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segunda-feira, 23 de junho de 2014

154 - "No imaginas el orgullo que tengo en tí, mi vida"



- O Alexis já devia estar aqui! – dizia Adriana visivelmente nervosa.

- Tem calma, Di. Ele está a jogar, é difícil avisá-lo.

- Mas porque raio entro sempre em trabalho de parto quando o Alexis está dentro da porcaria de um campo de futebol? – gritou num misto de frustração e medo.

- Adriana, a Sofía já te observou, o teu parto está evoluir lentamente. Desta vez tudo será controlado – disse num tom extremamente calmo, agarrando a mão de Adriana, numa tentativa de a acalmar.

- Eu sei, eu sei que ela disse que apenas amanhã de manhã é que a Emma deve nascer, mas eu…eu não me consigo controlar – explicou com as lágrimas a aparecem nos seus olhos. Eram demasiadas emoções, demasiadas memórias. Apesar de tudo, nove meses não tinham chegado para se mentalizar para aquele momento – Tenho medo que tudo se volte a repetir…- confessou num sussurro.

- Di, amanhã já estarás com a tua Emma nos braços e estará tudo bem. Apenas descansa – disse Ana com a voz doce, beijando-a na testa.



***


Alexis não queria acreditar quando viu o número 9 na placa das substituições. Estavam nos 50 minutos de jogo, Alexis estava a fazer uns melhores jogos da época: já tinha obrigado o guarda-redes a duas defesas inacreditáveis, estava a dar uma enorme dor de cabeça aos defesas do Almería, tinha assistido Iniesta e Messi para os dois golos da partida, que colocavam o Barcelona numa vantagem confortável. Estava realmente inspirado naquela noite, porque estava a ser substituído? Simplesmente não conseguia acreditar. Até os adeptos manifestaram a sua surpresa e desagrado com aquela decisão do treinador, através de assobios. Alexis saiu sem compreender a razão pela qual estava a dar lugar a outro colega. Cumprimentou o treinador, ainda que sem muita vontade de o fazer e sentou-se no banco tentando não mostrar a sua frustração. Sabia bem que qualquer gesto era suficiente para armar uma polémica enorme à volta da equipa. Menos de um minuto depois, o treinador foi sentar-se ao lado dele, o que não era de todo habitual.

- Fizeste um grande jogo – disse-lhe – Apenas te substituí porque ligaram-nos a dizer que a tua esposa entrou em trabalho de parto.

- A…a Adriana entrou…? – Alexis não esperava de todo aquela notícia. Sabia que o momento estava cada vez mais próximo, mas ainda faltavam duas semanas para a data prevista para o nascimento de Emma.

- Podes ir. Sei que é importante para vocês que estejas lá.

- Gracias, mister – disse levantando-se ainda um pouco atordoado.

- Buena suerte! – desejou num grito mas Alexis estava já demasiado longe, física e mentalmente, para ouvi-lo.



***



- Como é que ela está? – perguntou Alexis assim que entrou na sala de espera e avistou Ana.

- Está tudo bem – garantiu – A Sofía já a observou e o parto está a evoluir normalmente. Aliás ainda não está bem em trabalho de parto. Ainda está em pré-parto, mas dentro de pouco tempo o parto ativo deve começar. Resumindo, a Adriana deve passar toda a noite em dilatação e a Emma deve nascer amanhã de manhã.

- E a Adriana?

- Está um pouco nervosa e assustada, como prevíamos.

- Eu posso ir vê-la?

- Claro, eu levo-te lá.

Alexis e Ana caminharam até ao quarto de Adriana. Quando abriram a porta viram-na perto da janela, observando o jardim da clínica. Assim que Adriana se apercebeu da presença de Alexis, foi de imediato ao seu encontro abraçando-o fortemente com um enorme alívio a invadi-la.

- Ainda bem que vieste – disse não escondendo o seu medo.

- Nunca te deixaria sozinha, mi amor. Como estás? – perguntou agarrando o rosto dela entre as suas mãos de forma carinhosa e protetora , aproximando os seus rostos.

Adriana não conseguiu responder já que uma nova contração apareceu. Ela fechou os olhos e concentrou-se em respirar profundamente. Alexis percebeu rapidamente o que se estava a passar, contudo optou por não fazer nada. Adriana parecia extremamente calma e a última coisa que Alexis queria era retirar-lhe aquela tranquilidade.

- Estás bem? – perguntou-lhe Alexis assim que viu os olhos dela abrirem-se novamente e a sua expressão relaxar-se.

