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domingo, 20 de outubro de 2013

Capítulo 147 - "Eu amo-te e enquanto souber que me amas vou lutar"

147 - "Eu amo-te e enquanto souber que me amas vou lutar"



- Vem viver cá para casa comigo e com o Thiago.

- Quê?! – o espanto foi tanto que Adriana não conseguiu guardá-lo para si – Quero dizer… - Adriana tentou recuperar daquela surpresa – Acho esse…convite (?) despropositado.

- Despropositado? Não vejo porquê…

- Vamos lá ver… - Adriana fingiu-se pensativa – Ah já sei! Se calhar porque és o meu EX-MARIDO! – disse elevando a voz.

- E pai dos teus filhos – atirou Alexis de seguida.

- Isso é outra história! Não metas os nossos filhos ao barulho!

- Vais dizer que não seria muito melhor para o Thiago poder viver com os dois pais? Que eu não sou a pessoa mais indicada para estar contigo durante a gravidez? – Alexis parecia seguro, falava de forma natural.

- Alexis Alejandro, não ouses tentar manipular-me! – avisou Adriana furiosa.

- Eu? Como se fosse capaz de fazer tal coisa… - defendeu-se Alexis forçando um tom cínico e presunçoso. Aquele que deixava Adriana fula, que levava o seu humor insuportável a atingir níveis medonhos… Alexis adorava aquele humor, porque era o seu humor de grávida!

- Ai callate! Odeio quando te pões com essas coisas, Alexis!

- E eu adoro o teu humor de grávida! – “Eu não tenho mau humor!” Alexis apostava o seu salário como essas seriam as próximas palavras de Di.

- Eu não tenho mau humor!

- Claro que não… - a forma como Alexis empregou o sarcasmo deixou Adriana com vontade de lhe mandar um tijolo à cara. Sim, um tijolo! Grande e pesado!

- Eu vou-me embora – disse Adriana tentando mostrar-se indiferente.

- Di – a mão de Alexis no braço de Adriana obrigou-a a encará-lo uma vez mais – Não resisti a provocar-te um bocadinho mas…a primeira parte era bem a sério. quero cuidar de ti.

- Eu não preciso que cuidem de mim! – respondeu Adriana desprendendo-se dele bruscamente – Queres tomar conta de alguém, entretém-te com os cachorros da Luna. Agora vou voltar para a casa onde ESTOU A VIVER para estar com o MEU filho que está MUITO BEM como está!

- Vale… Mensagem recebida – murmurou Alexis, martirizando-se interiormente por não ter resistido a picar Adriana. não ia desistir…mas por enquanto ia deixá-la ir e aperfeiçoar a sua estratégia.




***

- Presumido, tonto, testaruda, cabrón, gilipollas, enoj…

- Ei ei ei ! Modera a linguagem que o teu filho e a minha filha estão a ouvir! – só a advertência de Ana moderou a fúria de Adriana.

- Aquele homem é desprezível, é…ai que nervos! – refilou Adriana atirando-se para o sofá, enquanto observava Thiago completamente focado na televisão onde passavam os seus desenhos animados favoritos. Já Lia estava sentada no colo de Ana brincando com as suas mãozinhas.

- A ecografia correu bem?

- Sim…isso sim, mas aquele… - Adriana mordeu o lábio para conseguir conter as palavras – Acreditas que veio falar do meu “humor de grávida”?! – perguntou indignada usando os dedos para fazer o sinal de aspas – Diz-me, o que é que ele sabe de estar grávida? Que eu saiba nunca carregou um puto durante nove meses, nunca teve enjoos, desejos, nada! Eu sei, eu sei que ele tem razão, mas estou…com necessidade de embirrar, de refilar. Tu sabes bem o que é…

- A sensação de ter a cabeça quase a explodir? O mau humor incontrolável? A vontade incontrolável de refilar? Eu sei… Estive grávida há uns meses atrás…

- E o Alexis só faz pior!

- O Alexis mexe contigo.

- Ana! – Adriana indignou-se.

- Oh cala-te, sabes bem que precisas de ouvi-las! – Adriana esbugalhou os olhos ao ouvir Ana. Mais alguém que estava a precisar de descarregar emoções… - O Alexis mexe contigo, mexe com o teu humor de grávida. Sempre adorou fazê-lo! E tu estás doidinha para o ter ao pé de ti a aturar-te, a realizar os teus desejos, a multiplicar a paciência dele!

