Páginas

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

150 - "Casas comigo?"


- Estás pronta? – perguntou Alexis, entrando no quarto com Thiago ao seu colo.

- Sim.

- Continuas amuada?

- Continuo! Achas normal fazer as malas sem saber para onde vou? Aviso-te já que se me falta alguma coisa vou chatear-te até ficares surdo!

Alexis pousou Thiago no chão que rapidamente começou a gatinhar e aproximou-se de Adriana, rodeando-a com os seus braços.

- Apetece-te o quê para o pequeno-almoço, mi vida?

- Sinceramente?

A expressão de Adriana assustou Alexis. Significava desejo totalmente absurdo.

- Sim, sinceramente – pediu receoso.

- Um gelado de morango caseiro. Daqueles que compras os morangos e apenas juntas um bocado de açúcar e natas e está!

- Pois, cariño, mas sabes que isso não é possível…

- Pois, eu sei – disse desanimada – Mas um panike de chocolate…

- Daquela pastelaria no centro da cidade? – adivinhou Alexis.

- Hum hum – confirmou Adriana claramente pedinchando a Alexis com o seu olhar doce e infantil para que lá fosse.

Alexis olhou o relógio e confirmou que ainda tinha tempo para realizar o desejo de Di antes de levantarem voo.

- Vale, eu vou lá. mais alguma coisa?

- Sim, podes trazer laranjas? Apetece-me sumo natural e não há laranjas cá em casa.

- Val

O som de algo a cair no chão interrompeu Alexis.

- Thiago! – repreendeu rapidamente indo apanhar o seu telemóvel do chão.

- Quebrou? – perguntou Adriana.

- Não, tive sorte – respondeu Alexis pondo o telemóvel no bolso – Thiago, não podes pegar no telemóvel do papá! – repreendeu Alexis olhando Thiago. Ele só ainda compreendia pequenas coisas e por muito que Alexis soubesse que aquilo ultrapassava a capacidade de compreensão do filho, achou que o mais correto seria começar desde pequeno a repreendê-lo para que ele começasse a criar a ideia do que era uma asneira. Contudo, Thiago não se aborreceu muito com as palavras do pai. Simplesmente sorriu e esticou-lhe os braços pedindo colo. Alexis revirou os olhos, totalmente rendido ao encanto do seu pequeno, e pegou-o ao colo.

- Levo-o?

- Podes levá-lo. Eu vou confirmar se tenho tudo para ele e se tudo cá em casa fica desligado.

- Vale. Até já – despediu-se dando-lhe um beijo carinhoso no rosto.

- Alexis! – chamou quando ele estava prestes a sair.

- Sí, mi amor? – respondeu Alexis claramente receoso.

- Podes trazer dois panikes? – pedinchou com o seu olhar doce e irresistível.

- Sí, mi guapa, los traté! – prometeu Alexis antes de finalmente sair, estando de volta em menos de uma hora.

Adriana dormia no sofá, claramente exausta com o stress da viagem que se avizinhava.

- Mi guapa, llegué – sussurrou-lhe Alexis enquanto a despertava suavemente, tentando deixar o seu mau humor adormecido.

- Trouxeste os panikes? – perguntou rapidamente Adriana assim que despertou.

Alexis esticou-lhe o saco de papel, que foi presenteado com o sorriso maravilhado de Adriana.

- O Thiago? – perguntou assim que deu a primeira trinca.

- Está no carro. Adormeceu durante a viagem. Eu vou começar a descer as malas, vale?

- Sim, está tudo no quarto, mi cielo!

- Tens sumo de laranja na cozinha! – informou.

Em quinze minutos, Alexis pôs tudo no carro e Adriana tomou o seu pequeno-almoço. Arrancavam agora em direção ao seu destino: um pequeno aeroporto privado.

- Ainda não te tinha dito como adorei essa ideia do jato privado – ironizou Adriana.

- Cariño, fica tudo mais prático assim.

- É um desperdício de dinheiro, Alexis!

- Adriana, se temos dinheiro devemos gastá-lo, desfrutar da nossa vida!

- Alexis, há gente com tantas necessidades e nós, aqui, a esbanjar o nosso dinheiro com jatos privados! – recordou claramente desagradada.