- Sim. Foi apenas uma contração. Ainda estão muito espaçadas e fáceis de suportar – sem dúvida que a presença de Alexis lhe tinha trazido aquela calma que ela necessitava para apaziguar o seu medo – Estás mais nervoso do que eu – observou perante a expressão tensa e desamparada de Alexis.

- Eu? Não! – respondeu, receando deixar Adriana insegura.

- Alexis, podes falar comigo. Vamos ter mais 12 horas pela frente! – disse com uma descontração que Alexis não esperava.

- Estás tão…calma – respondeu confuso, não conseguindo esconder o seu receio.

- Sinto que desta vez vai ser diferente. A Sofía vai passar cá a noite, há mais do que um anestesista disponível para quando eu precisar da epidural, a Emma está visivelmente animada por estar prestes a conhecer um novo mundo e…e tu estás aqui. Não podia pedir mais nada. Sinto que desta vez vai ser diferente, que estou segura! Quando o Thiago nasceu estava com bastante medo, mas agora estou apenas ansiosa. Quero tê-la nos meus braços, quero ouvir o seu choro, quero sentir a sua pele…Contigo ao pé de mim não preciso de ter medo – confessou mergulhando nos seus braços.

- Fuiste la mejor cosa que me podría haber pasado – declarou-se Alexis, aconchegando-a nos seus braços e beijando-lhe a testa.

Trocaram alguns beijos e acabaram por sentar-se lado a lado num sofá com vista para o exterior do hospital. Os últimos raios de sol espelhavam-se no céu que apresentava um tom rosado, presenteando-os com uma paisagem naturalmente calmante. Apenas uma nova contração de Adriana interrompeu toda aquela tranquilidade. Ela voltou a concentrar-se em respirar profundamente, desta vez agarrando a mão de Alexis. Assim que a contração terminou, Adriana recostou-se novamente a ele.

- O que sentes durante uma contração? – acabou por perguntar Alexis, passando os seus dedos pelo braço de Adriana.

- Durante uma contração? – perguntou Adriana surpreendida com a questão – É…parecido com dores menstruais…mas mais intenso, mais…doloroso.

- Como podes imaginar nunca tive uma dor menstrual – respondeu Alexis com algum humor – Eu sei que deve ser difícil de explicar mas…apenas gostaria de saber o que estás a sentir neste momento – explicou, desviando alguns cabelos do rosto de Adriana.

- Bem… - Adriana tentou concentrar-se, procurando as melhores palavras para descrever aquela sensação tão característica e…indescritível! Mas no fundo ela percebia a necessidade que Alexis tinha de tentar percebê-lo, de tentar integrar-se naquele momento tão único, de tentar perceber o que estava a acontecer – É como se a dor começasse a vir das costas para a barriga, sinto…uma espécie de uma picada e a minha barriga fica muito dura. Na próxima contração podes tocar para perceberes – sugeriu, interrompendo o seu raciocínio – É como uma onda…A dor cresce e cresce e depois…atinge o pico e desvanece tal e qual como uma onda. Esclareci alguma coisa? – perguntou com a sensação de que não tinha conseguido transmitir o que queria.

- O suficiente, mi amor – descansou-a Alexis beijando-a carinhosamente.

Alexis ia mimando Adriana ao máximo, tentando dá-lhe alguns momentos de calma e relaxamento. Vinte minutos depois uma nova contração se fez sentir. Alexis colocou a sua mão sobre a barriga de Adriana, confirmando o que ela lhe dissera sobre o quão dura ela ficava. Foi notório que daquela vez a contração tinha sido mais longa e mais dolorosa.

- Porque não tomas a epidural? – perguntou Alexis, mas não em tom de sugestão. Alexis perguntava a Adriana o que a levava a não utilizar de imediato a epidural porque simplesmente era algo sobre o qual ele não tinha muitos conhecimentos.

- Porque ainda é muito cedo – explicou – Para além disso, dizem que diminui o ritmo do parto.

- Hum vale – respondeu, esclarecido e acariciando a barriga de Adriana – Incomoda-te? – acabou por perguntar receoso.

- Não, claro que não. A Emma gosta – garantiu encostando a sua cabeça ao ombro de Alexis – Dizem que nas últimas semanas de gravidez não se deve acariciar a barriga porque pode provocar o parto. Não sei se é verdade ou mito, mas neste momento pouca importância tem. Se acelerar o parto, ainda melhor! – garantiu tranquila.