- Odeio quando estás nos dias de ser demasiado sincera…

- É…eu também. A Lia está a dar comigo em louca!

- Continua a fazer aquelas horinhas de brincadeira à noite?

- Sim! juro…ela deve ser o primeiro bebé no mundo que pensa que acordar a mãe às 3 da manhã para pedir mimos durante mais de uma hora é boa ideia!

- Os bebés são muito complicados, não são, pequeño? – comentou falando com Thiago que já a havia avistado e lhe abria um sorriso enorme – Anda à mamã! – incitou fazendo gestos com as mãos.

E foi! Thiago foi de facto ao encontro da mãe, gatinhando pela primeira vez!
As tentativas tinham já sido muitas ao longo dos últimos dias, mas Thiago parecera receoso. E depois de um momento para o outro…lá estava ele a gatinhar, deixando Adriana perto de explodir de orgulho!



***


- Que cara… - o comentário de Alexis assim que Cesc entrou no carro para irem para o treino passou-lhe despercebido – Que pasa?

- Oh Alexis posso fazer-te uma pergunta? Tipo algo…mais privado – Alexis olhou-o de esguelha, não muito seguro de onde aquela conversa iria parar.

- Acho que sim… - respondeu desconfiado.

- Quanto a Di teve o Thiago, vocês demoraram muito a…voltar a normal?

- A voltar ao normal? – perguntou Alexis um pouco confuso.

- Oh Alexis no sentido…íntimo, estás a ver?

- Ahhhhh sim. O sexo.

- Sim, cavalheiro, o sexo! Vais responder ou não?

- Nem demorou muito. Cumprimos o tempo em que a Di não deveria meter-se nessas coisas e como ela estava sem dores ou desconfortos voltamos ao normal sem diferença nenhuma. Um mesito e pouco.

- Um mês… - murmurou Cesc perdendo-se em pensamentos.

- Estou a ver que não te está a correr nada bem… - comentou Alexis sem tirar os olhos da estrada.

- Nada mesmo – admitiu Cesc – Passaram três meses e nada!

- Nada?! – o tom de surpresa de Alexis deixou Cesc ainda mais frustrado.

- Nada, Alexis. Ela não se mostra minimamente interessada, bem pelo contrário…

- Eu até te aconselhava mas…não há nada que te possa dizer. Não percebo nada disso. Mas talvez a Di te possa ajudar!

- Pois…


***


- Di, tens um minutinho? – perguntou Cesc após bater à porta do seu quarto.

- Sim, entra – sussurrou apontando para o berço onde Thiago dormia a sua sesta.

- Precisava da tua ajuda – introduziu Cesc sentando-se ao pé dela na cama, vendo-a a pousar o seu livro na mesinha de cabeceira.

- Diz.

- Isto é um bocado…embaraçoso – Cesc coçou a cabeça, efeito do seu nervosismo – Desde que a Lia nasceu, eu e a Ana não…voltamos ao normal como…casal, percebes?

- Na cama?

- Sim, Adriana. tu e o Alexis têm uma sensibilidade que vou-vos contar…

- O Alexis?!

- Sim, pedi-lhe ajuda mas ele não me conseguiu ajudar. Mas isso não interessa! A Ana mudou, ela…não se mostra interessada, bem pelo contrário e eu…eu já não sei o que fazer!

- Oh Cesc, eu não tive esse tipo de problemas, mas sei que o parto pode mudar uma mulher. A Ana sente-se confortável com o novo corpo dela?

- Não acho que seja esse o problema. A Ana nunca teve vergonha do corpo dela, nem antes nem depois do parto. Despe-se e veste-se à minha frente sem quaisquer pudores!

- Então pode ter perdido a vontade!

- Perdido a vontade?! – indignou-se Cesc, levando Adriana a pedir-lhe que moderasse o tom de voz para não acordar Thiago – Perdido a vontade? – sussurrou – Mas…Adriana, como é que…

- Cesc, é apenas uma hipótese! Tens de ser paciente e ir com calma. Pode ser que ela tenha mais dificuldade em sentir prazer.