- Mi cielo – Alexis aproveitou uma fila que se havia formado devido aos semáforos alguns metros adiante para ajeitar-se no banco e olhá-la – Quantos centenas de milhares de euros doámos desde que estamos juntos?

- Alguns – suspirou Adriana – Mas podíamos dar mais!

- Cariño, o jato é mais cómodo para nós. Para o Thiago, para ti que estás grávida. Ao alugar o jato estamos a dar emprego a alguém, estamos a contribuir para a economia. Mi amor, confía en mí. Te voy levar al cielo!

Adriana não conseguiu evitar gargalhar. Para quem dentro de poucos minutos, levantaria voo, aquela não deixava de ser uma expressão dúbia.

- Em vários sentidos! – acrescentou em tom de esclarecimento mas também com um sorrisito travesso.

- Alexis Alejandro…

- Sí, gran amor de mi vida? – brincou, por entre as várias buzinadelas que se faziam ouvir devido à demora do trânsito.

- Eres tan tonto…

- Un loco por ti! – corrigiu roubando-lhe um beijo e finalmente arrancando.

Poucos minutos depois, estavam já a instalar-se no jato que os levaria para um destino ainda desconhecido para Adriana, escapando a filas, esperas, burocracias.

Tinham terminado a descolagem e planavam agora calmamente, quando um senhor de fato e aspeto solene entrou na cabine onde se encontravam.

- Quem é este senhor? – murmurou Adriana ao ouvido de Alexis.

- É da conservatória espanhola.

- Da conservatória espanhola? Porque está aqui? – perguntou confuso.

Alexis virou-se para ela, encarando-a com um sorriso calmo nos lábios.

- Casas comigo?

- Contigo? – a surpresa de Adriana transpareceu no absurdo das suas palavras – Quero dizer, aqui, agora?

- Sim, aqui e agora. E sim, comigo – brincou.

Adriana estava completamente absorta com o que estava a acontecer naquele momento. Tinha voltado para Alexis havia escassos dias, tinha voltado a partilhar a cama com ele, tinha voltado a sentir os seus lábios ao fim da noite e ao início da manhã, tinha voltado a sentir o calor dos seus braços nos serões de filmes românticos, tinha voltado a sentir o peso do seu corpo sobre o seu quando faziam amor… E agora? Agora tinha ali a oportunidade de voltar a casar-se com o homem que se sentia capaz de amar para além da eternidade.

- Guapa… - acabou por chamar Alexis receoso com aquela hesitação – Entonces?

- Sí! – disse, despertando – Sí sí sí! – repetiu com um enorme sorriso no rosto – Eres loco – murmurou antes de o beijar carinhosamente.

- Assustaste-me!

- Sabes bem que isto é apenas um pormenor. Eu ficaria contigo para o resto da vida mesmo sem isto… - afirmou com um sorriso genuíno.

- Te quiero – sussurrou-lhe, antes de a beijar de leve no rosto e lançar um olhar ao funcionário da conservatória, dando-lhe ordem para se aproximar.

Em alguns minutos trataram do pouco que era necessário. Um casamento civil muito pouco tinha de romântico, apenas papéis, assinaturas, deveres, decisões…

Após toda a burocracia tratada, o funcionário retirou-se para uma cabine aparte deixando-os a sós. Thiago estava extremamente sossegado no colo de Adriana desde que a viagem começara e, por isso, ela aconchegou-se a Alexis, levantando a barra que separava os seus bancos.

- Isto não tem nada de romântico… - confessou Adriana.

- É, eu sei. Mas é melhor ter estas coisas resolvidas. Eu também acho que estes casamentos simplesmente fazem diferença ao Estado para a cobrança de impostos mas…é algo que queria ter resolvido. Apesar de ser apenas burocracia, é uma burocracia que chapa a palavra “divorciado” no meu carné de identidade [bilhete de identidade]… O que conta é o que dissemos na igreja sob a forma de promessa e não como forma de direitos e deveres dos nubentes – praguejou Alexis. De facto, o casamento civil tinha uma grande falta de romantismo.