***



Dez da manhã… O dia apresentava-se extremamente luminoso e as temperaturas atingiam quase 25 graus. Barcelona estava agitada. O sol e o calor faziam a animação e a boa disposição invadir as ruas da cidade. O humor melhorava, a paciência aumentava, a amabilidade era mais notória. Parecia até ser mais fácil sair da cama para ir trabalhar. Tudo levava o ritmo normal das terças-feiras. Menos naquele quarto…
Adriana não tinha dormido nada durante a noite, graças às suas contrações. Ainda assim aconselhara Alexis a descansar, afinal ele não podia fazer nada para a ajudar e o dia seguinte iria ser recheado de emoções. Adriana tentou aguentar as dores o maior tempo possível, mas aos 5 centímetros de dilatação acabou mesmo por pedir a administração da epidural, o que lhe deu tranquilidade suficiente para cair em alguns minutos de um sono leve mas regenerador.
Mas agora…agora Adriana tinha trocado o seu quarto pelo bloco de partos, as batas e toucas verdes rodeavam-na, as vozes confundiam-se e na sua cabeça apenas havia o pensamento de que dentro de minutos teria a sua filha nos seus braços. Alexis estava mais nervoso do que nunca. Agarrava a mão de Adriana, sussurrava-lhe palavras carinhosas, beijava-lhe o rosto suado invadido por uma mescla de sentimentos: a dor, a ansiedade, o esforço.
Normalmente Adriana deveria ter recebido outra dose de epidural, mas preferiu não fazê-lo. Sentia que a parte mais dolorosa, a dilatação, já tinha passado, sentia que tinha a necessidade de naquele momento ter controlo sobre o seu corpo que não teria sob o efeito da medicação. Tinha-se informado bastante sobre o tema e a última coisa que queria era ver o seu ventre pressionado para permitir o nascimento de Emma ou que h0uvesse a necessidade de utilizar de fórceps para a retirar. Queria estar apta para sentir as contrações, para saber seguir o ritmo do seu corpo.
Sofía ia-lhe dando indicações e incentivando-a constantemente. Um sentimento único e indescritível de positividade invadia o bloco. Apesar das dores e da exaustão que cada contração oferecia a Adriana, um enorme sentimento de paz a invadia. Não sentia frustração quando mais uma contração ainda não era suficiente para fazer nascer Emma, sentia simplesmente que estava mais perto. A um dado momento, Adriana pareceu perder o controlo do seu corpo, como se a Natureza a dominasse por completo e fizesse a sua lei reinar. Adriana fez força pela última vez e as lágrimas invadiram-lhe o rosto assim que o choro de Emma se fez ouvir. Nos lábios de Alexis apareceu o sorriso mais genuíno de toda a sua vida. As suas mãos estavam unidas, mas os seus olhares fixavam-se em Sofía que não tardou a aproximar-se deles. Uma exaustão descomunal invadia Adriana, que pediu a Sofía que encostasse Emma ao seu rosto, porque tinha medo de não ter forças suficientes para pegá-la em segurança.

 {O vídeo em que me inspirei. Mágico...}
Assim que Emma sentiu a pele de Adriana, agarrou-se ao rosto dela, chuchando até a bochecha dela. O choro cessou por completo, como se estar tão perto da mãe lhe desse todo o conforto e segurança que ela precisava para enfrentar um ambiente tão distinto do qual ela tinha vivido durante os últimos nove meses. Sofía tentou separá-las, mas Emma mostrou-se reticente, começando a chorar novamente. Sofía voltou a encostá-la a Adriana, fazendo o choro de Emma dissipar-se de imediato. Alexis olhava-as completamente rendido à beleza e à pureza do momento que presenciava. Adriana sentia as lágrimas de emoção rolarem pelo seu rosto. A pele de Emma era tão frágil, tão delicada. A sua respiração era tranquilizante, regenerante.
Sofía acabou mesmo por afastá-las e colocar Emma nos braços de Alexis, que a olhava completamente maravilhado. Na sua cabeça, apenas existiam questões que pareciam não ter respostas: como é que um ser tão pequeno podia despertar um amor tão grande dentro dele? Como é que do amor podia surgir um ser tão perfeito, tão desejado, tão amado?

- Adriana, sentes-te bem? – perguntou Sofía nos normais procedimentos médicos.

- Sim…sim… - dizia emocionada.

- Queres amamentar?

- Sim, claro que sim! – respondeu, mostrando ansiedade.

Daniela, a enfermeira que acompanhara toda a gravidez, ajudou Adriana a preparar-se para amamentar e Emma não teve problemas em adaptar-se. Parecia estar faminta, mas no fundo era notório que era o contacto com a mãe que a deixava naquele estado de entusiasmo. Adriana ia-lhe sussurrando algumas palavras, porque sabia que ela gostaria de ouvir a voz que a acompanhara nos últimos meses e porque…simplesmente não conseguia conter aquelas palavras. Não conseguia parar de admirar a perfeição de Emma, não conseguia parar de lhe dizer o quanto a amava.
Poucos minutos depois, Daniela levou Emma consigo. Havia procedimentos normais para fazer: limpá-la, pesá-la, vesti-la, fazer os primeiros exames. A amamentação tinha ajudado na última fase do parto e Sofía havia confirmado que estava tudo bem com Adriana, que em breve seria transferida para o seu quarto.