- Ir com calma… - murmurou Cesc como se memorizando aquilo.

- Devias falar com ela! Só ela te pode responder às tuas dúvidas! – aconselhou Adriana.

- Falar com a Ana sobre…isto? Eu e Ana nunca falamos muito sobre…este tipo de assuntos.

- Tu e a Ana não falam sobre sexo?!

- Shiu! Queres o quê? Que o teu filho acorde ou que isto seja a capa da Hola amanhã?!

- Lo siento – disse Adriana baixando o tom de voz – Mas isso é um problema. Deviam falar.

- Pois, gracias por me teres ouvido…


***


- Alexis?

O chamamento de Adriana bastou para ouvir o grito de Alexis como resposta.

- Estou a ir! Um minutinho!

Adriana deixou de ouvir água correr na casa de banho e deduziu que Alexis se estivesse a preparar para tomar um duche.

- Se quiseres volto, mais tarde! – disponibilizou-se Adriana com mais um grito.

- Não, não, não é preciso – respondeu de imediato Alexis, para no segundo seguinte aparecer com uma toalha atrapalhadamente presa à cintura.

Adriana sentiu-se quase…chocada com aquela imagem. Não esperava de todo encontrar Alexis naqueles trajes (ou na falta deles!). Ficou tremendamente incomodada com aquela situação. para além de ser uma situação terrivelmente constrangedora entre um ex-casal, era também um desafio ao seu autocontrolo. Há dias que Adriana andava com desejos absurdos…desejos absurdos de beijar Alexis, de despir Alexis…
Baixou os olhos, evitando olhá-lo. Se o olhasse mais uma vez, iria acabar por fazer asneira.

- Vinha só trazer o Thiago. Podia ter voltado mais tarde se tivesses pedido – refilou sem retirar os olhos do chão, criando um ambiente estranho.

- Lo siento. Não queria incomodar-te mas precisav… Ele está a gatinhar? – perguntou Alexis apontando para Thiago que gatinhava no tapete e quase deixando que a toalha lhe caísse da cintura.

- Sim…Há uns dias atrás deu os primeiros passos…Ainda está a…desenrascar-se – joder, porque estava Adriana a gaguejar? Porque é que ele não desaparecia dali e se vestia? – Olha, depois falamos, vale?

- Não, não, por favor, espera – a aproximação aflita de Alexis fez Adriana retrair-se – Dá-me 30 segundos para vestir alguma coisa. Preciso de falar contigo.

- Vale – foi a única palavra que Adriana conseguiu pronunciar.

Alexis saiu e segundos depois estava já novamente junto Adriana com uns calções e uma t-shirt vestidos, ainda com algumas gotas de água sobre o seu corpo.

- Tens um minuto? – pediu-lhe Alexis.

- Acho que sim – respondeu pouco segura, vendo Alexis a aproximar-se de Thiago e a pegá-lo ao colo, matando as saudades.

- É sobre a Ana e o Cesc. Ele falou contigo? – perguntou desviando os olhos de Thiago por instantes.

- Sim, falou.

- Eu estive a pensar sobre esse assunto.

- Esse assunto? Andaste a pensar sobre a falta de sexo dos teus amigos? Realmente que bom tema para refletires – simplesmente Adriana disse-o e quando teve consciência das suas palavras já não havia como desfazê-las – Lo siento, Alexis. Saiu-me! Hoje acordei um pouco…rabugenta – admitiu – Mas ignora o que eu disse e segue o teu raciocínio.

- Pois… Eu acho que eles estão a precisar de voltar à rotina.

- Voltar à rotina? Eles já voltaram à rotina! O Cesc trabalha e a Ana também já se começou a dedicar mais profissionalmente à fotografia.

- Sim, mas eu estou-me a referir a ti.

- A mim? – perguntou um pouco ofendida.

- Sim, a ti. eu tenho a certeza que eles fazem todo o gosto em ter-te em casa deles, mas eu acho que interferes com a vida de família deles. Não te quero ofender de forma alguma – ressalvou de imediato – Simplesmente és um elemento estranho à família, por assim dizer. Ter sempre outra pessoa por casa pode de certa forma deixá-los menos à vontade.