- Mas o nosso primeiro casamento civil até foi bonito – recordou Adriana – Lembras-te?

- Impossível era esquecer – respondeu com um sorriso nostálgico.

***



Já considerava conhecer muito bem o Alexis nestes meses que havíamos de relação, mas nunca poderia imaginar que iria preparar um casamento completamente em surpresa. Uma noite que eu pensara ser apenas mais uma noite romântica com um jantar à luz das velas e momentos apenas nossos, haviam-se convertido numa praia decorada a rigor, com o juiz da conservatória, com a Ana a revelar-se uma madrinha perfeita ao escolher tudo o que eu haveria escolhido se tivesse tido essa oportunidade.

Em alguns minutos eu caminhava para o Alexis. Os papéis foram assinados sem muita demora, afinal o essencial apenas aconteceria quando ficássemos completamente a sós.

- Para mim, o casamento é muito mais do que assinaturas – explicou o Alexis – Portanto, vou declarar-me a ti. Temos o mar como padrinho, a lua como madrinha e as estrelas como testemunhas, portanto acho que posso começar – não resisti a sorrir com a sua poesia improvisada – Tu viraste a minha vida do avesso. Fizeste-me ter outros sonhos, outros objetivos, muito para além do futebol. Graças a ti, sei o que é amar. Agora sei o que é gostar tanto de alguém que se chega ao ponto de não se conseguir viver sem ela. Adriana, eu amo-te. E prometo fazê-lo o resto da minha vida. Prometo respeitar-te, apoiar-te, proteger-te, fazer-te feliz, todos os dias da nossa vida, em qualquer lugar, de dia, de noite, no inverno, no verão, no Natal, na Páscoa, rico ou pobre, doente ou saudável. Porque o meu maior sonho é passar o resto da minha vida ao teu lado, constituir família contigo, ver os nossos filhos crescer, poder acordar todos os dias a teu lado…

A sua voz calma e quente tinha o poder de fazer o meu coração crescer e mingar ao mesmo tempo. Parecia tudo tão irreal. Eu não tinha casado com um homem, tinha casado com O homem.

- Sinceramente, desde que te conheci, não tenho certezas de nada – confessei tentando tal como ele expressar o que sentia – apenas de que te amo e que te amarei para sempre. Pela primeira vez na vida, tenho a certeza que seria capaz de dar a vida por outra pessoa, seria capaz de dar a vida por ti. Porque neste momento, és tudo para mim. E prometo amar-te, respeitar-te, proteger-te, apoiar-te, todos os dias da minha vida, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, nas vitórias e nas derrotas, porque te amo incondicionalmente e quero construir uma futuro feliz, e só contigo o conseguirei fazer…

O Alexis atreveu-se a abrir-me aquele sorriso tão viciante…Aquele sorriso que me viciara assim que o vira pela primeira vez naquela sessão fotográfica.

- Agora, temos direito ao nosso mini bolo de noiva e ao nosso champanhe… - anunciou satisfeito.

- O quê? Bolo de noiva? Champanhe? – perguntei espantada – Tu preparaste tudo ao pormenor… - disse agora mais baixo quase num pensamento apenas meu.

- Claro que preparei – respondeu entrelaçando a minha cintura com os seus braços – Queria que este momento fosse inesquecível.

- E é, acredita que é… nunca me senti tão feliz – confessei antes de me entregar uma vez mais aos seus lábios.



***



- E também tivemos as nossas promessas na igreja… - recordou Alexis.

- Estava tão nervosa nesse dia – lembrou Adriana – Agarrava o braço do meu pai com tanta força, pedi-lhe tantas vezes que não me deixasse cair…

- E eu tinha medo que não aparecesses!

Adriana, que começava já a divagar por aquelas recordações, olhou Alexis atentamente.

- Estás a falar a sério?

- Sim! É horrível estar ali, naquele altar, e nunca mais ver-te entrar. Só há tempo para pensar em coisas más! Mas quando entraste… - Alexis desfez-se num sorriso com aquela recordação.



***



Estava extremamente nervoso. Olhava o relógio vezes sem conta e por mais que a minha mãe repetisse que correria tudo bem, nada me conseguia acalmar. A Ana e o Cesc entraram na igreja lado a lado, aproximando-se do altar e dizendo-me que a Adriana já se estava a preparar para entrar.