- No imaginas el orgullo que tengo en tí, mi vida – sussurrou Alexis encostando os seus rostos e beijando-a carinhosamente – Gracias por hacerme el hombre más feliz de todo este mundo. Te quiero tanto, mi amor … - concluiu emocionado e tornando a beijá-la de forma única. Nenhum deles esqueceria aquele momento, nenhum deles esqueceria a felicidade surreal que os invadia, nenhum deles esqueceria aquele beijo…

- Desculpem interromper – disse Sofía alguns segundos depois quando Adriana e Alexis simplesmente se olhavam vendo a imagem de Emma nos olhos um do outro – Alexis, vou ter de te pedir que saias para terminar o parto. Dentro de alguns minutos a Adriana vai voltar ao quarto onde passou a noite. Podes voltar para lá porque será para lá que a Daniela levará a Emma.

- Vale – concordou Alexis – Até já – disse antes de dar um curto beijo a Adriana.

- Liga a dar a novidade – pediu-lhe – E pede que deixem as visitas para amanhã porque estou exausta. Exceto a Ana! Quero-a cá e com o álbum da gravidez! – disse em tom de exigência. O facto de Ana ter preparado todo o álbum da gravidez em total sigilo, deixara Adriana extremamente curiosa. Ana dissera-lhe que apenas quando a sua gravidez terminasse, o álbum seria revelado. Ora bem, Emma tinha nascido, a gravidez estava oficialmente terminada.

- Vale! – acedeu Alexis com um sorriso, sabendo bem da curiosidade que corroía Adriana.

Deu-lhe um beijo na testa e saiu, voltando para o quarto ainda vazio. Pegou no telemóvel e rapidamente começou a dar a notícia. Toda a gente o felicitava e perguntava-lhe como era Emma, quanto pesava, quanto media, como estava Adriana… Mas eram poucas as respostas que podia dar já que tudo acabara de acontecer. Ana recebera a notícia com imensa alegria, principalmente depois de saber que o parto tinha corrido muito bem, sem os traumas a atormentarem Adriana. Prometeu que dentro de uma hora estaria no hospital com o álbum e também com Thiago.
Alexis mal desligara o telemóvel, quando viu Daniela a entrar com Emma ao colo. Levantou-se com um sorriso no rosto e não hesitou em receber a sua pequena Emma nos seus braços.

- Está tudo bem? – perguntou num sussurro com um sorriso espelhado no rosto, mirando Emma.

- Sim, está tudo bem. Mas daqui a pouco a pediatra já vos faz uma visita – respondeu igualmente com um sorriso. Aquela devia ser de longe a melhor parte da sua profissão: poder entregar uma bebé saudável e lindíssima a um pai completamente maravilhado pela dádiva que a vida lhe concedera – Fica-te muito bem – elogiou vendo Alexis perdido a contemplar Emma.

- Ela é linda ou sou eu que a vejo com olhos de pai?

- Não, ela é realmente bonita – descansou-o Daniela – Queres que vos tire uma foto? – sugeriu.

- Sim! Não te importas? – perguntou extremamente agradado com a ideia.

- Claro que não!

- O meu telemóvel está ali – disse apontando com a cabeça para uma pequena mesa perto da cama.

Daniela pegou no telemóvel e Alexis rapidamente exibiu o seu sorriso mais orgulhoso juntamente com o motivo do seu sorriso, a sua Emma…

- Está ótima! Gracias! – disse Alexis vendo o resultado.

- De nada – disse pousando o telemóvel – A Dra. Mara deve estar quase a chegar.

- Vale. Gracias!

Daniela saiu e segundos depois Adriana entrou no quarto sentada numa cadeira de rodas empurrada por um enfermeiro. De imediato abriu um enorme sorriso vendo Emma no colo de Alexis.

- Está tudo bem com ela? – perguntou.

- Sim. Mas a pediatra deve estar quase a chegar! – informou num sussurro – Queres que te ajude a deitares-te?

- Sim, por favor – pediu-lhe.

Alexis pousou Emma cuidadosamente na sua pequena cama e aproximou-se de Adriana. Com o mesmo cuidado, ajudou-a a deitar-se na cama e a pôr-se confortável dentro dos possíveis. Era notório que ela estava com muitas dores, mas era o normal. Se queria amamentar, poucos e pouco eficazes eram os analgésicos que podia tomar.

