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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

149 - "Prometo-te toda uma vida…que vai valer a pena viver!"



- Preferes o quê? Ter medo do futuro ou um dia vires a ter pena do passado que não viveste?

Aquelas palavras atingiram Adriana tal como se ela estivesse dentro de um carro que acabara de ser abalroado por um camião. De repente, tudo se encaixava de outra maneira. De repente, tudo fazia sentido. De repente, Adriana tinha certezas.
Num impulso, fez os seus lábios chocar com os de Alexis, surpreendendo-o. Agarrava fortemente o rosto dele entre as suas mãos finas e macias, enquanto as suas bocas se entregavam uma à outra com fervor, com desejo, com intensidade.
Alexis acabou por separar os seus lábios, atordoado por tudo aquilo. O que queria dizer tudo aquilo? Era um novo começo ou apenas mais um impulso do qual Adriana se arrependeria no segundo seguinte?

- O que é…o que… - as palavras faltavam-lhe. Daquela vez, algo era diferente. Ele não conseguia explicar o quê, mas daquela vez era diferente de todas as vezes.

- Yo te quiero, Alexis – a voz de Adriana saiu mais clara e forte do que ela pensara – Yo te quiero e… não quero continuar agarrada aos meus medos. Não te quero dar uma nova oportunidade – Alexis estagnou com aquelas palavras que contrastavam com todas as anteriores – Porque não há uma oportunidade a dar. Eu pertenço-te. Sou parte de ti da mesma forma que és parte de mim. não te vou dar uma oportunidade. Fazê-lo seria esperar para ver no que dava. Eu não quero isso. Porque sei no que vai dar – Alexis olhava-a confuso. Nada daquilo parecia fazer sentido – Nós resultamos, Alexis, não precisamos de testar isso. Eu sei que nem sempre vamos estar de acordo, sei que vamos discutir, sei que vamos embirrar um com o outro, sei que não vai ser o casamento perfeito. Mas também sei que me vais apoiar, que me vais perceber, que me vais consolar, que vais deixar o teu orgulho de lado quando for preciso. Sei que não vais estar sempre presente tal como sei que não irás estar sempre presente, sei que falharei jogos, sei que falharás desfiles, sei que haverá dias em que não teremos tempo sequer para termos uma conversa decente. Mas também sei que vou estar a torcer por ti em todos os jogos tal como estarás a torcer por mim em todos os desfiles seja qual for a distância que nos separe, sei que por mais que um dia seja longo e difícil ele começará contigo na mesma cama do que eu e acabará contigo a meu lado, sei que mesmo que não haja conversas, haverá beijos que dirão muito mais do que as palavras podem dizer. Não penso que será um conto de fadas, porque um casamento não é isso, nem eu queria que eu fosse – Adriana parou, suspirando. Não queria falar mais, não havia mais a dizer apenas que… - Eu amo-te, Alexis, e demorei demasiado a perder os meus medos. Mas agora perdi-os e só sei uma coisa: que quero passar o resto da minha vida contigo, quero ser feliz a teu lado.

Alexis limitava-se a olhá-la com um sorriso indecifrável. Apenas fazia isso: olhá-la com um sorriso nos lábios. Fê-lo por alguns segundos que pareceram anos a Adriana que começava a ficar nervosa com aquela atitude e que se viu obrigada a agir.

- Alexis! – gritou dando-lhe uma palmada no peito com uma das mãos, na esperança de o fazer reagir.

E reagiu. Alexis arrebatou-a pela cintura e beijou-a intensamente durante alguns segundos. depois abraçou-a fortemente.

- Gracias gracias gracias – murmurava ao ouvido dela claramente em êxtase.

Adriana sorriu, amarrando-o com ainda mais força. Depois Alexis levantou-a do chão, fazendo-os rodopiar, até Adriana lhe implorar para que parasse.

- Te amo, mi vida – disse-lhe, amarrando o rosto dela carinhosamente entre as suas mãos grandes e quentes – Tanto. Tanto. Tanto.

- Yo sé – respondeu Adriana com as lágrimas nos olhos.

- Te voy hacer la mujer más feliz del Universo. Te juro!

Alexis voltou a beijá-la. Nos lábios, no nariz, nas bochechas, na testa. Voltou a rodopiar com ela ao colo. Voltou a abraçá-la fortemente. Ele precisava de sentir que aquilo com que tanto sonhara estava a acontecer finalmente!

- Y ahora? – perguntou Alexis claramente desnorteado – Quiero decir… Como fazemos com…o resto do mundo… Assumimos que estamos juntos ou…não? Preferes esperar? E…quanto ao divórcio? Sei que podem parecer só papéis, mas…eu tenho uma vontade gigante de entrar ali e ver se o empregado da conservatória está ali e nos pode casar outra vez – Adriana não resistiu a gargalhar com tudo o que ia na cabeça de Alexis – Estou a precipitar-me, não é? É que isto é…tudo o que desejei, é…

- Shiu – sussurrou Adriana aproximando ainda mais os seus corpos e colocando as mãos no rosto dele para depois o beijar delicadamente – Estás feliz, Alexis – disse encostando as suas testas fazendo os seus olhos entrarem dentro dos dele, remexendo em cada pedaço da sua alma – E eu também estou. Tu estás em êxtase. E eu também. A única coisa que quero é aproveitar este momento ao máximo porque já o merecemos há muito. e depois…o resto do mundo que veja que somos felizes! Não me vou esconder, nem a mim nem à minha felicidade. E quando a voltarmos a casar-nos será…quando quiseres! Não tenho dúvidas nenhumas! Só certezas! Tenho ainda mais certeza que me amas do que no dia em que nos casamos.

Alexis abriu um sorriso completamente…encantado!

- Eres perfecta, lo sabes, no?

- Solo quiero ser perfecta para ti – respondeu-lhe Adriana, enquanto as suas mãos deslizavam suavemente uma pela outra.