Contudo, nem aquilo me acalmou. Queria vê-la, pegar nas suas mãos, fazer-lhe aquelas promessas, fazer escorregar aquela aliança pelo seu dedo.

Como é que ela estaria? Vestida de branco, claro está mas…mas como? Como seria o seu vestido, como seria o seu bouquet, como estaria? Nervosa como eu?

Assim que vi as portas da igreja abrirem-se e ouvi a melodia da marcha nupcial começar estremeci num misto de ansiedade e nervosismo. Ela caminhava lentamente agarrada ao seu pai com os olhos presos em mim e aquele pequenino sorriso nervoso no rosto. Estava extremamente bela, ainda mais do que no dia em que nos havíamos casado na praia. Ainda hoje não sei bem explicar como, mas uma lágrima escapou-me dos olhos acompanhando o meu sorriso completamente maravilhado. O pai dela entregou-me a mão dela e ela apressou-se a limpar-me a minha lágrima e a beijar-me carinhosamente no rosto.

Entrelaçámos as nossas mãos e ouvimos as primeiras palavras do sacerdote, que se desenrolaram numa cerimónia única e inesquecível.

- Uma vez que é vosso propósito contrair o santo Matrimónio, uni as mãos direitas e manifestai o vosso consentimento na presença de Deus e da sua Igreja – finalmente tinha chegado a parte que eu tanto ansiara, mas agora estava estranhamente nervoso. Afinal era agora, era a promessa da nossa vida.

Eu e a Di unimos as nossas mãos e eu fui o primeiro a prestar juramento.

– Eu, Alexis, recebo-te por minha esposa a ti, Adriana, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida – pronunciei cada uma daquelas palavras pausadamente sentindo o verdadeiro significado de cada delas, enquanto a olhava profundamente.

– Eu, Adriana, recebo-te por meu esposo a ti, Alexis, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida – disse também de forma vagarosa com um sorriso cheio de paz e felicidade nos lábios.



***



- Todos os dias da nossa vida – recordou Adriana pousando a cabeça no ombro de Alexis com um sorriso nostálgico no rosto.

- Sabes, agora que estive a pensar nisso todos os dias da nossa vida parece pouco, não achas?

Adriana não resistiu a sorrir com as palavras de Alexis.

- E que tal alongarmos o prazo para toda a eternidade? – propôs Adriana olhando-o enquanto Thiago já pestanejava lentamente, prestes a adormecer no seu colo.

- Hum toda a eternidade mais uma semana e temos acordo!

Adriana não resistiu a gargalhar.

- Vale. Temos acordo: para toda a eternidade e ainda mais uma semana!

Alexis sorriu-lhe e beijou-a carinhosamente nos lábios, fechando o acordo.

- E agora dizes-me para onde vamos? – perguntou Adriana num tom sedutor mas ao mesmo tempo autoritário.

- Sorpresa!

- Isso foi sotaque italiano? – detetou Adriana.

- Estive 5 anitos na Udinese, tenho um italiano invejável.

- E vamos para Itália?

- Guapa, já disse que é surpresa!

- Sim, mas sabes que odeio surpresas assim! Para além disso, estávamos a combinar ir para Sardenha e depois desfizeste-te em mistérios! – recordou, enquanto se levantava e colocava Thiago, que dormia serenamente, noutro banco.

- Cariño, vais adorar tudo!

- Mas podias dizer – reclamou em tom pedinchão, sentando-se ao colo dele.

- Dire che cosa?

- Ai Alexis não me fales em italiano porque não é coisa que aprecie!

- Non? – perguntou Alexis em tom de provocação.

- Não!

- Non?

- Não, Alexis!

- Nem mesmo um “ti amo”? – perguntou Alexis sussurrando-lhe ao ouvido.

- Vale, é a única coisa que estás autorizado a dizer-me em italiano!

- Ti amo! – confessou-lhe.

- Como é que se diz “eu também te amo”?

- Ho anche ti amo!