- Trá-la para cá – pedinchou Adriana, mesmo sabendo que Emma dormia serenamente e que o melhor era deixa-la descansar. Mas não podia evitar: precisava de a sentir outra vez nos seus braços, precisava de voltar a olhá-la, a cheirá-la, a ouvir o som do seu respirar…

Alexis não hesitou em aceder ao seu pedido. Emma parecia estar exausta pela forma como dormia tranquilamente. Alexis e Adriana maravilharam-se a contemplá-la. O milagre da vida tornava-se quase incompreensível de tão extraordinário que era.

- Posso? – perguntou Mara num sussurro, vendo-os completamente absorvidos enquanto miravam Emma.

- Claro – respondeu de imediato Alexis que estava sentado na cama, junto a Adriana que se recostava a ele com Emma nos braços.

- Está tudo bem? – perguntou de imediato Adriana.

- Sim, está – respondeu com um sorriso – A Emma é uma menina muito saudável. Tem 49 centímetros e 3, 100 kg. Todos os exames que lhe fizemos mostram que está tudo bem. No fim da semana faremos o normal teste do pezinho e os resultados devem ser breves.

- E quando é que podemos ter alta?

- Eu sugeria que a fizessem sexta-feira. Está tudo bem convosco, mas acho que ficarem por cá pode ser bom nestes primeiros dias. Terás o suporte do pessoal para recuperares fisicamente e assim será mais fácil tomares conta dela de forma mais autónoma. O que te parece?

- Pode ser uma boa ideia – concordou.

- Está à vontade para mudares o quarto conforme as tuas necessidades e gostos. Podes trazer o Thiago até cá sem problemas, porque esta ala é especialmente dedicada ao pós-parto e a higiene é rigorosa. Aqui os riscos de ele ficar doente são extremamente pequenos.

- Vale. Muchas gracias – disse com um sorriso.

- De nada. Muitos parabéns! Têm uma menina linda! Se precisarem de alguma coisa, a Daniela estará por perto.

Adriana e Alexis tornaram a agradecer e Mara acabou por deixá-los novamente sozinhos.
As palavras faltavam. Adriana olhava Emma e perguntava-se quantas vezes tinha olhado para aquele fato e tentado imaginar a sua filha dentro dele. Nenhum pensamento correspondia minimamente à beleza daquele momento.



Alguns momentos depois, Emma começou a choramingar e Adriana rapidamente percebeu que ela tinha fome. Alexis ajudou a instalá-las da forma mais confortável possível e Emma pôde saciar toda a sua fome. Adriana ficou feliz por ver que Emma não tivera problemas em adaptar-se. Apesar das dores que a amamentação lhe provocava já que induzia a contração do seu útero, Adriana sentia-se feliz. Sempre adorara amamentar, era um momento tão único, tão íntimo. Alexis não resistiu a pegar no telemóvel e a eternizar o momento com uma fotografia. Depois mostrou-a a Adriana bem como a foto que Daniela lhe tinha tirado há alguns minutos atrás.

- Podias pô-las nas redes sociais – sugeriu Adriana.

Adriana e Alexis já haviam discutido aquele assunto. Não queriam esconder os filhos do mundo. Eram ambos figuras públicas. Sabiam que existiam várias revistas dispostas a pagar altas quantias de dinheiro a paparazzi que os perseguiriam até conseguirem o que queriam.
Tinham chegado à conclusão que era preferível serem eles mesmos a partilhar as fotos com os seus fãs e com o mundo. Para além de desvalorizar drasticamente as fotos de paparazzi, também era realizar um desejo íntimo que os dois sentiam. Eram pais, tinham um orgulho enorme nos seus filhos, apenas queriam mostrá-lo ao mundo! Antes de Adriana ser modelo, era mãe e antes de Alexis ser futebolista, era pai. E não iam privar-se de viver plenamente aqueles momentos apenas porque a sua vida privada interessava ao mundo!
Alexis acabou por seguir a sugestão de Adriana. Pegou no seu telemóvel e subiu a sua foto junto a Emma.



Vos presento mi princesita: Emma Sánchez. Ella y su mamá están muy bien. Muchas gracias por vuestro cariño!


{Foi a imagem que se arranjou xD}





Depois a pedido de Adriana pegou no telemóvel dela e subiu a foto dela, legendando-a em português, espanhol e inglês.





A minha pequena Emma já está nos meus braços. Estamos as duas muito bem e a família está muito feliz com a chegada da nossa princesa. Obrigada por todo o vosso carinho!