- Eres perfecta para mí, mi amor – murmurou Alexis bem junto ao ouvido dela – Te quiero. Te voy querer sempre. [Eu amo-te. Vou sempre amar-te].

Adriana sorriu e enterrou o rosto no pescoço dele, como já havia feito centenas de vezes antes de tudo ter dado uma volta tão grande! Alexis abraçou-a, acolhendo-a com carinho junto ao peito dele. Ela podia ouvir o bater do seu coração, debaixo do tecido branco da sua camisa. aquilo fê-la sorrir.

- Bate por ti – as palavras murmuradas de Alexis pareciam vir provar que ele quase lhe adivinhara os pensamentos.

Adriana levantou a cabeça para olhá-lo, mas voltou a pousá-la no seu peito.

- Falta uma coisa – lembrou-se Alexis, afastando os seus corpos e levando a mão a um dos bolsos. Um pequeno pedaço de papel apareceu. Alexis abriu-o e Adriana viu a sua aliança surgir. A mesma que ela não tinha resistido a colocar, a mesma que Alexis havia visto no seu dedo, a mesma que ela acabara por retirar.
E agora? Agora voltaria a escorregar pelo seu anelar para nunca mais sair?

- Adriana – Alexis esticou uma das suas mãos e Adriana pousou a sua mão esquerda nela – Aceita esta aliança como prova do meu amor, do meu respeito, do meu apoio, da minha fidelidade. Juro amar-te e proteger-te nos momentos mais difíceis mas também estar junto a ti para viver os momentos mais felizes. Prometo-te toda uma vida…que vai valer a pena viver!

Adriana sorriu, enquanto via Alexis a devolver aquela aliança ao sítio onde ela pertencia: ao anelar esquerdo dela.
Alexis olhou-a, enquanto acolhia as mãos dela entre as suas. E quando se preparava para a beijar, ela surpreendeu-a. Com a sua mão esquerda pegou na mão esquerda dele, entrelaçando os seus dedos.

- Que essa aliança que nunca tiraste do teu dedo continue a significar tudo o que quis que significasse no dia em que ta dei: amor, dedicação, paciência, apoio, respeito, lealdade. Mas que a partir hoje signifique também o fim dos medos, que signifique também que, aconteça o que acontecer, não vou voltar a desistir de nós!

Alexis ficou a olhá-la com um sorriso. queria agarrá-la, a ela, às palavras dela. queria poder tocar e confirmar que era real. Gostava também de poder gravar aquelas palavras para recordar sempre. Mas para isso tinha a sua memória.

- Hum acho que podes beijar a… - Adriana parou. Beijar o quê? A sua ex-mulher, a sua mulher, a sua namorada, a sua noiva, a sua…nada?

- A mulher que vou amar até ao meu último segundo da vida – completou Alexis, antes de a beijar delicadamente tal como se estivessem num altar rodeados pelos que amavam – Esquece a parte do meu último segundo de vida – murmurou Alexis, encostando os seus rostos – Até depois disso te vou amar.

Alexis abraçou-a e como Adriana estava descalça, subiu para cima dos pés dele de forma aos seus lábios ficarem exatamente ao mesmo nível.

- Podemos dançar? – pediu com os seus lábios tão próximos dos de Alexis que pronunciar aquelas palavras fez com que os seus lábios roçassem nos dele.

Alexis limitou-se a retirar o telemóvel do seu bolso, enquanto Adriana descia dos seus pés. A música começou a tocar e Alexis esticou a mão a Adriana. ela amarrou-a, sentindo-se a ser carinhosamente puxada contra o corpo dele. Entrelaçou os braços à volta do pescoço dele e começaram a balançar-se suavemente.




Se acabó [Acabou]
Ya no hay más [Já não há mais]
Terminó el dolor de molestar [Terminou a dor de aborrecer]
A esta boca que no aprende de una vida [Esta boca que não aprende de uma vida]



He dejado de hablar [Deixei de falar]
Al fantasma de la soledad [Ao fantasma da solidão]
Ahora entiendo me dijiste que nada es eterno [Agora entendo disseste-me que nada é eterno]



Solo queda subir otra montaña [Apenas resta subir a outra montanha]
Que también la pena  [Que a pena também]
Se ahoga en esta playa [Se afoga nesta praia]




Y es que vuelvo a verte otra vez [E é que volto a ver-te outra vez]
Vuelvo a respirar profundo [Volto a respirar fundo]
Y que se entere el mundo [E que o mundo saiba]
Que de amor también se puede vivir  [Que de amor também se pode viver]
De amor se puede parar el tiempo  [De amor se pode parar o tempo]
No quiero salir de aquí [Não quero sair daqui]
Porque vuelvo a verte otra vez [Porque volto a ver-te outra vez]
Vuelvo a respirar profundo [Volto a respirar fundo]
Y que se entere el mundo [E que o mundo saiba]
Que no importa nada más [Que nada mais importa]




Esta humilde canción [Esta humilde canção]
La que está arrancándome la voz  [A que me está a arrancar a voz]
Va llevándome a un latido diferente [Vai levando-me a uma pulsação diferente]
Corre por mis venas la música de un alma libre [Corre pelas minhas veias a música de uma alma livre]
Y sin cadenas [E sem correntes]
Sin luz que perseguir [Sem luz a perseguir]


(…)




- E agora? – murmurou Adriana enterrada nos braços de Alexis – Entramos?

- Apetece-te entrar? – perguntou sem deixar de balançar-se, mesmo que a música tivesse já terminado.

- Apetece-me ficar assim para o resto da vida – confessou, levando Alexis a sorrir – Mas sim podemos entrar – concordou afastando-se dele e beijando-o docemente.

