixei o Thiago com a Ana para espairecer um pouco, ela comentou comigo que a Adriana voltava ainda hoje de Nova Iorque. Esperei durante horas por ela... Tentava distrair-me explorando as notícias do momento através do telemóvel. Foi numa dessas "explorações" que encontrei o link "Ex-mulher de Alexis Sánchez nua para revista norte-americana". De imediato acedi à página e me deparei com 5 fotografias da Adriana completamente nua. Apenas umas botas figuravam no seu corpo. 








Fiquei num curto estado de choque. Ela tinha mudado ou eu apenas não a conhecia? Não. Eu conhecia-a. Ela era assim. Forte, segura, confiante, surpreendente. E eu tinha tentado cortar-lhe as asas. Como tinha deixado que a Blanca me manipulasse? Como? Como confiei mais nela do que na mulher que amo?
As horas passaram. As palavras batalhavam dentro da minha cabeça. Tentava ensaiar discursos e discursos, mas nenhum parecia ter sentido. Nada tinha sentido! O que eu tinha feito não tinha sentido algum. Queria apenas voltar uns meses atrás…
Vi um táxi estacionar em frente ao apartamento da Adriana, para no segundo seguinte a ver sair e a recolher as suas malas. Sentia-me nervoso. Uma mescla de nervosismos diferentes me assolava. Estava nervoso por não saber o que lhe dizer, estava nervoso por sentir que não obteria o meu perdão. Sabia bem que não o merecia. E a juntar a todo a este nervosismo, existia ainda aquele estranho nervoso miudinho… Aquele que vinha acompanhado das borboletas no estômago, daquele calor a alastrar-se sofregamente pelas entranhas. Estava apaixonado. A nossa paixão nunca se havia transformado apenas em amor. Remanescia aquela chama dos primeiros tempos. Aquela chama que tornava tudo especial, que proporcionava aquela felicidade que não cabe dentro de nós por maiores que sejamos. E eu tinha desperdiçado tudo isso.
Saí do carro e toquei à campainha. Em segundos, a porta abria-se e o choque dominava a expressão da Adriana.

- Perdoa-me. Sei que fui estúpido. Agora percebo isso. Por favor, perdoa-me.

As palavras saíram abruptas, descoordenadas, impensadas, roçando o ridículo.

- Que dizes? – perguntou confusa.

Respirei fundo tentando chamar um pouco de razão e discernimento.

- Adriana, preciso que me oiças por uns minutos. Por favor – supliquei com o desespero visível na minha voz.

Ela desviou-se um pouco da porta, num subtil convite para que entrasse. Entrei e notei que a Adriana me seguiu os passos.

- Senta-te – convidou num nítido desconforto.

- Não vale a pena. Não conseguiria estar sentado por muito tempo.

Esperei uma resposta que não chegou, tendo o silêncio constrangedor tomado o poder.

- Adriana – suspirei – Sei que nada que vá dizer apaga o que fiz, mas peço que me oiças até ao fim. Preciso de te dizer tudo isto.

- Fala – disse num forçado tom frio e distante.

- Fui injusto. Joder - sussurrei, passando a mão pela testa com um pânico silencioso a dominar-me. O que diria? – No dia em que ela me disse que o pai tinha morrido…senti pena. Desarmou-me de qualquer tipo de defesa que eu tivesse preparada para o eventual regresso dela – suspirei – No dia em que saiu a tua edição da Cosmo, lembro-me de…ela ter dito que tinha medo de que aquilo viesse a estragar o nosso casamento. Começou a dizer que o mundo da moda mudava as pessoas, que te acabarias por esquecer da família, que acabarias por mudar – recordava incrédulo com a minha ingenuidade – E eu acreditei. Acreditei porque já tinha visto isso acontecer. Ou pelo menos pensava que tinha visto… - ela olhou-me confusa, ainda que sem pronunciar um única palavra e eu apressei-me a explicar o meu devaneio – Via na moda a explicação para o que tinha supostamente acontecido. Atribuí à moda a responsabilidade da suposta mudança da Blanca. Da ambição desmedida que a tinha feito fugir do Chile com o meu dinheiro. Queria a todo o custo encontrar uma explicação para aquilo. Simplesmente não queria acreditar que ela pura e simplesmente fosse má pessoa. Convenci-me de que tinha sido a moda a torná-la…assim. E quando ela me começou a encher a cabeça, a reconhecer que a moda a tinha mudado, a dizer que isso aconteceria contigo também se eu não agisse… Eu tive medo. Medo de te perder. O medo de te perder…

- Foi maior que a tua confiança em mim – atirou com uma inegável mágoa na voz.