- Tu estás a tentar manipular-me para eu vir cá para casa – atirou de imediato Adriana sem meias palavras – Mas, vale, vamos fazer à tua maneira. Ainda hoje eu vou sair lá de casa, mas não será para vir para aqui, disso podes ter tu a certeza!

- Joder, Adriana, para! – o tom quase agressivo de Alexis fez Adriana estremecer. Thiago ficou igualmente surpreendido, acabando por olhar para o pai intrigado. Alexis pousou-o no chão e aproximou-se de Adriana que se sentiu vacilar.

- Podes passar a vida a fugir, mas eu passá-la-ei atrás de ti – a determinação com que Alexis falou fez Adriana estremecer – Não vou desistir, Adriana, muito menos agora. Muito menos agora que o Thiago se começa a aperceber que algo está mal, agora que temos outro filho a caminho. Não me interessa se ando a rastejar a teus pés, não me interessa se já merecia o teu perdão há algum tempo, não me interessa que as tuas atitudes me magoem a cada dia. Eu amo-te e enquanto souber que me amas vou lutar.

O olhar de Alexis estava bem preso ao de Adriana, quase lhe invadindo a alma. Adriana limitou-se a baixar o olhar, dar um beijo a Thiago e sair sem voltar a encarar Alexis.



***


Alexis estava a brincar com Thiago, quando ouviu alguém a bater à porta de vidro que dava para o jardim. Assim que olhou, viu Adriana do outro lado. Apressou-se a levantar-se, certificando-se de que Thiago ficava bem e correu até à porta de vidro.

- Adriana – murmurou assim que correu a porta.

- Podes ajudar-me? Eu tentei mas já não conseguia arrastar mais as malas – disse apontando para o jardim onde Alexis avistou duas malas de grandes dimensões.

Alexis olhou-a, não conseguindo evitar que um enorme sorriso se desenhasse no seu rosto. Não esperava que Adriana cedesse, muito menos depois da discussão que tinham tido...

- Não me olhes assim – advertiu-o Adriana – Ajudas-me ou não?

- Fica com o Thiago que eu vou buscar as malas.

Adriana entrou mas sentiu a mão de Alexis travar-lhe o movimento. Ele voltou-a para ele delicadamente e aproximou os seus lábios do ouvido dela num gesto sedutor.

- Gracias – sussurrou antes de encaminhar os seus lábios para o rosto de Adriana e a beijar carinhosamente na bochecha.

Alexis saiu e Adriana tornou a respirar. Tinha sido uma ideia péssima voltar a casa…



***


- Adriana, não sejas teimosa. Fica lá na minha cama. Eu fico no quarto de hóspedes, já disse que não me importo!

- Como tu disseste a cama é tua, o quarto é teu. Eu é que devo ficar no quarto de hóspedes!

- Mas tu odeias o colchão do quarto de hóspedes! Não sejas teimosa, Adriana!

Estavam naquela discussão há quase dez minutos e Adriana começava a sentir-se tentada a voltar àquela cama de que ainda se lembrava tão bem, àqueles lençóis onde o cheiro de Alexis estaria entranhado… Mas que raio de pensamentos eram aqueles?! Ela estava a ficar louca!

- Vale, eu fico no teu quarto – acabou por concordar.

- Eu vou mudar as tuas malas para lá – ofereceu-se Alexis.

Alguns minutos depois, Adriana estava sozinha naquele quarto carregado de recordações…
Havia várias molduras a encher aquele espaço. Alexis adorava a fotografia, a possibilidade de eternizar momentos inesquecíveis.
Havia um quadro de uma foto do casamento deles, em que apenas se viam as mãos de Adriana em volta do pescoço de Alexis, onde a sua aliança se destacava. Adriana esticou a mão em frente dela e sentiu um vazio entorpecê-la. Sentia-se…oca.




Havia também uma foto dos seus primeiros meses de namoro. Nem dois anos tinham passado, ainda assim pareciam já ter vivido uma vida inteira depois do momento em que aquela foto havia sido tirada…



Havia ainda mais duas fotos: uma em que Alexis aparecia num momento carinhoso com Thiagoe uma outra em que eles eram ainda uma família…




Por fim, na mesinha de cabeceira de Alexis estava uma imagem da primeira ecografia de Adriana e junto a ela…a sua aliança.