Calçou os sapatos que havia tirado quando ali chegara, deu a mão a Alexis e começaram a caminhar para dentro. Estavam a abrir a pista de dança. A música era bonita: um piano, um violino e uma voz. Thiago e Julia estavam no meio na pista de dança, com sorrisos enormes no rosto, com olhares tão expressivos que qualquer pessoa que estivesse apaixonada sabia que queriam dizer “Eu amo-te mais do que tudo neste mundo”.
Ana e Cesc estavam também lá. Com os mesmos sorrisos, com os mesmos olhares… Alexis olhou Adriana. Estava a fazer-lhe uma pergunta com o olhar e Adriana dava-lhe a resposta com o sorriso. Eles iriam juntar-se a eles e a mais alguns casais que ocupavam a pista e eram observados carinhosamente pelos restantes convidados.
Adriana e Alexis caminharam de mão dada até à pista de dança, atraindo rapidamente as atenções. Ela voltou-se para ele, voltou a entrelaçar os braços à volta do seu pescoço e ele voltou a balançá-los.


What would I do without your smart mouth [O que faria sem a tua boca inteligente]
Drawing me in, and you kicking me out [Puxando-me para dentro e chutando-me para fora]
Got my head spinning, no kidding, I can’t pin you down [Tenho a minha cabeças às voltas, não estou a brincar, eu não te posso prender]
What’s going on in that beautiful mind [O que se está a passar nessa mente bonita]
I’m on your magical mystery ride [Eu estou na tua misteriosa e mágica jornada]
And I’m so dizzy, don’t know what hit me, but I’ll be alright [E eu estou tão tonto, não sei o que me atingiu, mas eu ficarei bem]




My head’s under water [A minha cabeça está debaixo de água]
But I’m breathing fine [Mas eu estou a respirar bem]
You’re crazy and I’m out of my mind [Tu estás louca e eu estou fora de mim]



‘Cause all of me [Porque tudo de mim]
Loves all of you [Ama tudo de ti]
Love your curves and all your edges [Ama todas as tuas curvas e todas as tuas arestas]
All your perfect imperfections [Todas as tuas imperfeições perfeitas]
Give your all to me [Dá-me tudo de ti]
I’ll give my all to you [Eu dar-te-ei tudo de mim]
You’re my end and my beginning [Tu és o meu fim e o meu início]
Even when I lose I’m winning [Até quando eu perco eu estou a ganhar]
‘Cause I give you all, all of me [Porque eu dou-te tudo, tudo de mim]
And you give me all, all of you [E tu dás-me tudo, tudo de ti]



How many times do I have to tell you [Quantas vezes tenho de te dizer]
Even when you’re crying you’re beautiful too [Até quando choras és bonita]
The world is beating you down, I’m around through every move [O mundo está a deitar-te abaixo, eu estou por perto vendo cada movimento]
You’re my downfall, you’re my muse [Tu és a minha queda, tu és a minha musa]
My worst distraction, my rhythm and blues [A minha pior distração, o meu ritmo e blues]
I can’t stop singing, it’s ringing, I my head for you [Não posso parar de cantar, está a tocar, na minha cabeça para ti]


(…)



Cards on the table, we’re both showing hearts [Cartas na mesa, ambos mostrando corações]
Risking it all, though it’s hard [Arriscando tudo mesmo que seja difícil]


(…)


I give you all, all of me [Eu dou-te tudo, tudo de mim]
And you give me all, all of you [E tu dás-me tudo, tudo de ti]



Assim que a música terminou, as atenções viraram-se completamente para eles. Alexis separou os seus corpos e pôs-se atrás dela, apertando as costas dela contra o seu peito.

- Façam lá a pergunta! – desafiou Adriana, já cansada de se sentir observada.

- Vocês voltaram? – foi Gerard a fazer a pergunta que todos queriam fazer.

- Voltamos – confirmou Alexis, levantando a sua mão esquerda que estava entrelaçada à de Adriana, mostrando as suas alianças.

“Aleluia” e “parabéns” foram as primeiras a ser ouvidas muitas e muitas e muitas vezes.

- E temos mais uma novidade – confessou Alexis – Posso dizer? – perguntou olhando Di.

- Sim, diz! – incentivou entusiasmada.

- Vamos ser padres otra vez! – anunciou com o sorriso mais puro e orgulhoso do mundo. Deixou as suas mãos escorregar pelo ventre de Adriana até à sua cintura, apanhando o vestido e revelando a sua pequenina barriga.

A surpresa foi visível no rosto de todos, exceto de Ana e Cesc que os olhavam com um sorriso orgulho no rosto.

- Uau… Divorciados com benefícios, é isso? – brincou Dani, aliviando o ambiente.

As felicitações continuaram a surgir, como se eles fossem os noivos!

- Parabéns! – felicitou Thiago com Julia bem perto de si – E desculpa uma vez mais, Alexis.

- Esquece isso, Thiago! Está tudo morto e enterrado – garantiu Alexis – E parabéns a vocês os dois!

- Estás linda, Julia – elogiou Adriana.

- A noiva mais linda de sempre – disse Thiago embevecido.

- Não, essa foi a Adriana – discordou Alexis com um sorriso.


***


- Buenos dias – murmurou Alexis assim que Adriana abriu os olhos naquela manhã.

- Buenos dias – retribuiu com um enorme sorriso e beijando-o de imediato. Era tão bom voltar a viver aquilo. Acordar com Alexis a seu lado…

- Dormiste bem?

- Não podia ter dormido melhor! é bom estar de volta a…isto!

Alexis sorriu, aproveitando para a beijar. Depois levantou a t-shirt que Adriana tinha vestido depois de terem feito amor na noite anterior e acarinhou a sua barriga, acabando por dar-lhe um beijo.





- Como estará o Thiago?

- A dormir? – sugeriu Alexis.

- A Ana e o Cesc deviam querer a noite para eles. Eles estão com alguns…problemitas.

- Ainda não resolveram isso?

- Não. A Lia não tem facilitado!

- Espero que o Thiago não aprenda a fazer isso ao conviver com ela…

Adriana não conseguiu deixar de gargalhar com a preocupação de Alexis.
Deitou-se sobre o seu peito, deixando-se a saborear o momento por alguns minutos.

- Estive a pensar numa coisa… Porque é que o berço do Thiago já não está aqui? Porque o mudaste para o quarto dele? Tentaste que ele começasse a dormir no seu próprio quarto? – tentou perceber.