- Desculpa, Adriana. Lamento tanto. Lamento as coisas que disse, as coisas que fiz. As chantagens, as discussões, todas as parvoíces. Desculpa. Desculpa… - repeti num suspiro, baixando a cabeça – Perdoa-me.

- Não – aquela palavra fez estremecer todo o meu corpo. A Adriana levou a mão ao meu queixo, obrigando-me a encará-la – Não perdoo. Não podes apenas…chegar aqui e esperar que meras palavras apaguem tudo…o que aconteceu. Minaste o nosso casamento por completo. Sinceramente…não sobrou nada.

- Não digas isso – implorei, agarrando as suas mãos que rapidamente afastou das minhas – O Thiago é fruto do nosso casamento, do nosso amor. Não podes dizer que não sobrou nada. Não podes dizer que não podemos reconstruir o que…

- Destruíste – atirou interrompendo-me – Não só destruíste o nosso casamento, como destruíste parte de mim. Admito, admito que também tive culpa. Admito que talvez tenha sido…impulsiva em determinados momentos. Mas tinha de escolher… Entre mim e o nosso casamento. E por muito que seja egoísta, escolhi-me a mim. Não podia abdicar dos meus sonhos por…caprichos. Conheces-me, Alexis. Sabes que entre família e trabalho nunca teria dúvidas em optar pela minha família. Mas a questão não era essa. Eu podia ter as duas. Era possível, era fácil, era bom. Mas tu eras uma ameaça a tudo isso. Ceder à tua chantagem seria morrer como mulher. Optei por morrer como esposa. Não foi fácil. Mas sinceramente não foi tão difícil como julgava – neste momento vislumbrei a sua primeira lágrima, enquanto o meu rosto estava já encharcado – Não me interpretes mal. Não houve uma noite em que não sonhasse contigo, não houve um dia em que não pensasse em ti. Perdi a conta às vezes em que todos os nossos momentos me passaram pela cabeça. Os momentos em que desejei ter-te a meu lado. Lembro-me de estar na enorme suite em Nova Iorque e me sentir tão sozinha, como desejava poder ligar-te, ouvir a tua voz… E no dia em que subi à passerelle, foi tudo tão…controverso. Tinha medo. Tinha medo que tudo corresse mal. E mesmo que chovessem mensagens de apoio…sentia-me sozinha. Porque nenhuma delas era tua. Senti-me tão estúpida por ter tido esperança de que…me ligasses, sei lá, talvez apenas uma mensagem. Mas não apareceu. Senti-me abandonada quando subi. Como se fosse uma prova à minha sobrevivência. E depois…quando cheguei aos bastidores e me olhei ao espelho… - largou um sorriso visivelmente perdida em recordações – Estava orgulhosa. Sentia-me realmente viva. Era…como se tivesse provado a mim mesma que iria sobreviver…sem ti. Há dias mais difíceis do que outros mas…eles passam. E eu continuo de pé. Às vezes até voo. Porque sou livre – atirou – Sou livre porque naquele dia bati a porta. Porque assinei aquele papel. Porque não deixei que me dominasses. Porque o casamento não é isso. Não é domínio, é igualdade, é partilha. E isso já não existia no nosso casamento. Estamos melhor assim. Acredita. Ou pelo menos tenta. Como eu.

- Não posso desistir. Não consigo – disse com a voz a falhar-me.

- Alexis, acabou. Acabou mesmo. Por favor, não tentes fazer-me ceder. Se o fizesse iria arrepender-me. Não és homem para mim e eu não sou mulher para ti.

- Adriana…

- Por favor, tenta…facilitar as coisas! – implorou com algum desespero.

- E…e o Thiago?

- É difícil… Mas eu gostava que pudéssemos ter uma boa relação. Acho que é essencial para o crescimento do Thiago.

- Dá-me uma oportunidade – supliquei, pegando-lhe nas mãos.

- Alexis, por favor… - afastou as mãos das minhas – Vamos tentar ser…não digo amigos, mas vamos tentar construir uma relação saudável pelo nosso filho, mas nada mais do que isso. Não posso, não quero.