- Ho anche ti amo! – tentou reproduzir Adriana, despertando as gargalhadas de Alexis – Acabaste de te rir do meu italiano?! – indignou-se por entre os risos de Alexis – Tonto! – disse em tom de amuo dando-lhe uma palmada no ombro, sendo de imediato atacada pelos lábios desejosos de Alexis.

Passou pouco tempo até que a aterragem foi anunciada. Alexis puxou Thiago para o seu colo e os cintos foram apertados. Adriana espreitou pela janela, ficando assoberbada pela paisagem com que foi presenteada. Um enorme mar azul e límpido estava sob eles. Como é que uma paisagem composta apenas por água podia tornar-se tão bonita?

- Bem-vinda a Sardenha!




Sardenha?, pensou Adriana. porque é que Alexis tinha feito tanto mistério à volta daquela viagem se tinham ido para o sítio que haviam acordado? Adriana esqueceu aquela pergunta. Eram apenas pormenores, afinal tinham acabado de chegar ao paraíso!

A aterragem correu sem complicações e em menos de uma hora estavam a entrar numa enorme mansão com vista para o lindíssimo mar de Sardenha.

Como Thiago dormia serenamente, Adriana não resistiu a abrir as enormes portas de vidro da sala e a pisar a relva verde e fresca do jardim, deixando-se a contemplar aquela maravilhosa vista.

- Te gusta? – perguntou Alexis surpreendendo-a ao aparecer e ao rodeá-la pela cintura.

- Isto é…magnífico – descreveu com dificuldade.

- Vamos ter uns dias maravilhosos aqui – disse Alexis em jeito de promessa – Temos apenas uma empregada. Não te preocupes, todas as pessoas que trabalharão para nós serão de inteira confiança. A D. Nina é uma senhora espetacular e cozinha maravilhosamente. Foi minha empregada enquanto estive cá. Bem, mais parecia minha mãe, mas foi fantástica. E a Graziela é uma baby-sitter de total confiança. É a baby-sitter de alguns ex-colegas meus. Quer dizer, dos filhos deles, apesar de ter tido alguns colegas que bem precisavam de uma baby-sitter.

Adriana gargalhou com o aparte de Alexis, mas não pôde deixar de lhe revelar as suas preocupações.

- Não sei se a baby-sitter é uma boa ideia. O Thiago não está habituado a ficar com pessoas que não conhece, não me parece que vá gostar…

- Guapa, vamos passar a maior parte das nossas férias com ele. Não estou de todo com a intenção de o entregar à Graziela e voltar a vê-lo apenas no fim das férias. A Graziela serve para termos os nossos momentos, para termos um jantar a dois, uma tarde de praia mais descansada ou passear um pouco pela cidade à noite. Apenas isso, cariño

- Vale – disse com um suspiro ainda insegura quanto à ideia.

- Tens fome? – perguntou-lhe.

- Já se comia… - confessou, fazendo Alexis sorrir.



***



- Finalmente! – disseram quase em uníssono Ana e Antonella assim que o jato aterrou em Ibiza.

A viagem tinha sido curta, mas Lia e Thiago tinham odiado por completo a experiência. Os choros e berros multiplicaram-se e multiplicaram-se, tornando o voo uma experiência infernal.

Rapidamente chegaram às mansões onde ficariam hospedados. Lia continuava irrequieta, irritada, insuportável. Ana resolveu dar-lhe um banho de forma a relaxá-la e dar-lhe de comer. Apesar de mais calma, continuava a oscilar entre risos e momentos de birra. Eram já nove da noite e Lia continuava insuportável por muito que Ana a tentasse entreter e adormecer. Sim, o mal dela era sem dúvida sono.

- Guapa, eu vou dar uma volta com ela de carro e ela adormece.

­- Cesc, o carro é alugado. Nem a cadeirinha deve ter.

- Tem. Não te preocupes – disse pegando em Lia – Vai tomar um banho que em minutos estamos cá – Cesc beijou-a levemente e saiu com Lia.