- Não – respondeu Alexis com um suspiro. Adriana saiu de cima do seu peito e deitou-se junto a ele, olhando-o atentamente – O berço mudou de sítio porque eu também deixei de dormir aqui. Dormia no quarto do Thiago.

- Mas…porquê? – perguntou Adriana sem perceber.

- Porque…estar a dormir sozinho nesta cama durante estes meses estava a dar comigo em louco – confessou – Estava a ser demasiado difícil e…achei que seria melhor deixar este quarto por algum tempo.

- Lo siento – murmurou Adriana aconchegando-se a ele.

- Shiu. Já passou! Agora estamos bem neste quarto ou em qualquer lugar deste planeta – disse brincando com os dedos dela – E temos uma coisa a decidir.

- O quê? – perguntou olhando-o.

- O destino das nossas férias!

- Não querias ir ao Chile?

- Não tenho muitas certezas disso. É Inverno lá, neva e…mesmo que seja o meu país e que eu tenha orgulho nele, não tenho muitas saudades dele. Tenho da minha família, mas…é um país pobre, que não considero muito bonito, nem mesmo seguro. Preferia convencer a minha família a vir a Barcelona para nos visitarem do que irmos lá.

- Hum…e tens alguma ideia de onde podemos ir?

- Sardenha!

- Sardenha? A Ana e o Cesc foram lá no ano passado e a Ana adorou!

- Hum hum. E acho que seria um destino perfeito.

- Itália? É romântico e eu nunca visitei. Era um país que adorava conhecer – disse Adriana.

- Hum tive outra ideia - disse entusiasmado com um sorriso...perigoso!

- Conta!

- E se fizéssemos as coisas de outra forma?

- De que forma?

- Confias em mim, deixas-me tratar de tudo e depois vês.

- Estás a brincar…

- Vamos, cariño, vai ser giro!

- Giro? Vou morrer de curiosidade até lá!

- Preciso de dois dias para tratar de tudo!

- Para a agência tratar de tudo – atirou Adriana.

- Vá lá, guapa, confia em mim. Vamos… - pedinchou rolando para cima dela – Vamos, angel – pediu por entre beijos tremendamente convincentes.

- Vale – Adriana acabou por ceder – Faz-me o pequeno-almoço e temos acordo.

Alexis sorriu vitorioso e roubou-lhe mais um beijo antes de lhe ir fazer o merecido pequeno-almoço!



***



- As tensões estão ótimas, os níveis de açúcar também, o peso está dentro do normal. Parece-me que estás apta para ir para férias – informou Sofia – Fazemos uma ecografia para ver o bebé?

O sorriso de Adriana e Alexis foi a resposta perfeita. Rapidamente fizeram a ecografia. A forma do bebé era idêntica ao que já haviam visto um mês antes mas…não deixava de ser bom vê-lo.
Saíram de lá com uma ecografia linda e com autorização para partir para as suas férias misteriosas!


***


- Espero que a Lia se acalme em Ibiza – desabafou Ana enquanto acabava as malas.

Cesc riu-se o que não lhe agradou nem um bocadinho.

- Onde está a piada? – perguntou voltando-se para ele que estava sentado na cama a arrumar alguns coisas suas.

- Há alguns dias não querias sequer pensar em sexo e agora…

- E agora tenho vontade! – atirou Ana – Puseste-te com essas conversas de inovar e…eu fiquei a pensar e…deu-me saudades! Também sinto falta!

- Cariño – Cesc levantou-se e amarrou-a pela cintura – Tenho a certeza que vamos desfrutar muito de Ibiza e um do outro... – garantiu com um sorriso travesso.




Como serão as férias das duas famílias?
Em que estará a pensar Alexis?






Olá!

Sim, juntei-os!!! Eles já mereciam xD


Queria aproveitar que adorei escrever este capítulo e adorei o resultado final, para dedicá-lo à Diana Ferreira! (já andava há algum tempo para dedicar-te um cap mas queria dedicar-te um que eu gostasse, que sentisse que estava digno de ser dedicado a ti!). Gracias por tudo! Foste muito provavelmente a pessoa mais especial que encontrei neste mundo, uma pessoa que já se tornou uma grande amiga para mim! Gracias por tudo! Pelas conversas parvas, as conversas sérias, os desabafos, o apoio, a inspiração! Gracias gracias gracias!

E queria mandar um besazo para as minhas leitoras brasileiras! Gracias por estarem desse lado, mesmo tão longe! Beijão!

Espero que tenham gostado tanto de ler o cap como gostei de o escrever! Já sabem espero as vossas opiniões! Gracias por estarem aí!


Besazo
Ana Santos



sábado, 2 de novembro de 2013

Capítulo 148 - "Antes de ser pai dela já era meu marido!"

148 - "Antes de ser pai dela já era meu marido!"



- Alexis, yo…yo estoy con ganas… - admitiu.

- Yo también – respondeu Alexis surpreendendo-a.

- Não podemos fazê-lo, Alexis – disse Adriana pouco convencida das suas palavras, sentindo-o pousar uma das mãos no seu rosto.

- Não?