Adriana sentou-se na cama e passou minutos a observá-la, apenas isso a observá-la. Até que não resistiu à tentação: pegou nela e fê-la deslizar pelo seu anelar esquerdo. As lágrimas assomaram-na nesse mesmo instante. Que estava ela a fazer? Porque necessitava de sentir aquele pedaço de ouro branco junto à sua pele novamente? Porque não se sentia capaz de retirá-lo?
Iria tirá-lo. Iria preparar-se para se deitar e logo em seguida retirá-lo-ia. Sim, era isso mesmo!
Em alguns momentos, Adriana estava já entre os lençóis daquela cama que como ela julgara tinham o cheiro de Alexis entranhado. Tornou a olhar a sua mão esquerda, a sua aliança. Não a queria retirar. Sentia-se tão completa com ela no seu dedo… Ela sabia que tal ridículo. Era um objeto, apenas e só um objeto. Mas era um objeto com história, com significado. Significava todo um compromisso, significava a fase mais bonita da sua vida, mas também a mais sofrida. Poderia passar a noite com ela, não?


***

Como la lluvia, como la brisa [Como a chuva, como a brisa]
Sencillo como una sonrisa [Simples como um sorriso]
Como la tierra donde naciste [Como a terra onde nasceste]
Como la búsqueda de amor [Como a busca por amor]


A voz desafinada de Alexis foi uma das primeiras coisas que Adriana ouviu pela manhã. Tinha acordado inexplicavelmente bem-disposta. Sem enjoos, sem dores, sem mau-humor…e com apetite! Quando se estava a encaminhar para a cozinha, começou a ouvir a voz dele. Ela conhecia aquela música. Adorava-a! Estava constantemente a passar na rádio que ela ouvia…



Como la eternidad del beso [Como a eternidade do beijo]
Como el calor de un abrazo viejo [Como o calor de um abraço velho]
Como la tarde que te perdiste [Como a tarde em que te perdeste]
Y encontraste el corazón [E encontraste o coração]


Es como el pacto con Dios [É como o pacto com Deus]
Vida…



Como el silencio del mar adentro [Como o silêncio do mar adentro]


A voz de Adriana surpreendeu Alexis que se julgava sozinho. Também não era uma voz brilhante, mas Alexis gostava de a ouvir…



Como el jaleo de lo inconexo [Como a confusão do desconexo]
Como el murmullo de aquella orilla [Como o murmúrio daquela orelha]
Como el planeta y su emoción [Como o planeta e a sua emoção]



Quiero ser parte del universo [Quero ser parte do universo]
Ya mi esperanza no tiene miedo [A minha esperança já não tem medo]
Frente al destino tengo tu voz [Frente ao destino tenho a tua voz]
Ya no pongo condición [Já não ponho condições]



Alexis juntou-se a Adriana que apesar de sentir que não devia pronunciar aquelas palavras não resistiu a fazê-lo…


Es que no te quiero perder [É que não te quero perder]
Yo hice llorar hasta a los ángeles amor [Fiz chorar até os anjos]
Sé que no es fácil el perdón [Sei que o perdão não é facil]
Pero si buscas en mis ojos [Mas se procuras nos meus olhos]
En lo más profundo [No mais profundo]
Sólo verás el reflejo de tu rostro [Apenas verás o reflexo do teu rosto]


Y es que no te quiero perder [E é que não te quero perder]
Seremos lo que quieras [Seremos o que quiseres]
No hay limitación [Não há limitações]
El horizonte es un balcón [O horizonte é uma varanda]
El más allá no queda lejos [E o mais além não fica longe]
Y lo nuestro puede estar mejor [E o nosso pode estar melhor]



Yo pongo el alma con esmero [Eu ponho a alma com cuidado]
Morirme vivo es lo que quiero [Morrer vivo é o que quero]
Hice llorar hasta a los ángeles [Fiz chorar até os anjos]
Que me lo perdone Dios [Que Deus mo perdoe]


Vale la pena que lo intentemos [Vale a pena que tentemos]
Es una prueba no tengas miedo [É uma prova não tenhas medo]
Que se haga corto cualquier adiós [Que se faça curto qualquer adeus]
Que la noche dure amor, amor, amor [Que a noite dure amor, amor, amor]