Assim que Emma terminou de mamar, Alexis pegou nela e fê-la arrotar. Ia pô-la de novo no seu berço, mas Adriana pediu-lhe para que a colocasse junto a ela. Com o silêncio a tomar conta do quarto, Adriana preparava-se para dormir, já que sabia que nem sempre teria a oportunidade de fazê-lo. Mas mal fechou os olhos ouviu Thiago a entrar entusiasmado pelo quarto, correndo para os braços de Alexis.

- Shiu – disse Alexis colocando o dedo à frente da sua boca, mostrando que ele devia fazer silêncio.

- Shhh – repetiu Thiago imitando o gesto do pai e fazendo-o sorrir – Mamá! – disse claramente eufórico assim que viu Adriana.

Ana tinha-se entretanto aproximado de Adriana e maravilhado olhando Emma, não hesitando em pegá-la ao colo. Há quanto tempo não tinha um bebé tão pequenino no colo… Lia não parava de crescer, o tempo parecia correr, deixando para trás apenas as recordações.



Com o espaço de Emma livre, Alexis pousou Thiago junto a Adriana, dizendo-lhe que tinha de ter cuidado com a mãe. Mas Thiago mostrou-se pouco importado com as palavras do pai. Simplesmente aconchegou-se junto a Adriana, claramente pedindo miminhos da mamã.

- Ela é mesmo bonita! – elogiou Ana – Fizeram o trabalho muito bem feito! – brincou.

- É verdade. Já é o segundo trabalho muito bem feito que fazemos! – gabou-se Alexis.

- Eu tive mais mérito! – acrescentou Adriana, picando-o.

- Os meus genes chilenos acrescentam uma classe tremenda ao nosso trabalho!

- Tão humilde o teu marido – brincou Ana.

- É eu sei. Mas o que me interessa mesmo agora é o álbum!

- A sério? Acabaste de ser mãe e o que te interessa é o álbum? – provocou-a Ana.

- Deixaste-me em ansiedade estes meses todos. Agora quero ver!

- Vale! Mas antes tenho uma foto que quero que vejam! – Ana pegou no seu saco e rapidamente lhes entregou a foto.



- Que bonita. Mas…não foste tu que a tiraste, pois não? – perguntou Adriana.

- Não. Foram os vossos amigos paparazzi! A primeira coisa boa que vos dão – gracejou.

- Vamos guardá-la – disse Alexis.

- Sim, até é fofinha – concordou Adriana, tornando a olhá-la – Mas agora o álbum!



***

















 4 anos… 4 anos tinham passado e Adriana parecia não ter dado por nada.
Entre arrumações tinha encontrado o seu álbum de gravidez e não resistira a folheá-lo uma vez mais. Fora uma das fases mais bonitas da sua vida e a fase que vivia naquele momento parecia ser ainda melhor.
Em 4 anos muita coisa tinha mudado, mas o essencial restara intacto: o amor que unia aquela família.
Alexis deixara o Barcelona poucos meses depois do nascimento de Emma. A decisão tinha sido tomada juntamente com Adriana, portanto quando Alexis rumou para Itália, Adriana não hesitou em seguir com ele. Não fazia sentido algum separar a família.
O campeonato italiano não era o sonho de Alexis, mas ele encarava a experiência como um desafio. As propostas de saída foram-se multiplicando ao longo dos anos mas só agora aparecia a proposta que agradava ao clube e a Alexis: o regresso a Barcelona.
Alexis sentia que tinha deixado muitas coisas por fazer no Barcelona. Sentia que as coisas não tinham corrido como ele queria, que não tinha mostrado o seu valor. Era arriscado voltar a Barcelona, mas Alexis queria fazê-lo, queria aceitar o desafio, provar a si mesmo que podia ser uma mais-valia em qualquer clube do mundo. Alexis era exigente consigo mesmo, queria estar sempre entre os melhores porque só daquela forma ele seria um deles. No dia seguinte, voaria de novo para Espanha, tal como toda a família assim que o contrato fosse assinado.
Apesar de quatro anos terem passado, Alexis continuava a ser o mesmo. A família e o futebol eram os pilares da sua vida. A sua devoção por Thiago e por Emma eram incomparáveis. A vida de futebolista sempre tivera os seus aspetos mais difíceis, mas com filhos tudo se tornava ainda mais difícil. Ter de deixá-los e ir para estágio era realmente doloroso. Apesar de tudo, Alexis tinha uma relação fantástica com os filhos, como se estivesse cada dia da sua semana com eles! Para além da família e do futebol, tinha também a sua paixão por Peti e Luna, bem como os seus cachorros, que eram o centro das atenções de Thiago e Emma.