O olhar hipnotizante de Alexis estava a torturá-la. torturava sempre, mas daquela vez Adriana estava sem forças nem mesmo vontade para resistir. Simplesmente fez os seus lábios chocar intensamente, esquecendo tudo o que supostamente a impediria de saborear a boca dele. Alexis não hesitou e arrebatou-a nos seus braços, conduzindo-os de imediato para o seu quarto. Pousou-a com cuidado sobre a cama que já haviam partilhado inúmeras vezes e apressou-se a retirar-lhe a camisola. A sua boca percorreu com fervor a pele de Adriana que se sentia levitar nos braços de Alexis. Ele conhecia-a tão bem… Beijava-a da maneira certa no momento certo no sítio certo! Mas Adriana queria mais do que isso! Desejava Alexis de forma doentia, apenas queria beijá-lo, tocá-lo, amá-lo. Arrancou a t-shirt do tronco dele e percorreu meticulosamente o seu tronco, saboreando cada pedaço daquele corpo que tão bem conhecia.
Não tardou muito para que se livrassem das restantes peças de roupa que lhe cobriam o corpo e que pareciam estar a mais naquele cenário. Os beijos intensificaram-se, as carícias multiplicaram-se… O simples facto das mãos de Alexis percorrerem o corpo de Adriana deixavam-na num êxtase indescritível. Conheciam-se tão bem, os seus corpos já não pareciam ter segredos um para o outro, ainda assim cada momento era diferente, único, irrepetível. Alexis acabou por unir os seus corpos com a mesma naturalidade e o mesmo desejo de sempre.
O prazer invadiu-os e Adriana não se conteve em demonstrar a sua satisfação, a sua felicidade! Naquele momento nada importava. Estavam juntos, estavam felizes, estavam completos. Muito mais do que frases bonitas, muito mais do que discursos baratos. os seus corpos complementavam-se realmente, de uma forma pouco racional, de uma forma…mística.
Alexis separou os seus corpos, mas os seus olhares acabaram por unir-se de forma…inesperada. Adriana surpreendeu-o, abrindo um sorriso. Era um sorriso de felicidade mas também…de gratidão. Ela estava feliz, muito feliz, estava sob uma paz enorme, enrolada numa onda de bem-estar de que já sentia falta.

- Gracias – murmurou Adriana ainda com Alexis sobre ela – Te quiero esta noche

- Te quiero para toda mi vida – respondeu Alexis fazendo Adriana suspirar.

- Lo siento. Gostava de dizer-te que…sim, mas…estou tão confusa. Só sei que te quero esta noite sem pensar muito no amanhã.

- Tens-me esta noite, mi amor – acabou por dizer-lhe Alexis alguns segundos depois.

Adriana voltou a sorrir. Queria mesmo aquilo. Queria Alexis por um bocadinho, queria um bocadinho do passado, sem muitas complicações.
Alexis beijou-a docemente e Adriana sentiu aquilo na barriga… Aquele friozinho, aquele nervosinho. Alexis desde sempre conseguira despertar isso nela, mas naquela noite era diferente. O seu corpo estava…feliz por ir ter o de Alexis junto a si por uma noite!
Alexis deitou-se junto a ela e Adriana apressou-se a aconchegar-se ao peito dele. Deixou os seus dedos brincar na pele dele, enquanto Alexis lhe mexia carinhosamente no cabelo. Adriana estava feliz. Por uma noite, pareciam ter voltado ao passado, sem complicações, medos, confusões.

- Porque sorris assim? – perguntou-lhe Alexis.

- Porque parece que subi ao paraíso – confessou não conseguindo parar de sorrir – No digas nada, por favor – pediu olhando-o. Não queria que Alexis dissesse que se ela quisesse o paraíso podia ser o seu dia-a-dia, não queria ouvi-lo dizer que estava tudo nas mãos dela. só queria voltar ao passado por uma noite.

Alexis continuou a mimá-la e o sono começou a apoderar-se dela.

- No quiero dormir… - confessou arrastando a voz.

- Precisas de descansar.

- Pero…mañana…

- Mañana es un nuevo día, guapa. E esse dia será o que tu quiseres…

- O problema é que não sei o que quero – disse olhando-o desanimada.

Alexis não tentou forçar o seu sorriso. simplesmente deu-lhe um beijo na testa e puxou-a para bem junto de si. Adriana moveu-se de maneira a poder beijá-lo mais uma vez. Um beijo longo, calmo, doce… Pareciam estar a memorizar a boca um do outro. Adriana sentia que podia passar o resto da vida ali, a beijá-lo daquela forma. Quanto mais se beijavam, mais vontade tinham de se beijar. Era um beijo tão calmo, tão meticuloso que nunca perdiam o fôlego. Perguntavam-se até quando se beijariam…Enquanto tivessem vontade? Eles tinham vontade para toda uma vida! Até os seus lábios ficarem dormentes? Até os lábios lhe doerem? Não… Simplesmente beijaram-se até que os seus lábios se separaram com a mesma naturalidade de sempre, mas deixando uma estranha sensação de que em breve se uniriam de novo…



***
- Não devíamos estar a falar? – acabou por perguntar Cesc após alguns minutos de silêncio com Ana sentada a seu lado no sofá.

- Tu é que estavas a fazer pesquisas. Tu é que deves ter dúvidas…

Cesc não conseguiu apreciar nem um pouco o tom de voz de Ana. Frio, distante, arrogante até. Cesc acabou por olhá-la indignado atraindo a atenção dela.

- Que foi? Não gosto de falar de sexo! – disparou.

- Nem tu nem eu! Prefiro fazê-lo, coisa que não tenho feito ultimamente! – Ana rebolou os olhos – Não te quero pressionar a fazer nada, quero apenas…perceber o que se passa!

- O que é que o Google disse sobre o assunto? – perguntou Ana um pouco mais descontraída após alguns segundos de silêncio.

- Queres mesmo saber?

- Não, perguntei-te porque não quero que respondas! – atirou com ironia.

- Vale, já percebi que alguém está de bom humor… - Ana reprovou-o com o olhar – Bem, vi alguns sites e…dizem todos praticamente a mesma coisa.

- Que é…

- Que pode haver vários motivos para não quereres ter sexo… Não estares à vontade com o teu novo corpo, não teres energia depois de um dia a tomar conta da nossa filha, as tuas hormonas andarem aos saltos, teres medo de sentir dor e de não teres prazer… Alguma coisa está certa?