Es que no te quiero perder [É que não te quero perder]
Yo hice llorar hasta a los ángeles amor [Fiz chorar até os anjos]
Sé que no es fácil el perdón [Sei que o perdão não é facil]
Pero si buscas en mis ojos [Mas se procuras nos meus olhos]
En lo más profundo [No mais profundo]
Sólo verás el reflejo de tu rostro [Apenas verás o reflexo do teu rosto]



Y es que no te quiero perder [E é que não te quero perder]
Yo hice llorar hasta a los ángeles amor [Eu fiz chorar até os anjos]
Yo hice llorar a mi canción [Eu fiz chorar a minha canção]
Viajé hasta el fondo de los mares [Viajei até ao fundo dos mares]
Y he escalado hasta tocar el sol [E escalei até tocar o sol]


Ves que sí se puede crecer [Vês que sim pode-se crescer]
Yo hice llorar hasta a los ángeles amor [Eu fiz chorar até os anjos]
Pero he arreglado mi desván [Mas arrumei o meu sótão]
Viajé hasta el fondo de los mares [Viajei até ao fundo dos mares]
Y he escalado hasta tocar el sol [E escalei até tocar o sol]



Como una espina que acaricia… [Como um espinho que acaricia]


- Buenos dias – saudou Alexis com um sorriso.

- Buenos dias, Alexis. Já estou a ver que acordaste bem-disposto!

- Ultimamente esta música passa bastante na rádio e eu não a consigo tirar da cabeça! Estava a cantá-la sem dar por is… - Alexis calou-se assim que olhou para a mão de Adriana que se sentiu empalidecer. Ela tinha-se esquecido de tirar a aliança…

- Queres que te prepare alguma coisa para comer? – perguntou Alexis com uma naturalidade surpreendente. Ele não ia falar sobre a aliança? Ia simplesmente fingir que era…normal? Aquilo era sem dúvida estranho, mas Adriana gostava. Talvez pudesse continuar com a aliança no seu dedo por mais algum tempo… Mas porque estava ela com aqueles pensamentos, com aqueles desejos?

- Adriana – o chamamento de Alexis fê-la despertar – Queres comer?

- Sim, sim – respondeu – Acordei com apetite – disse bem-disposta sentando-se à mesa.

- Não acordaste enjoada?

- Nop! Dormi como já não dormia há muito e acordei cheia de apetite!

- Ainda bem. O Thiago ainda está a dormir. Esteve um pouco rabugento durante a noite.

- Não o ouvi chorar – disse Adriana surpreendida.

- Devias estar com o sono pesado. Ele ainda esteve quase uma hora acordado. Devem ser os dentes que o andam a chatear – calculou – Sumo de laranja e torradas? – perguntou Alexis. Na verdade, normalmente, Adriana tomava café com leite e duas fatias de pão integral com queijo magro pela manhã. Mas na gravidez os seus hábitos alteravam-se e Adriana preferia começar o dia com sumo de laranja, de preferência natural, e torradas com manteiga magra. Assim tinha sido na gravidez de Thiago e também assim estava a ser nesta gravidez.

- Sim – respondeu com um sorriso, encantada por Alexis ainda se lembrar daquelas manias de grávida.

Alexis preparou o pequeno-almoço para os dois e sentou-se em frente a ela.

- Domingo o Thiago faz um ano – comentou Alexis – Como o meu jogo é no sábado, pensei que na tarde de domingo podíamos reunir o pessoal e fazer uma pequenina festa. Nada de espetacular, algo simbólico. Acho que não devíamos deixar passar esta data em branco.

- Concordo. Eu posso tratar disso. preciso de me ocupar com alguma coisa!

- Vale!


***


- E tu e a Ana? – perguntou Alexis.

- Nada… - murmurou Cesc aborrecido.

- Nada?

- Nestes dias a Lia não tem ajudado. Anda agarrada à mãe 24 horas por dia! A Ana chega ao fim do dia exausta, quando a Lia adormece ela faz o mesmo!

- Bem, não está fácil…

- Sim… E tu e a Di? Como se têm dado cá em casa?