Deixei escapar um suspiro profundo. Sentia-me cansado, fraco. Sentei-me no sofá, mirando o chão.

- Posso fazer-te apenas mais uma pergunta? – pedi encarando-a.

- Podes – respondeu ainda que um pouco insegura.

- Se nós fossemos casados, se o nosso casamento estivesse bem, ter-te-ias despido para aquela revista se eu te tivesse pedido que não o fizesses?

- Não – respondeu rapidamente – A proposta foi-me feita há muito tempo e só não decidi mais cedo porque…alimentei a estúpida esperança de podermos voltar – estremeci ao ouvi-la – E não queria fazer aquela sessão sem a tua opinião – suspirou, acabando por sentar-se na ponta do sofá – Era diferente do meu trabalho como modelo. E eu perceberia se…tivesses ciúmes. Teria isso em conta. E se me pedisses para não o fazer, não o faria.

- Fui tão estúpido… - reconheci.

- Pois foste. Mas agora é tarde para reconhecer isso – atirou rispidamente – Se não te importas…

- Claro – disse, levantando-me, apercebendo-me do pedido dela – Queres que te traga o Thiago já hoje ou preferes descansar?

- Queria vê-lo mas estou demasiado cansada. Amanhã passo por lá para ir buscá-lo.

- Ok – assenti. Após uns segundos de silêncio encaminhei-me para porta – Adriana – chamei-a já com a porta aberta e pronto a sair – Estavas deslumbrante na revista.

Ela esboçou um tímido sorriso e virei-me para sair.

- Alexis – o chamamento dela fez-me tornar a olhá-la – Não me podes recuperar, mas há pessoas que podes…

Sabia bem a quem se referia. Assenti e saí. Peguei no carro com um misto de emoções a invadir-me. O que tinha eu feito?! Estava determinado a ir falar com o Thiago. Ele era a primeira pessoa a que eu devia um pedido de desculpas. Cheguei ao cruzamento onde tinha de optar: ou virava para casa dele ou virava para minha casa. Sabia qual era o meu dever. Mas…Não conseguia. Virei para casa e a cada quilómetro que percorria odiava-me cada vez mais ao mesmo tempo que tudo parecia mais fácil. Entrei em casa e como sempre olhei a enorme tela que figurava na sala. Uma foto do meu casamento…
Tinha-o desperdiçado por ser fraco e agora estava a sê-lo novamente. Segui para a casa de banho e passei água fria pelo rosto. Levantei o olhar e vi o meu reflexo no espelho.

- Será que não aprendes à primeira?!

Saí rapidamente e conduzi para casa do Thiago. Respirei fundo antes de conseguir tocar à campainha. Apenas queria sair dali. A minha fraqueza queria dominar-me. Mas não. Desta vez não iria ceder. Toquei à campainha e durante os escassos segundos em que a porta não se abriu, a vontade de fugir foi enorme.

- Alexis… - o Thiago não escondeu a surpresa por me ver ali.

- Podemos falar?

- Claro. Entra.

Entrei e segui para a sala acompanhado por ele.

- Thiago… - comecei chamando toda a coragem até a mim – Vim aqui para pedir-te desculpas.

Ele enrugou a testa visivelmente surpreendido com as minhas palavras.

- Sei que não agi bem quando te bati…aquelas duas vezes.

Ele continuava a olhar-me petrificado.

- Joder, Thiago, tudo isto é difícil de admitir. Preferia estar a dar-te outro murro, acredita! Mas tu não tiveste culpa. Ou pelo menos não a maior parte dela. Eu sou o culpado disto tudo. Eu fiz a asneira, eu perdi a Adriana.

- Alexis, eu não devia tê-lo feito. Não devia ter aliado a minha fragilidade à da Adriana. Foi um erro. Sei disso.

- Apenas quero esquecer isso. Não significa nada – passei a mão pela cabeça – É apenas um pormenor… Desculpa, Thiago.

- Esquece isso, Alexis. Está tudo bem. Está mesmo – repetiu olhando-me.

- Gracias. É importante ter o teu perdão.

- Como estás? – perguntou assim que nos sentámos à mesa da cozinha com uma cerveja na mão.