- Cesc – Ana levantou-se, começando a caminhar impacientemente pela sala. Aquilo era ridículo. Eles eram um casal há mais de um ano, eram casados e nunca tinham falado de sexo! Também não tinham precisado mas…era absolutamente estúpido terem complexos em falar do assunto um com o outro – Cesc – ela parou e olhou-o – Sei que isto não será com certeza a coisa mais excitante que já te disse mas… o meu peito pinga leite todo o dia, a tua filha anda pendurada nele o tempo que quer, as mamas doem-me, Cesc! – Cesc não conseguiu esconder a sua surpresa – Acho que te iria querer bater se tocasses nelas! - Sim, aquilo não era mesmo a coisa mais excitante que a Ana já lhe tinha dito – E…imaginar-nos a…quero dizer…imaginar-te…dentro de mim causa-me calafrios! Não me sinto em condições mínimas de sentir prazer, nem mesmo de ter sexo sem sentir dor! Não tenho vontade nenhuma de ter sexo, esta é a verdade! Neste momento, sexo significa dor para mim e não prazer.

Ana deixou-se cair sobre o sofá junto a Cesc. Tinha sido estranho dizer tudo aquilo. Tinha soado terrivelmente mal.

- Cariño, não precisas de ter vergonha disto ou mesmo sentires-te mal por pensares estas coisas neste momento – garantiu Cesc agarrando-lhe as mãos – São coisas normais desta fase e nós vamos ultrapassar isso.

- Como? – perguntou um pouco cética.

- Podemos…variar!

- Hum estou a ver…vamos ver porno e aprender umas coisas novas, não? – Cesc olhou-a estupefacto. Ela tinha dito mesmo aquilo? – Vale, passei-me. Explica lá essa coisa de variar.

- Bem…podíamos experimentar outras coisas.

- Kamasutra? – perguntou Ana muito pouco convencida.

- Não é bem isso. Sabes…podemos modernizar!

- Modernizar? Como aquelas coisas que estão nas páginas do meio das revistas de cabeleireiro?

- Provavelmente. Não sei o que dizem essas revistas, mas é capaz de ser isso! O que quero dizer é que não preciso de fazer as coisas como sempre fizemos, não preciso de te tirar o soutien ou de te tocar no peito. Ok…isto não está a correr bem.

- Está a correr na perfeição – disse Ana surpreendendo-o. Ela não parecia estar a ser sarcástica, parecia estar a levar tudo muito a sério – Eu percebo perfeitamente o que queres dizer. E…acho que podíamos tentar – Cesc sorriu – Mas não te ponhas com muita imaginação, vale?

- Vale, cariño, vale! – respondeu Cesc dando-lhe um beijo.

- Ah e deixa-te de ideias, não é hoje que começamos a experimentar! – disse Ana fingindo uma faceta cruel e levantando-se tomando o rumo do quarto.

Cesc apressou-se a segui-la e a “abalroá-la”, unindo novamente os seus lábios.

- Não te ponhas com ideias – disse Ana pouco convicta entre beijos intensos.

- Nenhumas… - negou cinicamente continuando a beijá-la no pescoço.

Já tentavam encontrar a porta do quarto, quando ouviram o choro de Lia.

- Estava a ser bom demais… - resmungou Cesc largando-a.

- Estava, não estava? – perguntou dando um jeito no cabelo – Depois continuamos, vale? – propôs puxando-o pela t-shirt e dando-lhe um beijo deveras sugestivo!

Ana foi ao encontro de Lia, deixando Cesc para trás, claramente convencido de que naquela mesma noite as coisas iriam mudar.
Mas não mudaram. Ana passou mais de uma hora com Lia que se mostrava reticente em voltar a adormecer. Ana estava exausta quando chegou à cama. Cesc não se atreveu a “cobrar-lhe” nada. limitou-se a mimá-la, garantindo-lhe que teriam tempo para recuperar aquela noite.




***



- Cesc, tem cuidado!

- Quem te ouvir falar até pensa que eu não ando com a minha filha todos os dias ao colo!

- Sim, mas com os festejos...

- Sí, mi vida, yo también te quiero – disse para a calar roubando-lhe um beijo.

O Barça sagrava-se campeão espanhol pela 22ª vez e a festa estava instalada em Camp Nou.
Jogadores, esposas, namoradas, filhos…Estava tudo no relvado a festejar com os milhares de adeptos que se dispunham nas bancadas.












- Sabes da tua filha? – perguntou a Anto animada.

- Está algures para ali para o meio. O Thiago?

- Espero que a Lia esteja a tomar conta dele! – brincou.



- Alguém viu o Thiago? – perguntou Adriana – O meu Thiago – esclareceu.

- Suponho que esteja ali para o meio! – respondeu Ana.

- Ai aquele Alexis dá comigo em doida! Disse-lhe para lhe vestir o casaco e o que fez? Não o vestiu! Ai que nervos!

- Ei calminha, vale? – pediu Ana – Para grávida estás muito exaltada, não? Que pasa?

- Para a semana é o casamento do Thiago e da Julia.

- E…

- E acho que já não vou caber no vestido que comprei!

Ana e Antonella gargalharam, o que não agradou nem um pouco a Adriana.

- Adriana, o casaco do Thiago? – a pergunta de Alexis que acabara de aparecer, ainda por cima sem Thiago, enfureceu Adriana.

- Onde está o Thiago? Disse-te para lhe vestires o casaco! – reclamou.

- Esqueci-me! O Thiago ficou com o Cesc.

- Com o Cesc?! Então com quem ficou a Lia? – perguntou Ana de imediato.

- Com o Leo.

- Quê? Então o Thiago está com quem? – perguntou Anto.

- Calma, vale? – pediu Alexis, já confuso com tantas questões – O Cesc e a Carlota estão de olho nos Thiagos que estão a brincar no relvado e a Lia está com o Leo. Tudo controlado, meninas! Somos pais excecionais – gabou-se com algum humor – O casaco? – perguntou novamente a Adriana, que lho atirou com alguma brusquidão mostrando o seu desagrado – Também te adoro, guapa! – picou-a, dando-lhe um beijo na cara, que a deixou ainda mais indignada.

- Ui vocês voltaram? – perguntou de imediato Antonella.

- Claro que não!

- Uma semana a partilharem casa e ainda não voltaram? – estranhou Ana.