- Muito bem – respondeu Alexis entusiasmado – A nossa relação está no mesmo ponto, mas estamos mais…à vontade um com o outro. Até estamos a recuperar algumas rotinas, como tomar o pequeno-almoço juntos. Está a ser fantástico! – garantiu.

 - Pessoal, vamos cantar os parabéns! – a voz de Adriana que levava Thiago ao colo fez com que todos se aproximassem da mesa. Se não fossem os balões coloridos que se viam por toda a sala, ninguém diria que se tratava de uma festa de aniversário. Adriana e Alexis tinham optado por criar um espaço realmente simples e cómodo.

Alexis tratou de pegar num isqueiro para acender a vela, colocada sobre um bolo retangular coberto com uma foto de Thiago.



- Vá, pessoal, é para cantar tudo na mesma língua e tudo a mesma canção – avisou Alexis, despertando algumas gargalhadas. A verdade é que estavam reunidas pessoas de várias nacionalidades, para além disso, o típico “cumpleaños feliz” tinha várias variações nos países de língua espanhol – Alguém está a gravar?

- Já estou eu! – avisou Ana.

- Então depois corta esta parte! – pediu Alexis antes de acender a vela.



“Cumpleaños feliz
Cumpleãnos feliz
Te deseamos Thiago
Cumpleaños feliz



O coro de vozes desafinadas acabou por assustar Lia que acabou por desatar a chorar na curta canção, nada que atrapalhasse o momento. Alexis e Adriana baixaram-se os dois junto do bolo, soprando em conjunto a vela de Thiago.

- Vá, agora ponham isto e juntem-se perto da televisão para tirarmos uma foto – disse Alexis atirando-lhes chapeuzinhos de aniversário do Barcelona para cima da mesa – Não me olhem assim! É o primeiro aniversário do meu filho. Vá, despachem-se, que eu tive um trabalhão para arranjar esses chapéus.



Todos acabaram por concordar em voltar à infância e puseram os tais chapeuzinhos, para depois se colocarem onde Alexis havia pedido. Enquanto se organizavam, Ana posicionava a máquina fotográfica e programava-a. quando estavam já todos posicionados, Ana pô-la em contagem decrescente e saltou para junto deles. Uma foto cómica, mas uma excelente recordação.
O único presente que Thiago recebeu foi uma pequena bola. Assim tinha sido a vontade de Adriana e Alexis. Thiago já tinha tudo e a bola era apenas um presente simbólico, uma recordação de uma tarde inesquecível.





***



Pela primeira vez em meses, Ana e Cesc beijavam-se com fulgor, com vontade, com intensidade. Lia tinha adormecido minutos antes e Ana resolvera juntar-se a Cesc que via uma repetição de um jogo de futebol no sofá.
Não foi preciso mais do que meia dúzia de beijos para que Cesc pedisse mais. Ele precisava! Estava já deitado sobre Ana e preparado para lhe retirar a camisola, quando a sentiu largou os seus lábios e a prender-lhe as suas mãos.

- Que pasa? – perguntou Cesc olhando-me.

- Nada, só que…não me apetece, Cesc.

Cesc não conseguiu esconder a sua surpresa. Não…lhe apetecia? Mas…como? Ela não sentia falta?

- Vale… - acabou por responder Cesc saindo de cima dela.

- Lo siento – disse Ana olhando-o.

- No…no pasa nada…



***


- Adriana, estás bem? – perguntou Alexis entrando no quarto – Ia à cozinha beber água e ouvi-te chorar – explicou aproximando-se dela e sentando-se a seu lado.

- Tengo tanto miedo, Alexis – confessou sufocada pelas lágrimas enterrando-se nos braços Alexis.

- Calma, cariño. Está tudo bem. Eu estou aqui. Que se passa? – perguntou alguns minutos depois, erguendo a cabeça de Adriana. O relógio marcava as 2:46 da manhã.

- Não quero ser mãe outra vez – disse em pânico.

- Adriana, tem calma. O que aconteceu? Porque estás assim?

- Eu sonhei…e…eu não sei explicar bem mas…sonhei várias vezes com vários partos, várias vezes seguidas e…todos acabavam mal. Eu estava sempre sozinha e…ou o bebé nascia morto ou…ou eu morria. E…e… - Adriana falava atabalhoadamente sendo difícil percebê-la. estava completamente controlada pelo pânico – Não quero dar à luz outra vez, Alexis, não quero este filho!