- Mal. Deixei-me manipular pela Blanca…e perdi a Adriana. E só agora o percebi. Como é que pude ser tão estúpido?! – indignei-me – Perdi-a. Perdi-a para sempre.

- Alexis, se a amas, tens de lutar por ela.

- Estive há pouco com ela. Ela não me dá outra oportunidade – contei.

- Alexis, por favor, esperavas o quê?! Depois destes meses de tanta estupidez, porque não há outro nome para dar ao que se passou, achavas que bastava pedir desculpa e ela voltava? – aquelas palavras abanaram-me – Magoaste-a. Um simples desculpa não chega! Não chega reconhecer que erraste! Tens de reconquistá-la! Reconquistar a confiança dela. Porque, mano, ela ama-te. Não duvides. Ela é louca por ti! Mas não ser louca não significa ser masoquista.

- Achas que tenho hipóteses?

- Duvidas, Alexis?

Aquela pergunta deixou-me pensativo. Teria de facto alguma hipótese?



(Tiago)

Todo o meu corpo tremia com aquilo que via.

- Não te atrevas a dizê-lo – ordenei de imediato.

- Como posso não o dizer? – perguntou com a voz a falhar-lhe e os nossos olhos a flamejar com aquela imagem – É ela.

- Não pode! – neguei tentando controlar aquele laivo de ilusão que me sufocava – Ela morreu. Ela morreu! – repetia tentando quase convencer-me da realidade.

- É ela.

- Não pode ser. Não é humanamente possível!

- Chama-a.

- Não… Não posso fazê-lo. Porque não é ela.

- Tu sabes que é ela. Chama-a, Thiago, chama-a! Chama-a! – tornou a berrar-me.

- Joana! – gritei com a adrenalina a correr-me nas veias.

A mulher que nos olhava petrificada começou a correr na nossa direção. Era ela. Era ela! Sabia-o! Comecei também a correr, desejando poder ser muito mais rápido para encurtar instantaneamente aqueles curtos (mas para mim longos) metros que nos separavam. Os nossos corpos chocaram violentamente, unindo-se com o desejo de nunca mais se separarem. Aquele toque, aquele cheiro…





Recordações

- Posso pagar-te uma bebida?

- Não arranjas melhor maneira de me tentares levar para a cama?

Soltei um sorriso com a sua irreverência.

- Hum e se eu não quiser levar-te para a cama? Pelo menos para já… – ela esboçou um sorriso divertido – Como faço?

- Começa talvez por me dizeres como te chamas e perguntar como me chamo – brincou.

- Sou o Tiago e tu?

- Joana.

- Hum e agora o que faço?

- Agora é a parte em que te digo que não te vou fazer a papinha toda – atirou antes de pagar e sair.


***

- O que é isso?!

- Um anel. Pensei que sabias… - brinquei.

- Deixa de ser parvinho – deu-me uma palmada no braço – Para que é isto?

- Para festejar o nosso primeiro aniversário, claro! Gostas?

- Do anel ou de ti?

- Eu disse gostar, não amar. Portanto estou a falar do anel, claro!

- Amar? Bem, sempre ouvi dizer que presunção e água benta…

- Presunção? Vais dizer que não me amas? – fingi-me indignado.

- Hum…amo…amo um bocadinho…

- Um bocadinho? De que tamanho é esse bocadinho?

- Hum não sei… Está-me a dar uma branca.

- Uma branca? Achas que uns beijos podiam ajudar? – aproximei os nossos rostos, roçando os nossos narizes.

- Não faz mal tentar – disse, roubando-me um beijo. E outro… E outro…


***

- Joana, não insistas.

- Como posso não insistir? Ele bate-lhe!

- Não vamos meter-nos na vida deles.

- Tiago, ela é tua amiga. Ele bate-lhe. Como podes não fazer nada?!

- Joana, vamos apenas preocupar-nos com a nossa vida. É o que fazemos de melhor! – disse, tentando, sem sucesso, encerrar aquele assunto.

- Se não fizeres, faço eu!

- Joana, tu não vais fazer nada. O Pedro é perigoso.

- Então admites!

- É complicado…

- Então explica-me!


***

- Ou sais daqui ou chamo a polícia! – gritou do outro lado da porta.

- Passei aqui a noite, portanto se quiseres chama! Pouco me importa – respondi.

Ela, surpreendentemente, abriu a porta, acabando por me fazer tombar, já que estava sentado encostado a ela.