- Somos amigos e só isso, vale?

- Friends with benefits… - insinuou Ana.

- Não! Amigos com os benefícios dos amigos e de nada mais! – garantiu Adriana. contudo, o olhar desconfiado das amigas fê-la confessar os “pecados” – Não me olhem assim! Só fomos para a cama uma vez!

- E…

- Ai foi estranho porque… - Adriana suspirou – Eu pedi-lhe algo que me fez parecer uma louca.

- O que lhe pediste? – perguntou de imediato Ana.

- Que fingíssemos por uma noite que ainda éramos casados – o choque foi visível no rosto de Ana e de Antonella que não esperavam de todo aquela confissão – Não me olhem assim que já me sinto demasiado envergonhada com tudo isto!

- Espero que não haja ninguém que faz leitura labial a observar-nos agora – a brincadeira de Ana criou um surto de pânico em Adriana – Ei calma estava a brincar! Achas que com tantos jogadores de futebol a mostrar a sua faceta de bons papás vai haver alguém de olho em nós? Relaxa, Di!

- É difícil quando pões essas hipóteses! – refilou Adriana.

- Vale vale! E se mudássemos de assunto? – sugeriu Antonella – Ana, tu e o Cesc… - insinuou à procura de novidades.

- Continuamos na mesma! – revelou, surpreendendo-as.

- Mas tinhas dito que vocês tinham conversado e disseste que até estavas com vontade de experimentar! – disse Anto.

- Sim, mas parece que a Lia adivinhou os nossos planos. Desde essa noite que anda estranhamente dependente do Cesc.

- Do Cesc? – perguntaram ao mesmo tempo.

- Sim, do Cesc! Basicamente só sirvo para lhe dar de mamar, para lhe trocar a fralda e lhe dar banho! De resto, é papá para ali, papá para acolá! Se o Cesc está em casa, então garanto-vos que a Lia está com ele! Não percebo esta obsessão pelo pai assim de repente – Adriana e Antonella esboçavam sorrisos tímidos, esforçando-se para não gargalhar – Isto não tem piada! Antes de ser pai dela já era meu marido! – aquela frase bem enciumada de Ana fez as meninas perderem o controlo e desatarem a gargalhar – Mudemos de assunto… - sugeriu aborrecida – Férias! Di, eu e a Anto estivemos a falar e vamos para Ibiza! Queres alinhar?

- Acho que não. Eu e o Alexis estivemos a fala…

- Desculpa – interrompeu Ana – Não sei se entendi bem… Tu e o Alexis, aquele que é teu ex-marido? – provocou.

- Sim, aquele que é pai do meu filho, dos meus filhos aliás! – defendeu-se.

- Vão passar as férias juntos? – quis perceber Antonella.

- Sim, acho que sim. O Alexis quer ir ao Chile, ver a família. Claro que quer que o Thiago também vá. E eu também não quero ficar sem ele durante as férias.

- Ele quem? O Thiago ou o Alexis? – espicaçou Ana.

- O Thiago! Estás irritante, vê-se que andas com falta de sexo!

- Ei essa foi baixa! – reclamou Ana.

- Eu não sei como é com vocês, mas eu estou numa de ir buscar o meu filho!

- Aí está uma excelente ideia! – concordou Adriana.



***


- Alexis, já vestiste o Thiago? – gritou Adriana desde a casa de banho, onde acabava de se maquilhar.

- Sim – respondeu-lhe – Só falta o colete.






Adriana olhou-se uma última vez ao espelho e foi até à sala, onde os seus homens já a esperavam.

- Uau… - murmurou Alexis olhando-a.



- Vou considerar isso um elogio, portanto, gracias!

- Estás deslumbrante, Adriana!

- Tenho de aproveitar enquanto ainda entro em vestidos como este! – brincou, aproximando-se de Thiago e dando-lhe os “retoques de mãe”.

- És uma grávida fantástica desde o início até ao fim da gravidez! Sempre foste!

- Falas como se fosse a 13ª vez que estivesse grávida – picou aproximando-se dele e desapertando-lhe a gravata.

- A gravata estava bem! – defendeu-se Alexis.

- Sim… Se estivesses a acabar de chegar de uma despedida de solteiro!

- Ei essa doeu! – brincou, enquanto Adriana lhe refazia o nó da gravata.

- Já está!

- Falta o colete do Thiago! – avisou Alexis, apontando para Thiago que estava sentado no tapete muito mais importado com a publicidade que passava na televisão.

- Ponho-o quando chegarmos à igreja!

- Podíamos ter feito isso com a gravata! – reclamou Alexis, fazendo Adriana gargalhar – Estou bem?

- Estás lindo – disse em tom de gozo – Com esse cabelito só tu e o Ken da Barbie!



- Vou considerar isso um elogio! – brincou.


***


- Fica com a Lia que eu vou só vestir-me. Por favor, não lhe amarrotes o vestido! – pediu Ana apenas em lingerie deixando Lia com Cesc e correndo para o quarto. Estavam atrasados! Estavam sempre!



Só lhe faltava pôr o vestido e calçar os sapatos. Bastaram dois minutos para fazer tudo isso.

- Vais assim? – perguntou Cesc surpreendido.

- Não, Cesc. Vou usar este vestido para limpar a casa e depois troco de roupa para ir ao casamento! Mas estás parvo ou quê?

Sim… Ana estava com um humor maravilhoso! O stress deixava-a assim.

- Vale, vale! Estás muito bonita – elogiou-a.

- Sim, sim. Traz a Lia, estamos atrasados! – pediu descendo para a garagem.