Bem, era mesmo melhor aproveitar e tomar um banho naqueles momentos de silêncio. Ana tomou o seu banho e enfiou-se num curto pijama, aproveitando para abrir as portas para a varanda do quarto. Sentia-se um calor bem típico de Ibiza. Ana adorava noites quentes e aquele cheiro a mar tornava tudo perfeito. Seguiu para a cama, deixando-se cair sobre os lençóis, fechando os olhos e sentindo a brisa quente que provinha da porta aberta.

Estava completamente perdida a apreciar aquela saborosa sensação de bem-estar quando sentiu alguém a entrar no quarto. Não se mexeu um único milímetro. Não havia choros, o que significava que Lia tinha adormecido. Deixou-se ficar deitada de barriga para baixo, com os olhos fechados saboreando o silêncio e a brisa quente de Ibiza. Contudo, foi surpreendida assim que sentiu os lábios de Cesc a beijar-lhe o pescoço, no início, de forma calma, depois de forma ousada atrevendo-se a deixar os seus dentes marcar a pele dela.

- Donde está Lia? – murmurou Ana num suspiro não abrindo sequer os olhos.

- A Anto disse que teria muito gosto em ficar com ela esta noite – esclareceu Cesc num tom insinuador, fazendo um sorriso surgir no rosto de Ana.

Ela abriu os olhos e rodou-se agilmente sob o corpo de Cesc, olhando-o com…com desejo. Há meses que não se sentia assim, com aquele desejo tão claro, tão urgente. Ana agarrou o rosto dele entre as suas mãos e procurou os lábios dele. Pôde sentir a língua dele invadir a sua boca com uma delicadeza e calma incríveis. Ele estava a saborear cada pedaço dela…






Ele ousou largar-lhe os lábios e a começou a beijar-lhe o pescoço num misto de cuidado e desejo, fazendo-a suspirar e passar as mãos por baixo da t-shirt de Cesc. Ele tornou a voltar a procurar os lábios dela e atreveu-se a também ele passar as suas mãos por baixo do pequeno top de Ana, sentindo o seu corpo de novo delineado que tão bem conhecia. Ana puxou-lhe a t-shirt e ele apressou-se a tirá-la, fazendo o mesmo com o top dela.

Os lábios dele voltaram a descer pelo corpo dela, nunca, no entanto, se aproximando do peito de Ana. Ele não se havia esquecido do desconforto que ela revelara ter nessa parte do seu corpo e no quanto desejava que Cesc não ousasse tentar desfrutar dela.

Ele podia ouvir os suspiros dela enquanto a beijava no ventre e fazia as suas mãos passear pelas coxas dela…





Será desta que Ana e Cesc conseguirão a sua noite?

Estará Ana preparada para o momento ou as dúvidas atrapalhá-la-ão?

Como correrão as férias das famílias?



Olá!

Após a minha ausência, voltei finalmente! Espero que tenham tido um Natal e uma passagem de ano espetaculares e desejo-vos tudo de bom para 2014!

Eu, como todos, tenho os meus projetos, promessas e desejos. Confiar menos, dar segundas oportunidades, enfrentar o futuro com coragem, emagrecer (claro está, sou mulher e basta xD). E fiz promessas futebolísticas! Depois do maio trágico como Benfiquista que tive, este ano prometo que se eles ganharem dois títulos (excluindo Taça da Liga), ou seja, Campeonato+TaçaPT/Campeonato+Europa/TaçaPT+Europa/Campeonato+TaçaPT+Europa eu assassino o meu cabelinho que tanto estimo e faço uma franja! Está prometido!! Ahahahah

Espero que tenham gostado do capítulo! Aproveito para vos agradecer terem comentado a mensagem de Natal e me dado a conhecer as vossas tradições. Se quiserem podem deixar aqui os vossos projetos e promessas para 2014, terei todo o gosto em ler-vos! Espero os primeiros comentários de 2014 ;)



Besito y feliz año nuevo

Ana Santos



P.S. Meninas, volto a pedir que quem leu a Never Forget Me que deixe o seu comentário. Como escritora sei como é necessário fechar um ciclo para iniciar um outro e enquanto os vossos comentários não chegarem àquela história é difícil fechar o ciclo.

Ah e a Nunca É Tarde Para Amar está de volta depois de uma pausa nos capítulos. Vão lá espreitar que houve emoções fortes :)