- Sabes, eu odeio-me, Tiago. Juro que odeio. Como podes compactuar com isto?! Como?! Ele ter-te “salvo” – vi-a fazer o gesto de aspas com os dedos – da rua não significa que te tornes igual a ele.

- Eu não…

- És! – gritou interrompendo-me – És! Porque também a violaste, porque também lhe bateste. E pior, assistes a isto há meses e meses e não a tiras daqui!

- Não posso…

- Podes! – berrou – Podes mas não tens coragem! Não lhe deves fidelidade alguma. Porque ele está a tornar-te num monstro! E eu odeio-me por amar um monstro como tu. Agora sai daqui!

- Joan…

- Sai! – ordenou.


***


- Onde estiveste estes seis meses? Senti tanto a tua falta! Fugiste de mim? Do monstro em que me tenho tornado?

- Não faças perguntas. Apenas…aceita-me de novo – implorou passando a mão pelo meu rosto, enquanto fixava os meus olhos.

- Estiveste com outra pessoa? – perguntei com o desespero a preencher-me.

- Não, não, não! – respondeu de imediato – Não aconteceu nada…mau. Mas não te posso contar. Há demasiado em jogo.

- Mas…

- Por favor, confia em mim – pediu, agarrando as minhas mãos.


***


O meu olhar voou para a Joana assim que o som terrificante daquele tiro se fez ouvir. Vi o seu corpo tombar violentamente. Corri de imediato até ela, ajoelhando-me a seu lado.

- Joana, tem calma – dizia por entre lágrimas desesperadas – Está tudo bem. Vai ficar tudo bem – dizia agarrando o seu corpo entre os meus braços.

Percebia que queria falar e notava a sua frustração por não conseguir fazê-lo. A cada segundo que passava ela parecia cada vez mais longe de mim.

- Não me deixes, não me deixes – suplicava.

- Rodrigo – sussurrou antes de deixar que os seus olhos se fechassem.

- Temos de ir – o Pedro puxava-me pelo braço, mas recusava-me a deixá-la.

- Não posso.

- Não há tempo. Vamos embora! A polícia está a caminho. Se nos apanham, vamos dentro.

- Não vou deixá-la!

- Ela está morta.

- Não!

- Anda embora – ele tornou a puxar-me – Anda! – disse agora gritando, mostrando que não era um pedido, mas uma ordem.


***


- A Joana deixou parte de si contigo – as palavras da Ana não faziam qualquer sentido na minha cabeça.

- Ah?

- A D. Graça veio ter comigo. Ela esteve sempre com a Joana. Naqueles 6 meses que ela desapareceu ela…esteve grávida – todo o sangue me escapou das veias – Tens um filho, Tiago.

Filho? Eu era…pai?


******

Todo o meu corpo tremia enquanto a agarrava com todas as forças que tinha. Tinha tanto medo de ver tudo desaparecer como se de um simples sonho se tratasse. Sentia as lágrimas dela caírem sobre a minha pele e ouvia a sua respiração ofegante misturar-se com a minha. Sentia as suas unhas cravadas nas minhas costas, apertando-me tão fortemente que me sentia quase sufocado.

- Isto não é real – disse com a voz a falhar-me.

- É, acredita que é. Eu estou aqui.




Arranjei forças para a largar de forma a poder olhá-la. Passei as mãos pelo seu rosto inúmeras vezes de forma atrapalhada, descrente…

- Mas…como? – fiz a pergunta que me dominava.

- É…uma longa história – suspirou – Mas antes…

Não deixei que ela terminasse a sua frase. Sabia o que diria. Era o que eu queria dizer, era o que eu queria fazer. Agarrei fortemente o seu rosto entre as minhas mãos e beijei-a. Beijei-a não apenas com vontade, mas com necessidade. Necessidade de sentir que tudo aquilo era real, necessidade de deixar para trás todo o sofrimento causado pela sua morte.




- Agora…dá-me explicações – implorei assim que conseguimos separar os nossos lábios.

Ela respirou fundo e agarrou fortemente as minhas mãos.

- Aqueles seis meses em que eu…

- Essa parte eu sei. A D. Graça contou-me tudo. Sei que estiveste grávida, sei que estiveste longe para proteger o Rodrigo, sei que…

- Como é que ele está? – perguntou de imediato sem deixar que eu prosseguisse.