***



Após a típica cerimónia, com a troca de alianças, com os juramentos, com tudo aquilo que fazia qualquer pessoa casada recordar com carinho o seu próprio casamento, seguiram para uma enorme e deslumbrante quinta. Apesar dos muitos bebés presentes, nenhum deles fez uma birra incontrolável durante a cerimónia, o que foi sem dúvida um “golpe de sorte”.
Alexis e Adriana tinham entrado juntos com Thiago. Sabiam que seriam esperados por dezenas de jornalistas e que iriam surgir centenas de rumores, mas não estavam de todo preocupados com isso. Habituados a viver sob as opiniões dos outros estavam eles há muito tempo!
Partilhavam a mesa com mais três casais (Ana e Cesc, Antonella e Leo e Carles e Vanesa) e também com Gerard que naquele dia estava “solitário”, já que a família estava em Miami. Três bebés e meio (já que Vanesa estava grávida) e mais umas três crianças! Cesc, Carles e Gerard conheciam-se desde sempre, era impossível não voltarem à infância quando estavam juntos. Leo e Alexis não eram bem melhores…
Adriana recordava todas aquelas peripécias com um sorriso no rosto. Estava sozinha no jardim da quinta, olhando atentamente as estrelas.

- Toma – a voz de Alexis sobressaltou-a. Esticava-lhe um copo com água com gás.

- Como é que sabias? – perguntou aceitando a água.

- Da forma como atacaste a mousse de chocolate não foi muito difícil adivinhar – explicou sentando-se ao lado dela.

- A Julia estava linda – comentou Adriana quebrando o silêncio que se arrastava há alguns minutos.

- É… Os casamentos fazem-nos sempre lembrar o nosso próprio casamento, não é? – Adriana acenou afirmativamente – Estava nervoso no dia em que nos casámos…

- Eu também. Tinha tanto medo em cair a caminho do altar.

Alexis gargalhou com a recordação da Adriana.

- Fomos felizes, não fomos? – perguntou Alexis olhando-a pela primeira vez.

Adriana voltou-se para ele com receio de dizer algo que não devesse.

- Fomos – acabou por admitir – O nosso casamento não foi o mais pacífico, o mais perfeito, mas eu fui muito feliz a teu lado.

- Sabes, às vezes, penso que já não o mesmo chico que se apaixonou por ti assim que te viu…

- Apaixonaste-te por mim à primeira vista? – perguntou Adriana curiosa com um sorriso no rosto.

- Que mais pode ter sido? Uma semana depois estávamos juntos!

- Sim, mas…eu quase tinha morrido em Lisboa – recordou Adriana.

- Tens razão. Isso sem dúvida alterou tudo – confessou – Temos uma visão tão…eterna da vida quando somos novos. Pensamos que a morte é algo…algo que ainda está muito longe de chegar. Sentimo-nos quase eternos! – Adriana ouvia-o atentamente, concordando silenciosamente com ele – Nessa noite perdi a visão eterna da vida. Lembro-me que a partir dali a vida passou a ser algo…frágil, efémero. Já passaram quase dois anos… - recordou.

- Parece muito mais, não?

- Sem dúvida. Crescemos tanto, mudamos tanto, vivemos tanto. Cometi tantos erros, tentei tanto remediá-los – Alexis silenciou-se por instantes – O que me falta, Adriana? – ele tornou a olhá-la – O que me falta fazer ou ser para que voltes para mim? – foi impossível não notar uma ponta de desespero na voz de Alexis.

Adriana apressou a levantar-se, pousando o seu copo no chão, junto aos sapatos que havia retirado assim que viera para ali.

- Não é fácil – tentou explicar – Tu és um homem fantástico, Alexis…

- Posso ser um homem melhor – garantiu levantando-se também – És a melhor parte de mim, Adriana. Sempre foste! A parte mais humana, mais apaixonada, mais bonita. Eu preciso de ti, Di. E faço tudo o que for preciso para te recuperar! Simplesmente diz-me o que é preciso!

- O problema não és tu, Alexis, sou eu!

- Não, Adriana, essa frase não. Diz-me, simplesmente, diz-me!

- Estou a ser sincera, Alexis! – Adriana suspirou e limpou uma lágrima que começava a querer aparecer – Tenho medo! Tens sido um homem…perfeito! O homem mais perfeito que poderia imaginar para mim – Alexis sorriu com as palavras dela – E nos últimos meses…surpreendeste-me! Mostraste a tua faceta mais bonita, mais humana! És o melhor pai que eu podia desejar para os meus filhos, és um…marido de sonho. Mas…eu tenho medo.

- De quê? Diz-me, Adriana! explica-me de maneira que eu entenda!

- É difícil… - Adriana suspirou frustrada – Eu amo-te mais! Cada vez mais! E isso…faz-me ter medo de voltar a sofrer!

- Não te vou voltar a magoar, cariño. Te juro – prometeu agarrando-lhe as mãos.

- Disseste-me isso tantas vezes, Alexis – disse desprendendo-se dele – Sei que não me magoaste porque quiseste. Aconteceu! E se voltar a acontecer? Quanto mais te amo, mais poderei sofrer. Tenho medo. foi demasiado penoso viver o que vivemos! Não quero repeti-lo! prefiro…resguardar-me.

- É disso que tens medo? – perguntou tornando a reduzir a distância entre eles – Eu também tenho medo. e vou-te dizer do quê – ele aproximou-se ainda mais dela e pousou-lhe as mãos no rosto – Tenho medo de desperdiçar a minha vida. Tenho medo de daqui a 50 anos estar sozinho sentado num sofá numa casa no Chile. Não tenho medo de morrer sozinho, tenho apenas medo de viver sozinho, de não ser feliz. Tenho medo de ter a felicidade tão perto e a deixar fugir. Não tenho medo de sofrer! Prefiro sofrer por ter arriscado do que sofrer por não ter vivido. E tu, Adriana – perguntou fazendo o seu polegar resvalar pelos lábios dela – Preferes o quê? Ter medo do futuro ou um dia vires a ter pena do passado que não viveste?




Qual será a resposta de Adriana?
Será desta?
E Ana e Cesc? Até quando continuarão com os seus “problemas”?



Olá!

Cá está mais um capítulo! E já são quase 70 000 visualizações do blog! Gracias a todas as que estão por aí!

Espero que tenham gostado do cap e que deixem as vossas opiniões!


Beso
Ana Santos