Apesar de ser mãe de duas crianças, Adriana não abdicara da sua profissão. Continuava no topo da moda mundial, representando a Victoria’s Secret e fazendo ainda outros trabalhos.

Com a mudança para Itália, tinha decidido fazer algumas mudanças. Contratou Nina, que passou a ser a sua empregada doméstica, e Graziela, a baby-sitter dos seus filhos. Sempre fora reticente a recorrer a outras pessoas para fazer coisas que ela sentia que eram da sua responsabilidade, principalmente se isso implicava meter outra mulher dentro de casa, mas tivera mesmo de ser. O facto de Nina e Graziela terem-se mostrado excelentes pessoas quando Alexis e Adriana passaram férias em Itália apenas facilitara a transição.

Por vezes era difícil a família estar reunida. Alexis tinha os treinos, os estágios, os jogos, as viagens e Adriana tinha também as sessões fotográficas, os desfiles, as promoções. Por vezes, tinha de deixar os filhos em Itália com o pai e com Graziela, outras vezes optava por levá-los consigo com a ajuda da baby-sitter. Eram sempre situações complicadas, mas no fundo tentavam encontrar sempre um equilíbrio, pensando principalmente no bem-estar de Thiago e de Emma.

E Alexis e Adriana tinham também algumas “regras” na sua vida de casal. Todos os meses tinham uma noite apenas para eles, nunca se deitavam sem se terem beijado naquele dia e sem terem falado um com o outro mesmo que fosse simplesmente através das tecnologias devido aos milhares de quilómetros que os separavam, durante as férias 5 dias eram dedicados em exclusivo a eles. Por vezes, custava deixar os filhos para trás, mas sabiam que tinham de manter a chama acesa, que não podiam descuidar a relação porque eles eram a base da família. Para além disso, ambos gostavam de surpreender e de ser surpreendidos, o que ajudava sempre a quebrar a rotina.











Thiago…

Thiago tinha a energia e a irreverência de uma criança de 5 anos.

Apesar de gostar de uns miminhos da mãe, o pai era o seu herói. Levantava-se a pensar no pai e assim se deitava. Era com ele que alimentava o seu vício: com 5 anos ver uma bola a rolar já parecia ser a melhor coisa do mundo.

Dizia com toda a segurança que seria jogador de futebol quando crescesse e com a mesma segurança dizia que as meninas da escola eram chatas e que não queria andar aos beijinhos com elas, o que deixava Adriana e Alexis a gargalharem ao ouvir os seus relatos “indignados” dos “assédios” das colegas, que apenas procuravam um pai para brincarem às casinhas!








E Emma…
Emma era a princesa da família.
Desde pequenina que Adriana não resistira a todos os vestidos, acessórios para cabelo, brinquedos… E isso parecia ter-se entranhado em Emma. Adorava meter um vestido, principalmente quando a mãe o fazia também. Adorava tirar fotografias e bem como pegar na máquina fotográfica. Quando a mãe decidia passar a tarde nas compras, Emma recusava-se a ficar em casa. Ia com Adriana e mesmo que passassem horas e horas no meio de roupa ou num cabeleiro, Emma não se fartava. Simplesmente adorava todo aquele ambiente.
Uma vez Adriana tivera um desfile que possibilitava que toda a família fosse assistir. Tinham todos voado até Nova Iorque e Emma tinha-a acompanhado durante os dias que antecederam o desfile, completamente fascinada com tudo o que a rodeava.
Para além disso adorava ouvir e ver os contos de fadas que preenchiam os livros e as televisões. Como qualquer menina de 4 anos ela acreditava nas princesas e nos finais felizes.
E Alexis…Alexis para ela era o seu príncipe! Ele sempre fora extremamente protetor com ela e Emma adorava isso. Adorava sentir-se a menina do papá, adorava quando era Alexis a vesti-la, a penteá-la, a levá-la à escola. Sentia-se a menina dos olhos do papá! E era mesmo…
















Thiago e Emma tinham uma excelente relação, o que deixava toda a gente espantada. Afinal eram duas crianças que conviviam constantemente uma com a outra, era normal que berrassem, que discutissem, que se chateassem, mas eles pareciam contrariar a regra.

Eram extremamente cúmplices, era quase raro não estarem juntos. Isso apenas acontecia quando Emma assistia aos seus contos de fadas ou quando Thiago se perdia com a sua bola e às vezes até nesses momentos estavam juntos! Mesmo que fossem de sexos opostos, conseguiam criar atividades que agradassem aos outros e por vezes Emma jogava à bola com Thiago e Thiago brincava às bonecas com Emma!