- Calma, Adriana. não estás sozinha, nem vais estar. Eu estou contigo e vou sempre estar. O parto do Thiago foi complicado, mas desta vez vai ser diferente. Vamos planeá-lo da melhor forma possível, vamos tomar as todas as precauções que pudermos, vamos a aulas de preparação do parto, vamos…vamos tudo! Adriana, eu prometo-te que nada te vai acontecer. nem a ti nem ao bebé! Eu juro! – disse agarrando o rosto dela entre as mãos.

- Prometes? – soluçou.

- Prometo, mi amor, prometo!


Alexis abraçou-a fortemente e alguns momentos depois sentiu Adriana a acalmar-se a pouco e pouco. Acabaram por deitar-se lado a lado e pouco tempo bastou para que Adriana acabasse por adormecer embalada pelas carícias de Alexis.



***


- Buenos dias.

O rosto de Alexis foi a primeira coisa que Adriana viu assim que abriu os olhos. Algo que já não acontecia há meses… As suas palavras fizeram-na sorrir. Estava tranquila. Parecia que a sua alma se resumia a uma manhã pacífica e luminosa depois de uma noite de terror provocada por uma tempestade.

- Buenos dias – retribuiu.

- Estás bem?

- Sim, gracias. Gracias por teres ficado aqui comigo ontem. Estava mesmo assustada.

- Não tens de agradecer. E as promessas que te fiz irei cumpri-las – jurou.

- Gracias, Alexis, gracias – disse mais uma vez antes de se enroscar instintivamente a ele.


***

Lia tinha finalmente adormecido! Uma das maiores lutas travadas por Ana até ao momento. O dia tinha sido terrível e Ana só esperava ter uma noite muito mais pacífica. Ia a caminho da cozinha para comer alguma coisa antes de se deitar quando reparou em Cesc bastante atento em frente ao computador. Aquilo era…suspeito. Ela aproximou-se silenciosamente dele, ficando surpreendida com o conteúdo das pesquisas de Cesc.

- “É normal não querer pensar em sexo depois do parto?” – leu Ana, sobressaltando Cesc.

- Não sabia que estavas aí – disse atrapalhado.

- Pois se soubesses tinhas fechado a página, não? – atirou com sarcasmo – Cesc, acho que é melhor falarmos.



***



- Ai! – gritou Adriana surpreendida por ver Alexis ali.

- Lo siento – disse de imediato Alexis – Não te queria assustar. Estás bem?

- Sim sim. só não te esperava ver por aqui – confessou, “e muito menos apenas em boxers” pensou.

- Estava com insónias – explicou – E tu?

- Pois, também não estava a conseguir adormecer – confessou.

- Não te queres sentar aqui? – convidou Alexis apontando para o lugar ao lado dele no sofá.

- Não…é melhor eu voltar para a cama – disse distraindo-se a olhar para Alexis… Joder, ele continuava tão bem feitinho… E ela continuava com tanta vontade!

- Estás bem? – perguntou Alexis vendo-a “perdida”.

- Sim, sim. eu…eu vou indo para a cama, é o melhor.

- Não precisas de ir, Adriana.

- Preciso, Alexis, preciso.

- Que pasa? – perguntou Alexis levantando-se e aproximando-se dela.

- Alexis, yo…yo estoy con ganas… - admitiu.

- Yo también – respondeu Alexis surpreendendo-a.

- Não podemos fazê-lo, Alexis – disse Adriana pouco convencida das suas palavras, sentindo-o pousar uma das suas mãos no rosto.

- Não?


Como acabará a noite de Adriana e Alexis?
E Ana e Cesc? Como correrá a conversa? Mudará alguma coisa?





Olá, guapas!

Lo siento, lo siento, lo siento, lo sientooooo!
Estava há semanas e semanas e semanas sem postar. Lamento muito! Espero que o capítulo tenha sido do vosso agrado e que continuem desse lado!
Já sabem deixem os vossos comentários e reações. [Ah e respondam às sondagens já agora]
Gracias por estar ahí, guapas!!!



Beso
Ana Santos