- Está bem. É lindo, é esperto. Mas agora… agora eu preciso que me expliques. Preciso!

- No dia em que levei o tiro…

- Eu pensei que tu… Eu abandonei-te! – disse com desespero, interrompendo-a.

- Eu tive uma paragem cardiorrespiratória. Tiveram dificuldades em reanimar-me e eu…acabei por entrar em coma.

- Estiveste em coma?! – a surpresa dominou-me por completo.

- Sim. Até há seis semanas atrás. Quando acordei…estava sozinha. E quando perguntei como tinham sido os meses em que estive em coma, percebi que estive sempre sozinha. Pensei…que me tinhas abandonado. Até que…não sei como vi a Ana numa revista. Vi o teu nome. Tinhas sido libertado. Mais umas pesquisas e percebi tudo o que tinhas feito, onde estavas. Recuperei e vim procurar-te.

- Desculpa, desculpa! – tornei a abraçá-la – Eu amo-te! Tanto, tanto, tanto!

- Eu também te amo!

Ela afastou os nossos corpos e beijou-me uma e outra vez.

- Vou tomar conta de ti. Aliás, de nós, da nossa família. Eu prometo – disse agarrando o seu rosto entre as minhas mãos e fixando-a nos olhos.

- Eu acredito. Confio em ti.

Abracei-a novamente e após vários e repetidos beijos consegui finalmente sentir-me feliz. Começava a acreditar em tudo o que estava a acontecer. Acabámos por focar o nosso olhar na Ana que nos olhava com um sorriso, com uma mão a “segurar” a barriga e a outra empenhada em limpar as lágrimas que teimavam em cair.

- Não me olhem assim. Estou grávida, sou sensível!

A Joana desfez-se dos meus braços e foi ao seu encontro, abraçando-a.


(Ana)

- Obrigada por tudo! – sussurrou-me.

- É inacreditável… - disse ainda a tremer.

- Não vamos falar mais da minha “ressurreição” – pediu divertida – Com que então Cesc Fàbregas?

- Quem diria, não?

Começávamos a caminhar para fora do parque. Ia abraçada à Joana que levava o Tiago como “atrelado”.

- E a tua menina como está? Sim, porque já sei que é menina!

- Nem imagino como – brinquei – Está ótima. Mais um mesinho e já cá está.

- E o Rodrigo? Como é? Como está?

- Está lindo como o pai – atirou o Tiago.

- Hum hum… Confirmo que está lindo mas sinceramente acho que sai à mãe – a Joana abriu um sorriso com as minhas palavras.

- É verdade – admitiu o Tiago.

Continuámos a caminhar para casa. Não conseguia imaginar sequer a ansiedade que a Joana sentia.


(Joana)

Quando a porta se abriu, instintivamente “mergulhei” para dentro de casa à procura do Rodrigo. Encontrei-o sentado em frente à televisão que fixava muito atentamente. Arrebatei-o de imediato nos meus braços. Era tão…Não tinha palavras. Era o meu menino.
Ouvi o som de loiça a partir-se e virei-me de imediato para trás. A D. Graça olhava-me petrificada agarrando o peito.

- Não é possível…


(Ana)

Estas semanas têm sido preenchidas. O regresso da Joana abalou toda a família. Tem sido fascinante vê-la recuperar a sua vida e não há palavras para descrever o quanto os olhos do Tiago brilham sempre que a vê.
Agora somos seis cá em casa, sete se contarmos com a minha princesa. O movimento é uma constante, principalmente porque nunca somos só nós. É raro o dia em que o Thiago, o Alexis, a Adriana, a Carlota, os meus pais, o meu irmão ou os pais do Cesc não apareçam por cá.
Hoje, quase por milagre, estou sozinha com o Cesc. Foram todos aproveitar os primeiros raios de sol de fevereiro. O Cesc ficou comigo por precaução. Estou pertíssimo das 40 semanas, por outras palavras, sou um balão perto da explosão. Estava na cozinha a deliciar-me com um gelado de chocolate, quando senti algo quente a espalhar-se nas minhas calças. Não… Levantei-me e fui até à casa de banho, olhei-me ao espelho e vi aquela enorme mancha nas minhas calças. Era oficial: tinham-me rebentado as águas. Fui até ao quarto da Catarina e peguei na minha mala, juntei as coisas que faltavam e fui até ao quarto trocar de calças, o que provavelmente não me valeria de muito. Com tudo feito, faltava a parte mais difícil. Respirei fundo e fui à sala.