Para além disso, Thiago era extremamente protetor com Emma, principalmente no infantário. A diferença de apenas um ano permitia que partilhassem a mesma turma desde pequeninos e mesmo que normalmente durante o seu dia estivessem em grupos de amigos distintos, sempre que Emma caía ou se magoava, Thiago aproximava-se preocupado, querendo cuidar da irmã.

Adriana e Alexis sabiam que tal não duraria para sempre, mas iriam aproveitar e tirar muitas fotografias para um dia lhes provarem que já tinham sido dois adoráveis irmãos!


***




Em Barcelona, era Lia a encher a casa de alegria. Com quase 5 anos era a princesa da família. Era tremendamente extrovertida e alegre, era quase impossível estar maldisposto perto dela. Tinha uma enorme aptidão para a dança e por isso Ana decidira inscrevê-la em aulas de ballet. O que no início fora uma experiência, era agora uma das maiores paixões de Lia que adorava por completo aquele passatempo. 



Entretanto Ana dedicara-se à fotografia. O álbum de gravidez de Adriana tinha-lhe aberto uma porta distinta, mas que a acabara por atrair: a fotografia dedicada a grávidas e a bebés. Era um mundo fascinante. Ana tinha tirado cursos, feito formações, pesquisado a máxima informação possível. A fotografia com bebés atraía-a especialmente. Era delicado e difícil, mas fascinava Ana por completo.
Já Cesc continuava tranquilamente a sua carreira no Barcelona. Épocas mais positivas, épocas menos positivas… O normal no futebol.
Contudo Ana notava-o especialmente tenso e nervoso no último mês. Apesar de ter várias vezes tentado perceber o que se passava, ele sempre lhe respondera que estava tudo bem e que era apenas o stress devido ao começo da nova época. Ana acabara por perceber que ele não queria partilhar o que lhe ia na alma e decidiu respeitar. Com o mercado aberto era normal que a tensão aumentasse com as propostas a voarem constantemente. Contudo Ana estava segura de que caso algo fosse posto na mesa, a decisão seria tomada pelos dois, como não poderia deixar de ser.
Ou não…
Ana estava a descontrair um pouco, navegando pelas redes sociais quando um título começou a preencher as publicações: “Oficial: Cesc Fàbregas regressa ao Arsenal”. Não querendo acreditar, apressou-se a consultar a página oficial do FC Barcelona. Era verdade… Cesc iria voltar para Inglaterra através de um empréstimo de um ano. Mas…como era possível? Eles eram um casal, aliás uma família! Como é que ele podia tomar uma decisão daquela dimensão sem a consultar?!
Ana mal conseguira assimilar aquela notícia, quando ouviu Cesc a entrar em casa.

- Qué coño hiciste?! Explicame! – exigiu furiosa.



O que terá feito Cesc aceitar tal proposta sem consultar Ana?
Vem aí tempestade?






No próximo capítulo:


- Vamos para Londres. Está decidido – afirmou Cesc com uma arrogância latente.
- Não. Tu vais para Londres. Eu e a Catarina ficamos – garantiu Ana, num tom quase desafiador.


***


- Porque é que os pais estão a discutir? – a voz de Catarina preenchida pelas lágrimas assustadas interrompeu a discussão bem acesa entre Ana e Cesc.


***


- Lindo menino… Foi muito difícil? – perguntou numa mistura de satisfação e ironia.
- Callate – respondeu Cesc com a voz carregada de ódio.

- Cesc, Cesc, Cesc… No seas así. Não estás numa boa posição para seres rude… Aliás a Ana e a Lia não estão em boa posição para que sejas rude – respondeu com uma crueldade e um gozo visíveis.

- Se lhes acontecer alguma coisa, eu juro-te que te encontrarei e te matarei com as minhas próprias mãos – garantiu com uma raiva inqualificável, recebendo apenas uma gargalhada desafiadora do outro lado do telefone.


***


- Ele pediu-me o divórcio, Di – contou Ana desfazendo-se em lágrimas.


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Olá!!
Voltei finalmente!! Gostaram do capítulo? Espero que sim. Contem-me tudo nos comentários!
E esta novidade do “No próximo capítulo” está aprovada ou nem por isso? Deixem as vossas opiniões também sobre isso!
Este capítulo é inteiramente dedicado à minha Rita, já que esta segunda-feira é o dia dela. Rita, até dizia aquela palavra que começa por “p” e acaba em “arabéns”, mas ainda não é meia noite em Portugal e eu sou supersticiosa :p
Quero ver os vossos comentários!!



Besos
Ana Santos


P.S. Desfrutem do Mundial! Força, Portugal!

P.S. 2 - Fabregas no Chelsea? Nem comento! Para quem não sabe eu ODEIO o Chelsea, portanto foi uma coincidência...desagradável!