- Cesc…

- Hum? – murmurou com os olhos focados no televisor.

- Preciso que me faças um favor.

- Diz.

- Levanta-te, desliga a televisão e pega nesta mala.

- Ah?! – perguntou olhando-me.

- Faz o que te mando!

Ele bufou e acabou por fazer o que lhe havia dito.

- É a mala da maternidade? – perguntou assim que olhou a mala que lhe havia pedido para agarrar – Tu…

- Cesc, as águas rebentaram-me.

- Oh meu Deus já devíamos estar no hospital. Tens dores? Tens contrações? E agora, o que vamos fazer?

- Francesc Fàbregas, deixa-te de pânicos! Não me dói nada, não tenho contrações nenhumas. Vais manter a calma porque quase te posso garantir que vou passar toda a noite em dilatação para amanhã a tua filha nascer. Portanto cala-te, porque estou mal-humorada!

Ele pegou na mala e descemos para a garagem. Ele conduziu até ao hospital tentando mostrar-se calmo, mesmo que fosse mais do que óbvio que “calma” era uma palavra que estava na página que o Cesc havia arrancado do seu dicionário assim que soube do meu oficial “rebentamento”.
No hospital, segui para um quarto, assim que fui examinada e se confirmou que o parto progredia de forma normal. Sentado ao meu lado, o Cesc mudava impacientemente de canal. Ainda só tinham passado duas horas…
Peguei no telemóvel e liguei à Carlota na esperança de que ela o pudesse aturar por uns minutos. Ou horas…


***


12 horas… 12 horas passaram. Estive toda a noite entre contrações e contrações. Estou exausta e não vejo a hora de ter a minha filha nos braços. Finalmente atingi os centímetros de dilatação necessários e fui transferida para o bloco de partos.
As contrações começaram a intensificar-me e foi-me administrada a epidural. A hora aproximava-se.


(Cesc)

Passei a noite em branco. Por muito que a Ana me aconselhasse a dormir, não conseguia “abandoná-la” dessa forma. A meio da manhã ela foi transferida para o bloco de partos e a ansiedade começou a crescer.

- Como estás?

- Cansada…

- Vai correr tudo bem. Estou aqui contigo – beijei-lhe a testa.

- Então, vamos a isto? – perguntou a obstetra entrando.

- Vamos!

A Ana agarrou a minha mão que nos minutos seguintes quase partiu, tamanha a força com que a apertava. Sentia-a tremer sempre que a obstetra lhe pedia para fazer força. Sentia a sua frustração crescer a cada esforço inglório. As palavras repetiam-se “Só mais uma vez. Está quase.”

- Não consigo – disse a certo ponto deixando cair a cabeça sobre a almofada – Estou exausta. Não tenho mais forças.

- Está mesmo quase. Já lhe vejo a cabeça. Mais um pouco, só mais um pouco. Prometo.

- Vamos, cariño, sei que és capaz. Só mais um pouco.

Ela respirou fundo e tornou a fazer força. Desta vez um esforço que foi recompensado. Aquele choro invadiu a sala de forma quase mágica. Mas antes que pudesse desfrutar daquela onda avassaladora de sentimentos, senti a mão da Ana largar-me e o seu corpo tombar. Os meus olhos voaram para ela e encontrei-a inconsciente. Em segundos o bloco de partos mergulhava numa agitação onde as vozes se confundiam…

- Quero o cardiologista aqui já!

- Cortem o cordão e levem a bebé daqui!

- Tirem o pai daqui!

No meio de todo aquele ruído infernal que me parecia sufocar, ouviu-se aquele “bip” estridente que fez o sangue congelar-me nas veias. O coração dela tinha parado.






Olá!

Sim, inicio com mais um pedido de desculpas. Não tenho conseguido postar e não vou estar aqui a detalhar os motivos porque se acedem a este blog é para ler a história e não as minhas dificuldades de gestão de tempo!

Peço desculpa e percebo se os comentários baixarem. Não posso pura e simplesmente falhar e depois querer comentários.

Indo ao que interessa: espero que tenham gostado do capítulo e que ele não vos tenha dececionado!


Beso
Ana Santos